Archive for março, 2003

Comportamento infantil e alimentação

Nas crianças, a hiperatividade, a falta de atenção, a dislexia e
o comportamento anti-social ou agressivo podem ser manifestações
do que elas comem, defende o britânico Neil Ward, do departamento
de Química da Universidade de Surrey.

Segundo o investigador, algumas crianças podem reagir aos
aditivos, conservantes e corantes que se encontram nos produtos
alimentares, o que causa alguns problemas comportamentais.

Ward acompanhou vários grupos de crianças nas escolas com o
objetivo de descobrir se os distúrbios de comportamento
relacionados com químicos se registam em grupos isolados ou se
todas as crianças estão em risco.

Descobriu que alguns corantes podem levar a reações adversas 30
minutos após o seu consumo, tendo identificado como principais
culpados os metais tóxicos, como o chumbo e o alumínio, e os
corantes alimentares. As reações a esses químicos incluem
perturbações comportamentais ou físicas, como urticária ou
cansaço.

No entanto, descobrir uma ligação direta entre certos químicos e
problemas de saúde pode ser uma tarefa complicada. São necessários
dados científicos para provar que alguns químicos podem causar
problemas comportamentais, mas por enquanto cabe apenas aos
cientistas provarem isso mesmo.

As companhias farmacêuticas, por exemplo, são obrigadas por lei a
realizarem testes minuciosos aos seus produtos antes de os
comercializarem, comprovando que o seu uso é seguro, mas o mesmo
não acontece com os fabricantes de produtores alimentares.

No Reino Unido, a comida para crianças está regulamentada apenas
até à idade de um ano, desaparecendo a partir daí. Os fabricantes
de comida dirigem muitas vezes os seus produtos a grupos
específicos, incluindo mulheres grávidas, no entanto, não são
obrigados a fornecer dados científicos que atestem que tais
alimentos são adequados a esses grupos.

Ao longo dos últimos anos tem-se registado um aumento da obesidade
em crianças.

Muitas vezes, nas escolas, as crianças estão sob a pressão dos
colegas para ingerirem determinados produtos e por isso, tendem a
comer produtos com demasiado açúcar, que muitas vezes também
contêm químicos “maus”.

É ainda de destacar que, muitas vezes, os consumidores não
compreendem a informação contida nos rótulos da comida. É muito
importante que as crianças, mas também os pais, sejam encorajados
a aprender mais sobre a comida que escolhem para consumir, como
ela deve ser armazenada e cozinhada para fornecer um valor
nutricional adequado à sua dieta.

Fonte: http://www.mni.pt/destaques/?cod=2102

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A Síndrome do Comer Noturno

Sabe aqueles ataques à geladeira durante a noite? Eles são o início de uma síndrome que tem sido muito estudada por especialistas.

 

Embora seja difícil acreditar que um ataque noturno à geladeira
possa causar dependência, o fato é que pode. Principalmente se a
vontade for permanente. Imagine você todas as noites levantando
como um sonâmbulo e planejando o ataque noturno? A Síndrome do
Comer Noturno (SCN) é um dos transtornos alimentares (como a
bulimia nervosa e a compulsão alimentar periódica) que pode ser
encontrado em pacientes obesos. Tal como os outros transtornos
alimentares, ele pode ser responsável pela dificuldade que alguns
pacientes tem em aderir ao tratamento e atingir um peso ideal.

Apesar deste diagnóstico ainda não ser totalmente aceito por
endocrinologistas e psiquiatras, os pacientes com esta síndrome
apresentam um comportamento alimentar característico e, muitas
vezes, impressionante.

O primeiro caso foi descrito em 1955 e é uma história interessante. O Dr. Albert Stunkard, um dos maiores estudiosos no
TCAP, estava tratando de uma paciente obesa com graves problemas familiares, o que estava dificultando muito o seu tratamento. Ao
discutir o caso com um grupo de estudantes, uma das jovens presentes, obesa, se levantou e, chorando muito, retirou-se da
sessão.

O Dr. Stunkard foi imediatamente atrás para saber o que estava
acontecendo. A jovem então lhe disse que aquilo nada tinha a ver
com os problemas familiares relatados pela paciente. Tinha a ver
com a maneira como a paciente comia. Ela não sentia fome alguma
durante toda a manhã. Porém quando chegava a noite, ela
simplesmente não conseguia parar de comer. O jantar nunca era o
suficiente e depois ela continuava comendo sem parar. Chegava a
acordar várias vezes durante a noite só para comer. A estudante
então disse: “É exatamente assim que eu como e eu nunca tinha
ouvido nenhum relato semelhante em toda a minha vida”.

O Dr. Stunkard ficou tão impressionado com o relato que começou a
pesquisar os mesmos sintomas em outros pacientes obesos. Após a
identificação dos sintomas característicos, ele a descreveu como a
Síndrome do Comer Noturno.

Após vários estudos, recrutando pacientes por jornais ou em
clínicas para emagrecimento, ele, e outros autores, chegaram a
algumas conclusões:

1 – A freqüência da SCN variou de 1.5% na população geral, passando por 9.0% em clínicas para tratamento da obesidade, e
chegou a 26.0% em pacientes com obesidade mórbida;

2 – Os pacientes com SCN geralmente comem mais de 55% das calorias totais de um dia entre as 20:00hrs e 06:00hrs;

3 – Eles acordam várias vezes durante a noite, mais de metade das vezes apenas para comer e iv – apresentam uma piora importante do
humor durante a noite.

Portanto, a SCN é uma combinação única de um transtorno alimentar, uma desordem do sono e uma desordem do humor. É caracterizada por anorexia matinal (total falta de apetite pela manhã), hiperfagia noturna (grande ingesta de comida durante a noite) e insônia.

Apesar de não ser totalmente aceito como diagnóstico, é um comportamento que traz grande sofrimento aos pacientes e até mesmo
aos médicos que os tratam. Embora não exista um tratamento específico, inúmeras abordagens, inclusive farmacológicas, podem
ser tentadas para tentar trazer algum alívio para o paciente.

Por Rodrigo Moreira e Mariana Monteiro

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