Crítica contra o esgotamento de recursos marinhos

Embora o texto não considere que as sociedades indígenas comeram peixe de forma extensiva por eras inteiras sem que se verificasse diminuição da população marinha e sua biodiversidade, vale a crítica, repleta de informações interessantes, como o grave problema da aquicultura, a redução do plâncton, a questão da pesca industrial insustentável, etc.

Boa leitura!

Arnaldo V. Carvalho para Portal Verde

http://www.seashepherd.org.br/noticia.php?not=177

Temos de parar de comer os Oceanos

Os oceanos são como a galinha dos ovos de ouro. Enquanto ela estava viva, botava um ovo dourado cada dia, mas depois o agricultor ganancioso decidiu matá-la para obter todo o ouro de seu interior, mas nada encontrou, e a galinha não botou mais seus ovos porque estava morta.

Durante séculos, os oceanos têm alimentado a humanidade. Mas, no século passado, os ecossistemas dos oceanos foram abusados pela ganância humana com uma ignorância insana.

Não como peixe, porque sou um ecologista e tenho visto a diminuição de peixes em todos os mares da minha vida. Fui criado em uma aldeia de pescadores e fui criado em uma dieta de bacalhau, sardinha, cavala, smelts, amêijoas, lagostas, solhas e truta. Eu vi com meus próprios olhos a progressiva diminuição de peixes, lagostas e crustáceos. E pelo que eu comi quando criança, eu escolhi o que não comer hoje, pela simples razão de que há muitos de nós em terra comendo os poucos deles que vivem nos mares.

O pescador agora se tornou um dos mais destrutivos ocupadores do planeta. É tempo de pôr de lado a imagem antiquada, independente, ‘sal-do-mar’, do pescador trabalhando corajosamente para alimentar a sociedade e sustentar sua família.

A maioria dos pescadores não vão mais ao mar com linhas e pequenas redes. Hoje, operam navios que valem alguns milhões de dólares, equipados com uma complexa e dispendiosa tecnologia, destinada a caçar e capturar todos os peixes que possam encontrar.

Um fabricante de localizador eletrônico de peixes – Rayethon, se orgulha de seu produto, dizendo o peixe pode correr, mas não pode se esconder.

E para os peixes não há lugar seguro, sendo caçados impiedosamente mesmo em reservas marinhas e santuários. Nós, seres humanos, temos travado uma intensa e implacável exploração de praticamente todas as espécies de peixes no mar, e esses estão desaparecendo. Se não pormos um fim aos navios de pesca industrializada muito em breve, vamos matar os oceanos e, ao fazê-lo, vamos nos matar.

Nesta semana, cientistas revelaram que a desnutrição é generalizada, afetando peixes, pássaros, animais e populações dos nossos oceanos. Não só estamos esgotando as suas reservas, estamos matando de fome os sobreviventes.

Estamos alimentando gatos com peixes, porcos e galinhas, e nós estamos sugando dezenas de milhares de pequenos peixes do mar para a alimentação de peixes maiores criados em cativeiro. Gatos domésticos estão comendo mais peixe do que focas, porcos comem mais peixes do que tubarões, e galinhas comem mais peixes do que albatrozes.

Com outros fatores, como o aumento da acidez, aquecimento global, poluição química e diminuição da camada de ozônio, provocamos declínio das populações de plâncton, travando um ataque global sobre toda a vida nos nossos oceanos. Os peixes não podem competir com as nossas exigências excessivas. Já eliminamos 90% dos grandes peixes comerciais do mar. Os chineses procuram barbatanas de tubarão, o que está destruindo praticamente todas as espécies de tubarão no oceano.

Considerando que a indústria da pesca, uma vez segmentada, destruiu os grandes peixes, agora está se focalizando nos menores, os peixes que sempre alimentaram o peixe maior. Das dez principais pescarias no mundo de hoje, sete estão no alvo dos peixes pequenos. Se os peixes são muito pequenos para alimentar as pessoas, são simplesmente misturados na farinha para alimentar os animais domésticos e agrícolas, que criam salmão ou atum.

A aqüicultura surgiu agora também como o maior desperdício de peixes, e é o motor econômico na condução da exploração intensiva de peixes pequenos. Atualmente, japoneses e noruegueses extraem dezenas de milhares de toneladas de plâncton do mar para produzir proteína rica a fim de alimentar animais.

Nesta semana, um relatório sobre o estado do Mundo da Pesca e da Aqüicultura liberado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO, concluiu que 80% de todos os peixes marinhos estão atualmente sendo explorados, sobrexplorados, empobrecidos ou esgotados, incluindo reservas das sete maiores pescas. Poucas populações de peixes marinhos permanecem com o potencial para sustentação, enquanto a humanidade segue em crescimento, e muitos já atingiram seu limite.

A Sea Shepherd Conservation Society não está tomando a posição dos direitos animais quando dizemos que as pessoas devem parar de comer peixe e parar de comer carne de animais que foram alimentados por peixes. A nossa posição baseia-se unicamente sobre a realidade ecológica que a pesca comercial está destruindo os oceanos.

Todos nós sabemos disto. Estamos todos conscientes dessa diminuição. A realidade ecológica não está somente à nossa frente, está acertando nossos queixos. O problema é a negação absoluta, se nos recusamos a reconhecer que extinguindo a vida do mar iremos comprometer o alicerce para a nossa sobrevivência na terra.

Esta negação é tão arraigada que mesmo o Greenpeace serve peixe para sua tripulação a bordo dos seus navios, enquanto apóia campanhas de se opôr à pesca predatória.

Um povo indígena no Brasil, chamado de Kaiyapo, chama aqueles que destroem as florestas de ‘povo-cupim’, porque eles devoram as árvores. Nós temos humanos parasitas sugando a vida dos oceanos e dando nada em troca. Nós, seres humanos, nos tornamos parasitas sugadores de sangue do oceano, e quando matarmos nossos anfitriões, como certamente faremos, então morreremos também.

Por muito tempo, eu me perguntava por que eu me preocupava em falar sobre esses assuntos para uma sociedade que se recusa até mesmo a conhecer esta realidade e simplesmente rejeita qualquer conversa sobre exploração ao extremo. Durante décadas, tenho sofrido com apatia e ignorância.

Na semana passada, em Paris, na Conferência de Sustentabilidade, eu falei sobre tudo isso para uma sala cheia de jornalistas, e quando eu propus o encerramento de todas as atividades comerciais de pesca no Mediterrâneo, fiquei agradavelmente surpreso com o fato de nenhum jornalista discordar e sequer questionar uma proposta tão radical. Na verdade, meu anúncio foi saudado com aplausos.

O público está se tornando consciente da gravidade da situação ecológica, que ameaça a vida no mar. E isto é muito encorajador. Eu não posso pensar em algo mais importante do que a preservação da diversidade em nossos oceanos. Talvez possamos nos adaptar ao aquecimento global, e talvez podemos sobreviver a uma extinção maciça de espécies, mesmo em terra. Mas eu sei que se matarmos os oceanos vamos nos matar.

A diversidade é a preservação da vida.

Temos de parar de comer os oceanos. Comer peixe é, para todos os efeitos, um crime ecológico. Não há sustentabilidade na pesca oceânica – não, nenhuma. Aquela pretensão de ser consumidores ecologicamente corretos é apenas uma fraude, uma tentativa de nos fazer sentir bem, enquanto continuamos a comer o mar.

Sei que muitos não vão gostar do que estou dizendo, mas eu nunca escrevi ou falei com a finalidade de ganhar algum concurso de popularidade. Meu objetivo é ser ecologicamente correto no meu pensamento, e de qualquer perspectiva que tenho visualizado. Isso eu vejo escrito na parede, em grandes letras em negrito, juntamente com as minhas observações do equilíbrio, e agora a diminuição da vida no mar, desde que eu era um rapaz sentado na Baía de Passamaquoddy até agora, tendo viajado por todos os oceanos do mundo tentando defender a vida no mar. Os sinais parecem ameaçadores e perigosos.

Alguns podem pensar que um apelo pela proibição da pesca comercial é radical. Eu vejo isso como uma política conservadora e essencial que devemos implementar para salvar os oceanos e a nós mesmos.

Estou preocupado com os pescadores e suas famílias? Eu simpatizo com sua situação, mas estou muito mais interessado na sobrevivência futura da humanidade e dos oceanos. Nós simplesmente precisamos pôr fim a uma indústria que literalmente está eliminando os sistemas de apoio à vida neste planeta. Isso exige sacrifícios, mas é preferível sacrificar um trabalho do que sacrificar o futuro de todos nós.

Temos que considerar as necessidades dos peixes, e é preciso dar-lhes espaço e tempo para se recuperarem do terrível abate a que temos infligido todas as espécies que vivem no mar.

Estou cansado de ouvir desculpas de pescadores dizendo que as focas e os golfinhos diminuíram os peixes. Eles querem nos fazer de bobos, e aceitar um bode expiatório não-científico nesse argumento. Os peixes sumiram porque eles, os pescadores, os mataram sem piedade.

Eles precisam de ser tratados como criminosos que estão destruindo os oceanos. A indústria da pesca precisa de ser encerrada antes que provoque uma extinção irreversível, e tambem a perda de diversidade em nossos oceanos.

Você comeria? “Quitutes macabros” criados por artista tailandês têm visam a percepção da ilusão

É pão! Mas você comeria?  Trata-se de uma padaria da Tailândia , na província de Ratchaburi. Localizada a 100 km a oeste de Bangkok, na padaria é possível encontrar “partes humanas” feitas de pão, mas com grande realismo, estocados em prateleiras e pendurads em ganchos de carne. O lugar é macabro, parecendo um  mortuário, ou o lar de um serial killer. Mas na verdade é um negócio familiar.

No país mais budista do mundo, parecem querer difundir o pensamento religioso de não acreditar no que se vê, porque o que se vê, pode não ser tão real quanto parece.  Os detalhes fazem a perfeição da criação, parecendo quase real.

A idéia é do estudante de artes de 28 anos Kittiwat Unarrom. “Claro, as pessoas ficaram chocadas e pensaram que eu estava louco quando eles viram os trabalhos. Mas uma vez que eles souberam a idéia por trás disso, então entenderam e tornaram-se interessados no trabalho em si”, disse o graduando em artes plásticas.

Ainda antes da formação em artes, Kittiwat começou pintando retratos. Ele então mudou para artes mistas, e finalmente, massa – um meio natural para ele já que a família dirige uma padaria. Ele usa livros de anatomia e sua vivida memória da visita a um museu forense para criar as partes humanas. As representações corporais no corpo não se restringem a uma ou outra parte do corpo: Ele faz pés, mãos, e órgãos internos, em diferentes “estados de  decomposição”, que vêm exibidos impalados em ganchos. Feitos de massa, passas, castanhas de caju, e chocolate, todos os trabalhos em  exibição são totalmente comestíveis.

“Quando as pessoas veem o pão, elas não querem comê-lo. Mas quando elas o provam é só pão normal”, diz Kittiwat. “A lição é: não julgue pelas aparências externas”.

Feito originalmente como parte de sua tese de graduação em Artes Plásticas pela Universidade de sIlpakorn, as partes do corpo de pão e seu criador tornaram-se internacionalmente conhecidos, com menção em vários websites e blogs.

Kittiwat no momento trabalha em sua primeira mostra pública marcada para Novembro em Siam Square, em Bankok, e promovida pela Universidade Silpakorn de Bankok. É sua dissertação final, e ele espera com isso assegurar sua graduação em artes.

Human Bread

He uses anatomy books and his vivid memories of visiting a forensics museum to create the human parts.

TRADUÇÃO, ADAPTAÇÃO E AMPLIAÇÃO DA MATÉRIA: Arnaldo V. Carvalho

FONTES: http://shapeandcolour.wordpress.com/2008/05/15/kittiwat-unarrom-body-bakery/

http://fatlace.com/stayfresh/boohi/2009/02/12/butter-face-ratchaburi-bakery/

http://bangkokdaytours.com/QuirkyThailand/Human-Bread.html

http://www.dennh.com/thailand/humanbread.html