Então você acha que economizar o saquinho do supermercado é relevante? Dá para fazer muito mais pelo meio ambiente!

Por Ary Bon

Meu irmão trabalha na Prefeitura da Cidade de São Paulo.
O departamento dele cuida do controle do transporte tercerizado do lixo.

Todo o lixo da cidade vai para dois tipos de destinação: orgânicos vão para o aterro sanitário e inertes vão separados para uso como entulho.
A prefeitura de São Paulo regulamenta que o lixo doméstico seja acondicionado em sacos plásticos, para viabilidade do manuseio, coletya, manutenção das viaturas, logística geral. (… e é bom que seja assim…)

O material que vai para aterro é fragmentado por máqiuinas e enterrado em camadas, onde há tubulações para coleta do gas e aproveitamento como combustível.
O composto orgânico não é aproveitado por causa de cobtaminação com metais pesados.
Tem um departamento de engenharia ao encargo deste gerenciamento, por causa dos volumes envolvidos.

O volume total diário de lixo orgânico da Cidade de São Paulo é de 150.000.000 kilos (cento e cincoenta mil toneladas POR DIA).
Existe uma logística de coleta com caminhóes menores, compactadores, recoleta em carretas de 40 toneladas, e envio para os aterros sanitários, fragmentação e espalhamento com tratores, cobertura com camadas de terra, etc.

Minha observação é que o saquinho de polietileno do supermercado (bem como os sacos maiores necessários para a coleta), embora não se decomponham fácilmente, representam muito pouco no volume total de lixo orgânico da cidade. Todo este movimento para reduzir sacos nas compras do supermercado é poétkico pfracaramba, mas representa na prática, absolutamente NADA. Você quer realmente contribuir com a Mãe Natureza?

Vamos para a proposta.

Meu avós maternos tinham quintal. E nãso tinham coleta de lixo. E o lixo orgânico ia todinho para um poço raso do quintal, sempre coberto com uma camada fina de folhas, terra, etc. Eles não jogavam lixo fora. Virava adubo, e do bom.

Hoje muitos de nós não temos quintal, quando muito um jardinzinho. mas quem tiver uns 3 m2 de terra (1,5 x 2,5 m) onde bata o sol, pode contribuir comuma versdadeira  revolução verde. Os engenheiros agronomos Célio Luis Franco e Antonio Barbosa Pereira, da Associação de proteção ao Meio Ambiente de Moghi-Guaçu inventaram um biodecompositor para lixo orgânico sólido, simples de construir, usar e manter,

O projeto foi publicado na Revista do Crea, e tem baixo custo de aquisição e manutenção.
Consta de um par de tambores de aço de 200 litros cada, que podem ser comprados em ferro-velhos especializados.
Os tambores devem ser furados para encaixar um balde plástico (sem fundo) com tampa hermética de um lado e uma tela de nylon no fundo.
A tampa roscada do tambor será usada para um respiro feito com cano de PVC e um copo (pode ser plástico)

O tambor deve ser enterrado uns 15 cm no chão, que pode ser de grama ao redor. A tela vai no fundo aberto do tambor.

Dentro pode ser jogado restos de comida e verduras, cascas de frutas, ovos e legumes, pó de café com filtro de papel, ossos de frando e peixe, fezes de cão, gato e aves, cinzas e restos de cigarros, enfim, tudo menos líquidos. Para uma decomposição mais rápida, o ideal é que os restos sejam triturados e espalhados pelo fundo do tambor. Evidentemente nada tóxico pode ser jogado no biodecompositor (como pilhas, produtos químicos, remédios velhos etc.) O acesso é pelo balde cuja tampa serve para selar o tambor.

A cada 7 dias deve ser colocada uma camada de uns 2 cm de serragem pura ou misturada com terra. usando folhas em vez da serragem pode ser necessário aumentar a camada. O volume dos resíduos vai se reduzindo contínuamente à medida da decomposição.

è importante que o tambor receba sol, isto vai cozinhar o conteudo, o que acelera a decomposição. Os gases que se formam serão liberados vagarosamente pelo respiro coberto, e levado pelo vento o que evitará cheiro e atração de insetos.

Durante a decomposição podem surgir larvas de insetos, que ajudam no processo de decomposição mas não completarão o ciclo vital e serão incorporadas no composto orgânico. Também haverá formação de ácidos (chorume) que será absorvido pela terra do fundo do tambor.

Uma família de 6 pessoas deve conseguir encher um tambor em cerca de 8 meses, após o que o segundo tambor deve começar a ser utilizado. A biodecomposição completa do primeiro tambor ocorrerá em mais 2 meses. Após este período, pode começar a remoção do composto aos poucos pela parte superior, com intervado de 4 a 7 dias, à medida que vai perdendo o cheiro. Quando o braço não alcançar mais, deve-se tombar o tambor para remover o restante pelo fiundo. A lama orgânica da parte inferior deve ser incorporada ao total retirado. Quando o composto apresentar cheiro de terra molhada ou cheiro de floresta poderá ser usado como excelente adubo.

Existem variáveis como a velocidade de decomposição, que depende do tipo de resíduo, da quantidade de sol, da fragmentação prévia, do volume diário.
O projeto também funciona com recipientes menores de plástico (existem bombonas de 70 litros), mas a eficiência é maior usando tambores de aço.

Espero ter inspirado vocês.
ARY

Foi isso mesmo que eu li, Dr. Varella?

Pelo que vemos no texto abaixo, não é de agora que o Dr. Drauzio faz colocações infelizes e que no mínimo se parecem BEM tendenciosas. É de autoria de Wilson Bueno, publicado no Blog do Wilson em 2008, e republicado aqui sob autorização expressa de seu autor.

Foi isso mesmo que eu li, dr. Drauzio Varella?

Eu sempre li e ouvi o dr. Drauzio Varella com muito interesse e respeito, mas acho que, desta vez, devo estar com os olhos cheios de grãos de poeira ou não estou raciocinando direito.

Vejamos, meu amigo, minha amiga. Confira comigo e depois me diga se estou errado ou vendo fantasmas. Tenho aqui em mãos uma entrevista do nosso doutor midiático na revista Diversa, publicada pela Universidade Federal de Minas Gerais, em novembro de 2008, por ocasião do Congresso Nacional de Saúde. A entrevista vai razoavelmente bem até a pergunta seguinte: Como o senhor vê a agressiva publicidade de medicamentos?
Aí vem a resposta, a meu ver absolutamente esclarecedora e surpreendente, do dr. Drauzio Varella:
“Este é um debate internacional. O mundo inteiro está preocupado com esse assunto, que tem sido tratado por editoriais de revistas médicas. É um questão com dois lados. De um lado, os laboratórios têm colaborado muito para o desenvolvimento da medicina e para o preparo dos médicos. A maioria dos médicos que viajam para o exterior têm suas despesas pagas pelos laboratórios. Hoje, encontro em congressos internacionais médicos recém-formados que não teriam condições de bancar com recursos próprios o custo de uma participação em eventos do gênero. Eu mesmo nunca recebi esse tipo de auxílio e até hoje arco com as despesas.
De qualquer forma, a medicina, em especial a oncologia, avançou muito por causa dessas possibilidades. Mas não existe uma pressão direta dos laboratórios. Algo do tipo: “paguei sua viagem, você tem que aceitar meu remédio”. Isso não existe. O que os laboratórios esperam é que o médico indique uma droga ao perceber que ela age melhor em certa doença. Por outro lado, a pressão da publicidade é algo terrível, principalmente nos Estados Unidos. Ela força os pacientes a pressionarem os médicos a prescreverem determinados medicamentos.”
Calma, meu amigo, minha amiga. Foi isso mesmo que você leu e que ele disse (ou será que a revista interpretou mal?). Vamos resumir com outras palavras: 1) Os laboratórios, segundo o dr. Drauzio Varella, são generosos e pagam, sem desejar nada em troca, viagens para os médicos freqüentarem os congressos internacionais; 2) Os laboratórios, segundo o dr. Drauzio Varella, só assediam os médicos porque querem que eles prescrevam o melhor medicamento para os seus pacientes; 3) O problema maior é a publicidade porque induz os pacientes a pedirem remédios para os médicos.
O dr. Drauzio Varella deve estar vivendo num outro mundo (tem gente que entra pelo tubo da televisão e perde a noção de realidade, vai ver que é isso) e deve conhecer alguns laboratórios diferentes dos que eu conheço, o Cremesp conhece, o Sindicato dos Médicos conhece e as revistas internacionais sérias conhecem e assim por diante. Tudo bem que ele queira fazer média com a Big Pharma, mas não precisava exagerar desse jeito. Vai ver que ele teve uma recaída (todo mundo tem, até doutor tem) ou ele está querendo, como a gente diz no interior, “tirar um sarro” de todos nós. Não é possível mesmo que ele acredite piamente no que disse à revista da UFMG.
Estou, de agora em diante, com um pé atrás com o dr. Drauzio Varella porque esta declaração de confiança irrestrita nos laboratórios me deixou bastante desconfiado. Será que existe alguma coisa que não sabemos respaldando a pesquisa da Unip na Amazônia? Puxa, nunca pensei nisso, mas agora fiquei com a pulga atrás da orelha. Não, não pode ser, devo estar sendo assaltado pela “teoria da conspiração”.
Você pode não se lembrar, mas a Novartis, um dos laboratórios que nada têm de generoso, muito pelo contrário, tentou avançar gananciosamente em cima da nossa biodiversidade (tente checar BioAmazônia como palavra-chave no Google!) há um tempo atrás e, se não tivesse todo mundo de olhos bem abertos, inclusive a comunidade científica, teria conseguido o seu intento. Depois, chegou a patrocinar a revista da FAPESP, com direito a sobrecapa para mailing exclusivo, anúncio na página dedicada aos leitores (uma falta de sensibilidade enorme, mas você já viu a Big Pharma ter alguma sensibilidade que não seja para a grana?) etc. Laboratórios avançam sobre as universidades, sobre sociedades científicas e associações profissionais, avançam sobretudo onde há gente doente. Gostam como loucos de dinheiro. Há exceções, certamente, mas elas confirmam a regra.
Eu quero acreditar que o dr. Drauzio Varella estivesse brincando quando deu essa declaração de amor irrestrito à indústria farmacêutica, mas acho que, se a revista não fez uma besteira enorme, foi isso mesmo que ele quis dizer e que todos nós acabamos de ler (eu agora mais uma vez).
É por essa falta de espírito crítico, de adesão à estratégia predadora da Big Pharma, que estamos neste buraco imenso na área da saúde, com corporações explorando os que já estão fragilizados, máfias de medicamentos pipocando em todo lugar e uma relação promíscua entre laboratórios e parte da comunidade da saúde. Puxa, você não viu matéria do Estadão sobre o controle que os laboratórios exercem inclusive sobre as receitas que permanecem nas farmácias? Puxa, você não anda vendo como se recolhe remédio a torto e a direito, depois de matar e inutilizar tanta gente? Viu falar em Vioxx, Acomplia etc? E da Pfizer com o seu pare de fumar que levou muita gente parar de fazer quase tudo? Um lobby imenso e que certamente não atua em nome da nossa saúde.
Os médicos jovens que se cuidem. Essas viagens vão custar caro um dia, a não ser que já tenham decidido, abrindo mão do juramento tradicional, colocar-se do outro lado.
Mais ainda: pera aí, dr. Drauzio Varella (de novo, se a revista não desvirtuou as declarações dele!) não existe publicidade brotando do nada: são os laboratórios que pagam os anúncios, são eles que induzem os pacientes a se auto-medicarem, a buscarem os medicamentos em qualquer lugar. O senhor não sabia disso? Acha que é a televisão, é o rádio, são os jornais e as revistas que pagam os anúncios de remédios?
São, dr. Drauzio Varella, os mesmos laboratórios que pagam as viagens dos médicos jovens, que escrevem artigos e pagam propina para que pesquisadores os assinem e encaminhem para revistas especializadas, que desrespeitam pra burro a legislação da propaganda (o senhor precisa consultar a ANVISA, que faz o monitoramento da propaganda de remédios para obter alguns dados!).
Se o dr. Drauzio Varella disse isso mesmo, não acreditem nele, não é verdade. Talvez ele seja ingênuo ou gosta de fazer média com a Big Pharma. Ele tem o direito, todo mundo tem o direito de escolher os seus parceiros. Por aqui, preferimos seguir a corrente crítica, descomprometida, que sabe quais são as verdadeiras intenções da indústria farmacêutica, em particular as grandes corporações da saúde (O governo precisa vigiar esta farra da pesquisa clínica que grassa por aqui , com médicos entregando para laboratórios e empresas de pesquisa de mercado o cadastro de seus pacientes!).
Sei lá, vou até torcer para que a revista tenha se equivocado. Se não, não quero mais saber do Drauzio Varella. Vou procurar gente mais ligada no que está acontecendo no mundo. Os laboratórios adoram inocentes úteis. Não nasci com essa vocação.
Vou continuar assim mesmo respeitando o dr. Drauzio Varella. Como médico, certamente já ajudou muita gente e a campanha contra o tabagismo foi excelente (ele deveria ser crítico com a indústria farmacêutica como foi com a indústria tabagista, que produz drogas), mas não é fonte boa, isenta sobre laboratórios, está longe disso. Anda muito desatualizado (a não ser que a revista tenha errado tudo). É vivendo e, às vezes, lendo entrevista de celebridades que a gente aprende.
Tem gente que ainda acredita que existem amostras grátis. Aquelas que muitos médicos distribuem com alguns comprimidos , recomendando aos pacientes que não deixem de comprar os demais. E os laboratórios se fartam com tanta generosidade!
A Big Pharma deve estar rindo pra valer. Aquele riso hipócrita, cínico, safado, aprovado pelo FDA, sem recall.