Terra Indígena Xukuru-Kariri/AL: Vergonha nacional de mais um projeto embargado por “forças ocultas”

Publicamos aqui carta do Antropólogo e Prof. Douglas Carrara, uma denúncia contundente contra a redução das terras indígenas no Alagoas. Douglas foi impedido de finalizar trabalho que delimitaria 15 mil hectares de terra como pertencentes a etnia Xucuru-Kariri no Alagoas e garantiria a posse do pouco que lhes sobrou. A delimitação ocorreu anos depois, com menos da metade da área anteriormente reservada. Leia a carta, indigne-se, divulgue e PROTESTE. PORTAL VERDE

Prezados amigos,
     Estamos tornando público pela primeira vez o Relatório Preliminar Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Xukuru-Kariri, situada no município de Palmeira dos Índios em Alagoas.
    O Relatório foi elaborado de acordo com o Art. 231 da Constituição de 1988 e o Decreto 1.775 de 08/01/1996, nos anos de 2003 e 2004, após a aprovação em concurso promovido pela FUNAI em convênio com a Unesco, de acordo com o Edital n. 2002/01 de 31/07/2002.
     Após a entrega do relatório à Funai, em dezembro de 2004, a Funai cancelou o contrato e, na qualidade de Coordenador do GT-Xukuru-Kariri, fui impedido de continuar o trabalho de elaboração do Relatório Final que iria permitir a delimitação de 15.635 hectares, no município de Palmeira dos Índios, sendo esta área apenas uma parcela do território que no século XVIII e XIX pertenceu aos índios que imemorialmente viviam na região.
    Posteriormente a Funai em agosto de 2006 nomeia outro antropólogo para identificar e delimitar a terra indígena e reduz o tamanho da área anteriormente delimitada de 15.635 ha. para 6.927 hectares, e que o Ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto em dezembro de 2010 declarou como posse permanente da etnia Xukuru-Kariri.
     Enfim, do antigo território indígena demarcado em 1822, antes ainda da “independência”, restou muito pouco para garantir a sobrevivência dos indígenas da região. Com certeza esta decisão vai gerar problemas no futuro em virtude da carência de terras para cultivo e realização de rituais religiosos.
      Ainda que tenha perdido a validade como documento delimitatório resolvemos publicá-lo, já que através do Relatório pode-se avaliar como se deu e ainda vem ocorrendo o processo violento e cruel de esbulho das terras indígenas no Brasil e especialmente no Nordeste onde o contato com os conquistadores portugueses foi muito próximo.
      A Civilização Ocidental e o capitalismo vem aceleradamente destruindo o planeta e consumindo vorazmente sem sustentação todos os recursos naturais e humanos, esgotando mananciais e contaminando toda a cadeia alimentar com agrotóxicos e gerando doenças e cataclismos a nível mundial, como o aquecimento solar e as mudanças climáticas cada vez mais intensas que vem assolando o maravilhoso planeta Terra, único no Sistema Solar.
       E além disso estamos destruindo aceleradamente os remanescentes da Civilização Indígena ainda existentes no planeta que contribuiram e ainda contribuem com uma filosofia econômica, cultural, social, religiosa e política altamente sustentável e que nos servem de lição e sabedoria de como manejar os bens naturais e organizar a sociedade de maneira a promover a felicidade dos seres humanos, que afinal de contas é o que todos nós, seres humanos almejamos.
       Para terminar gostaria de citar um trecho das sábias palavras do grande cacique Noah Seattle, da tribo Duwamish dos Estados Unidos, que, em 1855 recusou uma proposta do Presidente Franklin Pierce de comprar suas terras, pertencente imemorialmente à sua tribo. Ele dizia: “Como pode querer comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do esplendor da água, como então pode comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo … De uma coisa sabemos: a terra não pertence ao Homem: é o Homem que pertence à terra. Disto temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família… Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride à terra, agride os filhos da terra. Não foi o Homem quem teceu a trama da vida; ele é meramente um fio da mesma. Tudo que ele fizer para a trama, à si próprio fará… Os brancos vão acabar, talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continuem poluindo as suas camas e hão de morrer uma noite, sufocados em seus próprios dejetos!
    Se lhe vendermos a nossa terra, ame-a como nós a amávamos. Proteja-a, como nós a protegíamos. Nunca esqueça de como era esta terra, quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder e todo o seu coração: – conserve-a para seus filhos e ame-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.
    Para ler a mensagem completa basta acessar: http://www.bchicomendes.com/cesamep/maseatle.htm
    Para ler o Relatório Preliminar Circunstanciado da Terra Indígena Xukuru-Kariri basta acessar:
http://www.bchicomendes.com/cesamep/relatorio.htm
Cordiais Saudações!
Prof. Douglas Carrara

1 Response so far »

  1. 1

    […] Julho 11, 2011 por Arnaldo Publicamos aqui carta do Antropólogo e Prof. Douglas Carrara, uma denúncia contundente contra a redução das terras indígenas no Alagoas. Douglas foi impedido de finalizar trabalho que delimitaria 15 mil hectares de terra como pertencentes a etnia Xucuru-Kariri no Alagoas e garantiria a posse do pouco que lhes sobrou. A delimitação ocorreu anos depois, com menos da metade da área anteriormente reservada. Leia a carta, indigne-se, divulgue e PROTES … Read More […]


Comment RSS · TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: