Medicina popular obtém reconhecimento científico

FARMÁCIAS-VIVAS

Germana Barata

O uso de ervas medicinais, muitas delas cultivadas no fundo do quintal, é uma prática secular baseada no conhecimento popular e transmitido oralmente, na maior parte das situações. É difícil encontrar alguém que não curou a cólica infantil com camomila ou erva-doce ou o mal estar de uma ressaca com chá de folhas de boldo, sem qualquer receita médica. Numa população com baixo acesso a medicamentos, como a brasileira, agregar garantias científicas a essa prática terapêutica traz variadas vantagens.

Esse é o objetivo do Projeto Farmácias-Vivas, criado em 1985 pelo farmacêutico Francisco José de Abreu Matos, da Universidade Federal do Ceará. O projeto é direcionado para a saúde pública, cujas plantas permitem, hoje, o tratamento de aproximadamente 80% das enfermidades mais comuns nas populações de baixa renda. A mais recente Farmácia-Viva instalada em outubro último em Viçosa, é capaz de atender também os municípios vizinhos, na Serra da Ibiapaba. Duas outras preparam-se para começar a atuar em Caucaia e Umirin, também municípios cearenses.

Abreu Matos explica que 64 espécies de plantas medicinais disponíveis no nordeste já foram selecionadas e tiveram seu uso analisado cientificamente, de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

A escolha das plantas inicia-se a partir de um levantamento etnobotânico, seguido do levantamento bibliográfico e experimentação em laboratório. As informações geradas são organizadas em um banco de dados e, posteriormente, sua eficácia e segurança terapêuticas são avaliadas. Nessa fase, as variedades coletadas no campo são levadas para um horto de plantas medicinais, localizado no campus da UFC, onde passam pelo processo de domesticação e preparação de mudas, sob a orientação de um agrônomo, para mais tarde serem cultivadas nas hortas de cada farmácia-viva.

Nas farmácias-vivas, os medicamentos são preparados em laboratório de fitoterápicos sob responsabilidade de um farmacêutico especialmente treinado. Para sua administração, o princípio ativo é mantido nas plantas (e não isolado como faz a indústria farmacêutica) na forma de chás, xaropes, tinturas e cápsulas gelatinosas.

Entre os fitomedicamentos usados com eficiência já comprovada cientificamente, o pesquisador cita a tintura e o sabonete líquido de alecrim-pimenta (Lippia sidoides), preparações de elevado poder anti-séptico; o creme vaginal de aroeira-do-sertão (Myracrodruom urundeuva), usado com sucesso no tratamento de cervicite e cervicovaginite; assim como o elixir de aroeira, de ação semelhante às preparações de espinheira-santa, para tratar gastrite e úlcera gástrica e as cápsulas de hortelã-rasteira (Menthax villosa) eficiente medicamento contra amebíase, giardíase e tricomoníase.

Os bons resultados das farmácias-vivas motivaram o governo cearense a criar o Programa Estadual de Fitoterapia, nos moldes do projeto, que é hoje aplicado em cerca de 30 comunidades do interior, como complemento do Programa Saúde da Família (PSF). O projeto das farmácias-vivas está presente, também, em Brasília e nos municípios de Picos, no Piauí e Altamira, no Pará.

O pesquisador cita dois estudos recentes: com o melão-de-são-caetano (Momordica charantia L.), e com a planta antidiabética que é designada pelo nome de insulina-vegetal (Cissus cicyoides).

FONTE: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252003000100010&script=sci_arttext

Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza conta com Programa de Fitoterapia

Importante passo para a fitoterapia é o reconhecimento de sua eficácia por parte dos órgãos governamentais. No site da Secretaria de Saúde de Fortaleza, foi divulgadoseu programa de fitoterapia. No mesmo, há desenvovimento de produtos, promoção do acesso da população às plantas medicinais, etc.

O município é responsável por todo o processo de produção que vai desde a seleção de sementes até a distribuição. O cultivo é feito no horto da Prefeitura, que funciona no Passaré. O processamento das plantas é feito em duas oficinas de manipulação. Tudo com a assessoria Professor Francisco José de Abreu Matos, idealizador das farmácias vivas.

Conheça mais em

http://www.sms.fortaleza.ce.gov.br/sms_v2/assistenciaFarmaceutica_fitoterapiaProdutosFitoterapicos.asp

Abaixo, lista dos 13  fitoterápicos produzidos pelo Programa:

1. Cápsulas de hortelã-rasteira
(Mentha X villosa Huds) – 200 mg
Indicações
Amebicida e giardicida
Posologia
Até 12 anos: 3 cápsulas ao dia durante 5 dias. Adulto: 6 cápsulas ao dia durante 5 dias. Repetir o tratamento após 10 dias.
2. Cápsulas de maracujá
(Passiflora edulis Sims) – 200 mg
Indicações
Manifestações nervosas, inquietações, irritação e insônia.
Posologia
Adulto: 3 cápsulas ao dia.
3. Cápsulas de mentrasto
(Ageratum conyzoides L.) – 200 mg
Indicações
Analgésico e antinflamatório, muito útil no tratamento da dor e da inflamação nos casos de reumatismo e cólicas menstruais.
Posologia
4 cápsulas ao dia. Tratamentos longos devem ser interrompidos por uma semana a cada mês.
4. Cápsulas de erva cidreira
(Lippia alba (Mill.) N. E. Brown) – 200 mg
Indicações
Ação calmante e espasmolítica nas cólicas intestinais e uterinas.
Posologia
2 cápsulas, 3 vezes ao dia.
5. Creme de aroeira
(Myracrodruom urundeuva Fr. All.)
Indicações
Vaginite e cervicovaginite.
Posologia
Fazer uma aplicação vaginal à noite durante pelo menos 10 dias.
6. Elixir de aroeira
(Myracrodruom urundeuva Fr. All.)
Indicações
Úlcera e gastrite.
Posologia
2 colheres de sopa ao dia, antes das refeições.
7. Pomada de confrei 5%
(Symphytum officinale L.)
Indicações
Cicatrizante tópico de ferimentos, queimaduras, úlceras de decúbito, úlceras varicosas.
Posologia
Limpar a área afetada e aplicar em suaves massagens 3 vezes ao dia.
8. Sabonete líquido de alecrim pimenta
(Lippia sidoides Cham)
Indicações
Antisséptico tópico ativo contra fungos e bactérias – usado em escabiose infectada, micoses (pé-de-atleta, pano branco, impigem), mau cheiro nos pés e axilas, em lavagens vaginais como desodorante íntimo.
Posologia
Lavar área afetada com sabonete 3 vezes ao dia.
9. Tintura de alecrim pimenta 20%
(Lippia sidoides Cham)
Indicações
Antisséptico tópico ativo contra fungos e bactérias – usado em ferimentos e afecções da pele e mucosas, micoses (pé-de-atleta, pano branco, impigem), escabioses, mau cheiro nos pés e axilas, amigdalite.
Posologia
Lavar área afetada com água e sabão e aplicar o produto com auxílio de algodão 3 vezes ao dia. Nos casos de amigdalite diluir a tintura com água (duas partes de água para uma de tintura), fazer gargarejo 3 vezes ao dia.
10. Tintura malva-santa 20%
(Plectranthus barbatus Benth)
Indicações
Hipossecretor gástrico – útil no controle da gastrite, azia, mal-estar gástrico, ressaca.
Posologia
Criança: 25 gotas, 3 vezes ao dia.
Adulto: 50 gotas, 3 vezes ao dia.
11. Xarope de Chambá
(Justicia pectoralis Jacq), Malvariço (Plectranthus amboinicus Lour), Hortelã japonesa (Mentha arvensis L.)
Indicações
Broncodilatador e expectorante – tratamento de asma, tosse, bronquite.
Posologia
Criança (1-3 anos): 1 colher de chá, 3 vezes ao dia.
Criança (3-12 anos): 1 colher de sobremesa, 3 vezes ao dia.
Adulto: 1 colher de sopa, 3 vezes ao dia.
12. Xarope de Cumaru
(Amburana cearensis Fr. All), Malvariço (Plectranthus amboinicus Lour), Hortelã japonesa (Mentha arvensis L.)
Indicações
Broncodilatador e expectorante – tratamento de asma, tosse, bronquite.
Posologia
Criança (1-3 anos): 1 colher de chá, 3 vezes ao dia.
Criança (3-12 anos): 1 colher de sobremesa, 3 vezes ao dia.
Adulto: 1 colher de sopa, 3 vezes ao dia.
13. Xarope de Guaco
(Mikania glomerta Spreg), Malvariço (Plectranthus amboinicus Lour), Hortelã japonesa (Mentha arvensis L.)
Indicações
Broncodilatador e expectorante – tratamento de asma, tosse, bronquite.
Posologia
Criança (1-3 anos): 1 colher de chá, 3 vezes ao dia.
Criança (3-12 anos): 1 colher de sobremesa, 3 vezes ao dia.
Adulto: 1 colher de sopa, 3 vezes ao dia.