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Como saber o tempo certo da gravidez?

SEMANAS X MESES

Dr. Rodrigo Vianna

Hoje vou esclarecer uma situação bem simples, mas que costumar “dar um nó” na cabeça das gestantes. Como fazer para saber o tempo certo de gravidez. Afinal, os médicos contam em semanas, os leigos contam em meses, e na hora de converter semanas em meses nunca dá certo.

Para complicar, cada USG feita pode revelar uma idade gestacional diferente.

Mas é bem simples, não se preocupem.

Para começar, devemos lembrar que cada animal tem um período de gestação, e o do homem é igual a 9 meses, como todos sabem. Mas na maioria dos casos, não se sabe exatamente quando ocorreu a fecundação (encontro do espermatozóide com o óvulo), já que a mulher não tem apenas um dia fértil por mês, e sim um período fértil de mais ou menos 8 dias. Precisou-se por isso, definir um ponto de partida fixo a partir do qual pudéssemos calcular o tempo de gestação. Este ponto fixo é a última menstruação, mais precisamente o 1º dia da última menstruação. (Mesmo sabendo que a gestação não se iniciou ali, pois não haveria óvulo presente para a fecundação)

Os nove meses são 273 dias aproximadamente (9×30=270, +3 ou 4 dias dos meses que tem 31 dias). Se acrescentarmos 7 dias, correpondentes aos 7 dias que a mulher estaria no período menstrual (mesmo que a regra de algumas mulheres não dure tudo isso, neste período inicial de sete dias não há ovulação e consequentemente não há gravidez), teremos então: 273 + 7 = 280 dias = 40 semanas. Por isso podemos dizer que uma gestação de nove meses completos, é uma gestação de 40 semanas.

A contagem em semanas foi necessária pelo meio médico, para estabelecer o tempo de gestação de uma forma o mais precisa possível, a fim de se evitar complicações por partos antes da hora ou após a hora. Então hoje sabemos que, a contar do primeiro dia da última menstruação, teremos 40 semanas até a data provável do parto, e o que é um cálculo médio, visto que o nascimento pode ocorrer de 38 a 42 semanas, sem maiores preocupações.

Podemos concluir assim, que não dá certo dividir o nº de semanas de uma gravidez por 4, para termos o nº de meses. Pois os meses não tem 28 dias e ainda temos esta semana da menstruação para atrapalhar a conta.

Como fazer então para converter o nº de semanas em meses? É fácil: basta descobrirmos quando é a data provável do parto(DPP), ou seja, 40 semanas a contar do primeiro dia da última menstruação. Ex.: se a DPP for 07/08/2004, todo dia 07 de cada mês completar-se-à mais um mês de gestação. No caso aqui mencionado, essa gestante fará 6 meses dia 07 de maio, 7 meses dia 07 de junho, 8 meses em julho, e irá completar seus 9 meses dia 07 de agosto! Não é fácil?
Para finalizar este assunto, uma curiosidade: é por isso que dizem que o nascimento ocorre após nove ou dez luas de gestação. Matematicamente, se o ciclo lunar é de 28 dias, basta multiplicar por 10 que teremos 280 dias = 40 semanas. Ou seja, contar por lua também não está errado.

Dr. Rodrigo Vianna – ginecologista e obstetra

 

 

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CITOMEGALOVIROSE E GRAVIDEZ

CITOMEGALOVIROSE E GRAVIDEZ

Dr. Rodrigo Vianna

Abordo hoje este assunto, como prometido a uma paciente que por um acaso atendi há cerca de duas semanas atrás. Espero poder novamente esclarecer a ela, e a todas as outras mulheres, o que é a Citomegalovirose.
Infecção sem gravidade para o adulto, em pequeno número de casos adquiridos na gestação, pode passar ao feto e acometê-lo.

Por alguns motivos, muitos médicos acham que a pesquisa para CMV não deveria ser rotineira na gestação que não apresenta anormalidades: menos da metade dos casos ocorre dano fetal, inexistência de tratamento, inexistência de prevenção. Desta sorte, só traria apreensão materna, a ponto de que o Ministério da Saúde ainda não recomenda que se faça pesquisa de rotina para citomegalovirose na gestação.

O Citomegalovírus(CMV) é um vírus da família do vírus Herpes, e também possui a propriedade de, uma vez que tenha entrado em contato com um organismo, ficar dentro deste para sempre, no chamado estado de latência. Também como o Herpes, podem ocorrer reativações do CMV, sem que seja possível prever e prevenir isto.

O CMV encontra-se nos fluidos corporais, e desta forma pode ser transmitido. Ou seja: saliva, sangue, urina e sêmen contaminados. Após a primeira infecção, ocorrem sintomas inespecíficos como: mal-estar, estado gripal, ínguas, que desaparecem em alguns dias. Às vezes a infecção é completamente assintomática. Este estado de viremia (vírus no sangue) é a ocasião em que pode haver passagem do CMV para o feto, o que chamamos de transmissão vertical.

O mais importante, buscando tentar tranquilizar as mães com suspeita de infecção aguda pelo CMV, é que na maioria das vezes não ocorre a passagem do vírus para o feto. O percentual de ocorrência desta transmissão vertical é de 30 a 50% nas gestantes que se infectaram pela primeira vez, e de 3 a 5% nas gestantes com infecção recorrente. Nestes casos em que o vírus chega ao feto, o grau de comprometimento fetal pode ir do grave ao nenhum. Os mais sérios, além do óbito, seriam lesões no sistema nervoso, ou seja, lesões cerebrais, oculares e auditivas. Mas também pneumonia, hepatite e anemia podem fazer parte do quadro. Dos fetos onde houve a transmissão vertical, apenas 10 a 15% são sintomáticos ao nascimento, com o restante nascendo sem alterações aparentes. Mas 10 a 20% dos assintomáticos irão desenvolver algum prejuízo futuro: retardo no desenvolvimento neuro-motor ou surdez.
Bem, o que esses percentuais dizem? Se pegarmos 100 gestantes onde houve o contágio pelo CMV durante a gestação, teremos (levarei em conta os extremos dos percentuais aqui apresentados, por ex. – índice de Transm.vertical é de 30 a 50%) 30 a 50 fetos com presença do CMV. Destes, 3 a 7 fetos seriam sintomáticos ao nascimento e 3 a 10 fetos apresentariam algum sintoma mais tardiamente. Isto quer dizer, que de 100 gestantes que foram contaminadas pelo CMV durante a gestação, apenas 6 a 17 fetos teriam algum tipo de comprometimento.

Há então, uma chance muito maior de não haver danos para o concepto do que de haver. Mesmo assim, uma vez que seja feito o diagnóstico de CMV na gestação, o médico deve ficar atento a esse pré-natal e até mesmo propor a gestante o uso de métodos invasivos – amniocentese (punção de líquido amniótico) e cordocentese (punção do cordão umbilical) para tentar diagnosticar se houve também infecção fetal.

Obrigado pela atenção e até o próximo assunto: parto normal x parto cesarea.

Boa gravidez a todas.

Rodrigo Vianna – Ginecologista e Obstetra

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PARTO NORMAL (VAGINAL) X PARTO CESAREANA

PARTO NORMAL (VAGINAL) X PARTO CESAREANA

Dr. Rodrigo Vianna

Hoje vou falar de uma das grandes dúvidas que acercam a gravidez: qual o melhor parto, o normal ou o cirúrgico? Farei aqui uma análise simples desta discussão, de modo que essa dúvida desapareça para as futuras mães.

Primeiramente, o que sempre falo para as pacientes que me procuram no consultório (e muitas vezes bem angustiadas quanto a isso) : que temos de deixar claro que o melhor parto é aquele onde mãe e filho se encontram bem ao final. Esta é a grande recompensa materna de carregar uma criança no ventre durante nove meses, e também motivo da grande satisfação e alegria do obstetra, que acompanhou a gestação e o parto.

Para este resultado final, com todos felizes, não há um tipo de parto que seja o melhor para todas as mulheres. Há uma variação enorme, pois existem muitos fatores envolvidos: preparo psicológico e expectativas da mulher, do companheiro, da família; saúde materna e fetal; ambiente social, etc.

O mais importante é: a mulher deve ter uma participação ativa durante toda a gestação e também na hora de optar pela via de parto. O que é participação ativa? Não é fazer o que passa pela cabeça, sempre indo contrária às orientações médicas. Para a que pensa assim é melhor nem fazer o pré-natal. Participação ativa é querer saber o que está acontecendo no seu corpo com essa nova vida que se desenvolve dentro dele; é querer saber porque seu médico está tomando esta ou aquela conduta; é querer dar sua opinião do que está sentindo.

Se as mulheres participativas não estão tendo este retorno no pré-natal, então me desculpem os doutores, mas é melhor que se mude de obstetra. Há necessidade de confiança mútua – obstetra e gestante – durante os nove meses, para que possamos ter uma gestação e um parto tranqüilos. Assim, poderá durante a gestação ou já no trabalho de parto, haver uma troca entre os dois: o obstetra ouvindo a paciente e vice-versa. E a decisão final, mesmo sendo do médico, não trará preocupação à mulher mesmo não sendo da maneira que ela gostaria, pois saberá que aquilo será o melhor para ela e seu bebê.

É sabido que o parto normal tem muitas vantagens em relação a cesariana: é o fisiológico – o corpo da mulher foi preparado para isso; a recuperação é muito mais rápida; há menor chance de hematomas ou infecções; menor risco de complicações para a mãe; menor chance de dor pélvica crônica. Quanto a dor, com as técnicas de analgesia de parto utilizadas hoje em dia, essas podem ser evitadas.

A princípio então, devemos pensar primeiro no parto normal, principalmente em se tratando de mulheres saudáveis e gestações idem.

Mas algumas chegam até o médico, com muito medo do parto normal. Seja por antecedentes próprios ou na família de um trauma qualquer ocorrido por ocasião de algum nascimento, seja por desconhecimento do que é um parto, seja por insegurança que a aparente imprevisibilidade de um parto normal possa causar. E aí, algumas mulheres não conseguem nem aventar a possibilidade de terem um parto assim. Querem o parto marcado, preparado, tranqüilo, “seguro”. E mesmo se explicando sobre um tipo de parto e outro, suas vantagens e desvantagens, por vezes não conseguimos demovê-la desta idéia fixa, e o normal para elas seria a cesariana. Tudo bem também, sem traumas. Não adianta o médico ficar assustando a paciente dizendo até o último instante que tentará o parto normal “para o bem dela”. Ora, que meses difíceis serão para essa mulher, todo dia pensando na angústia do trabalho de parto ao invés de curtir sua barriga. Apesar de ser uma cirurgia, a cesariana é hoje em dia uma operação bem segura, principalmente havendo capacitação dos profissionais envolvidos na cirurgia e maternidade bem equipada para a mesma. Não podemos ficar com discursos demagogos que a mulher ou o neném poderão ter várias complicações se o parto não for natural.

Finalizando, vou relembrar que o mais importante é a participação ativa da mulher durante a gestação, para que lhe possam ser esclarecidos pelo médico, os riscos e benefícios de cada via de parto, a partir da avaliação de cada situação, de cada caso.

Outros apontamentos sobre esta avaliação do tipo de parto poderiam ser mencionados, mas tornariam o tema extenso, quando queremos justamente uma coisa mais simples e objetiva, voltada para as mulheres. Mas como sempre, me coloco a disposição para quaisquer eventuais esclarecimentos.

Boa gravidez!

Dr. Rodrigo Vianna – ginecologista e obstetra

 

 

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