Por uma visão terapêutica para as terapias

Por uma visão terapêutica para as terapias

Sergio Costa

Inúmeras são as terapias, as formas e os meios de autoconhecimento.

Se formos encarar esta questão pelo aspecto das diferenças entre cada escolhido, chegaremos a grandes divergências entre eles, desde a filosofia que os embasa até entre as técnicas e métodos empregados.

Algumas terapias* vão privilegiar mais as palavras como instrumento de acesso ao outro e explanação de seus conflitos e potencialidades – algumas psicoterapia, o Tarot, um atendimento de mapa astral ou numerológico; outras vão buscar em leituras, técnicas e exercícios corporais as suas formas de intervenção – Terapias Corporais, Massagens Terapêuticas e áreas mais avançadas de Fisioterapia; outras ainda, vão procurar pela alteração da dinâmica energética do organismo, o reequilíbrio e cura do mesmo – Florais, Cura Prânica, Reiki, Acupuntura.

Estas visões, teorias e práticas se combinam e se complementam na autuação dos referidos terapeutas, contudo, de uma maneira geral, cada um irá se aprofundar e se desenvolver predominante dentro de cada uma das supracitadas abordagens – verbal, corporal e energéticas parecem comungar, sejam elas alternativas ou não.

Haveria, então forma de pensar, pesquisa e desenvolver cada uma das terapias existentes de uma forma mais conjuntas?

Seria possível desenvolver uma metalinguagem ou sistema único que congregasse as diferentes terapias em uma mesma Éticas e propósitos comuns?

Em alguns aspectos acredito que não, pois a própria diferença é importante, haja visto as infinitas demandas que surgem no decorrer da vida de um indivíduo requerendo intervenção verbal, corporal ou energética, ou ainda, uma combinação delas.

Todavia podemos afirmar ser possível uma unificação no tocante a visão de como “ser terapeuta” ou relativa à uma “postura terapêutica”. Acredito residir neste item a base para um bom termo em relação à qualquer tratamento ou intervenção. Não que cada terapeuta tenha que ser cópia ou um clone automatizado de um protótipo de “terapeuta ideal”. É necessário que cada terapeuta constitua seu saber e sua prática pela sua personalidade, conhecimento, e experiência.

Contudo existem alguns pontos que considero fundamentais, sem os quais todo o processo terapêutico estaria irremediavelmente comprometido.

  1. Um terapeuta deve ter uma noção o mais nítida possível do limite entre ele – seus desejos, sonhos, valores, moral, preconceitos e crenças – e o outro com suas próprias aspirações e idiossincrasias. A terapia é um espaço para que a individualidade e quem à busca possa emergir. Por isso o terapeuta, não dá fórmula de bem agir, conselhos ou regras de comportamento e receitas de sucesso. A função do terapeuta é espelhar a realidade que lhe é apresentada seja ela, por um mapa, uma carta, fala ou expressão corporal, deixando espaço e tempo suficiente para que o paciente/cliente possa descobrir e construir sua identidade e escolhas.
  2. O terapeuta deve ter noção do funcionamento da sociedade que o cerca, naquilo que ela tem de positivo e negativo e em como ela administra e interfere na vida das pessoas. Tal consciência crítica é necessária para que estas mesmas pessoas, principalmente o próprio terapeuta, não se tornem joguetes nas mãos das forças sociais que oprimem o sujeito e massificam o desejo, fazendo com que o indivíduo se perca em ilusões e falsas expectativas na simples execução alienada de papéis sociais.
  3. Ter noção do universo psicológico que envolve a pessoa que o procura – estruturação da psique, história pessoal e familiar, mecanismos de defesa psicológicos, etc – que reside na base do funcionamento mental/emocional/corporal do indivíduo em questão. Não que vá se iniciar uma piscoterapia, no caso de não se Ter uma formação que o habilite à tal exercício, mas para compreender melhor as queixas e sintomas apresentados e desta forma ampliar a compreensão durante a diagnóstico, prescrever o melhor tratamento dentro de suas habilidades, domínio de conhecimento e técnicas e, se for o caso, indicar o melhor tratamento complementar ao seu que possa auxiliá-lo na função de cura.

Poderia citar vários itens que compõem e baseia a relação do terapeuta com o cliente/paciente, como o necessário bom autoconhecimento do terapeuta, humildade suficiente para ele se perceber também como um caminhante e não detentor de uma “verdade suprema”, conhecimentos teóricos e técnicos sem que se vá restringir ou impor uma adaptação forçosa das pessoas à eles, e assim por diante.

Todavia, acredito que o fundamental da postura terapêutica é Ter a noção de que terapia, bem intencionada e estruturada, seja ela qual for, constitui-se em um grande laboratório, um caldeirão alquímico onde os elementos que o preenchem são da ordem do afeto. Afeto do terapeuta, se afetam na certeza de que depois deste encontro, nenhum dos dois serão exatamente os mesmos.

A mudança é responsabilidade de quem busca a terapia, mas a postura e o espaço terapêutico são responsabilidade do terapeuta.

 

 

Artigo de Sérgio Costa CRP 17447

Psicoterapeuta de Base Corporal e Arte-Terapêutica

 

Portal Verde desconhece a origem desse artigo. Caso você conheça a autoria ou considere indevida a publicação, por favor entre em contato.

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