Archive for fevereiro, 2013

O futuro da humanidade relacionado a maneira como nascemos

Evento com Michel Odent

 

04 de março de 2013
Palestra com Michel Odent
Evento sem necessidade de inscrição prévia.

Local: EQUIPE PARTO ECOLÓGICO – Rua Real Grandeza, 108, auditório, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ.

Início ás 18h.

Michel Odent é um renomado fisiologista, obstetra e pesquisador, fundador do Primal Health Research Center (Londres). É o autor de importantes pesquisas relacionadas à gestação, parto e nascimento, além de autor de 12 livros traduzidos para 22 idiomas.
http://www.equipepartoecologico.blogspot.com

.

Contribuição : R$ 20,00 por pessoa.

Informações: partoecologico@gmail.com

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DE OLHO NO COLESTEROL

FIQUE DE OLHO NO SEU COLESTEROL!

Apesar da má fama, o colesterol exerce uma função vital no organismo. Presente no sangue e nos tecidos, ele atua na produção dos hormônios sexuais, na síntese de vitamina D, na fabricação da bílis e no transporte de gordura do intestino para o fígado, músculos e tecido adiposo.

Para obtê-lo, o corpo humano vai buscar seus elementos no fígado ou em alimentos de origem animal. Quando o nível de colesterol no sangue ultrapassa as necessidades orgânicas, o excesso tende a se acumular nas paredes das artérias, formando placas de gordura (ateromas), que podem levar a complicações cardiovasculares, como o infarto e o derrame.

Além de uma alimentação adequada, rica em frutas, verduras e legumes, os especialistas recomendam a atividade física regular como forma de controle. Qualquer tipo de exercício realizado diariamente por pelo menos 30 minutos favorece a redução do mal colesterol (LDL) e a elevação do bom (HDL). Os melhores são os exercícios aeróbicos, como andar de bicicleta e caminhar.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia considera:

HDL – a taxa ideal do chamado “bom colesterol” é acima de 35 mg/dL de sangue. Ele é capaz de evitar o acúmulo de gordura nas artérias e facilitar sua eliminação;

LDL – ajuda o colesterol a entrar nas células, fazendo com que o excesso seja acumulado nas artérias, por isso é conhecido como “ruim”. A taxa ideal é abaixo de 130 mg/dL de sangue.
O colesterol total, obtido através da soma dos valores do HDL e LDL, deve ficar abaixo de 200 mg/dL de sangue.

Você tem problema de colesterol alto? Então, cuidado com sua alimentação! Mesmo quem está com o colesterol em dia deve tomar cuidado. O melhor é ficar de olho nos alimentos que coloca no prato, pois a ingestão constante de gordura saturada, certamente, vai elevar o nível do LDL.

Procure substituir alguns de seus alimentos preferidos (geralmente são os que têm mais gordura saturada!) por outros mais saudáveis! Aqui vai uma dica:

TROQUE…
POR…
Leite integral, manteiga, queijos amarelos. Leite desnatado, margarina light, queijo minas, cottage, ricota.
Pães recheados, croissants, brioches. Pão árabe, integral e light.
Patês à base de maionese e manteiga. Picles, azeitonas e cogumelos.
Carnes com molhos cremosos, à milanesa, empanadas fritas ou na manteiga. Grelhados, cozidos e assados.
Peixes gratinados, na manteiga, com molhos cremosos. Grelhados, no papelote, marinados.
Massas com molho branco, gratinadas. Massas sem recheio, com molho vermelho, ao alho e óleo.
Massas com recheio de carne ou queijo. Recheio de ricota, espinafre ou rúcula.
Molhos para saladas à base de maionese, rose, tipo caesar. Molhos de mostarda, iogurte, shoyu, aceto balsâmico, azeite, vinagre, limão.
Batata e polenta frita. Purê de batatas, nhame, de mandioquinha ou de maçã.
Sanduíches com carnes, ovos, bacon, queijo, frango empanado. Lanche natural salada, queijo branco.
Sorvetes, tortas e bolos. Picolé de frutas, frutas em calda.

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NOVOS OLHARES SOBRE AS PROTEÍNAS

A maioria dos culturistas sabe a importância da proteína para o crescimento muscular, e também que o assunto já fora explicado ao extremo. Mas não é bem assim, durante muito tempo todos tinham como base à proteína da clara do ovo como a melhor e insuperável; hoje vamos ver que a ciência já não esta encarando isto como verdade absoluta. O porquê vamos tentar esclarecer nas linhas seguintes.

Todo mundo sabe que a qualidade de proteínas é muito importante (proteínas completas contra proteínas incompletas), quanto mais alta a qualidade mais fácil do corpo usar essas proteínas. Hoje, praticamente todo mundo na área do fisiculturismo aceita a Lactoalbumina ou Whey Protein como sendo “a melhor das melhores”. Mas uma coisa que muitas pessoas ainda não sabem é que as proteínas hoje também estão sendo pesquisadas por suas propriedades, e existe uma segunda propriedade de grande valor tanto quanto seu jogo de aminoácidos. E essas propriedades têm um altíssimo efeito biológico – vamos chamar esse efeito PROPRIEDADES FUNCIONAIS DAS PROTEÍNAS – uma vez que essas propriedades realmente podem ter uma melhora significativa no seu desempenho se compreendido e aplicado corretamente. Aqui vamos dar um curso rápido das mais tradicionais proteínas encontradas hoje no mercado.

» LACTOALBUMINA OU WHEY PROTEIN

A origem das lactoalbumina de hoje tem uma história interessante, ela é uma proteína encontrada no leite, ou mais especificamente no soro de leite, (soro é aquele liquido que sai quando se coalha o leite para fazer queijo). Este líquido é constituído por grande parte de lactose (açúcar do leite). Até um tempo recente a maioria deste soro era simplesmente jogado fora, até que alguém resolveu olhar com mais atenção àquela proteína que antes se pensava não valer nada, e então foi descoberto que se tratava de uma excelente fonte proteica de valor mais alto do que a clara do ovo ou albumina. A partir daí se originou a pesquisa para ver como separar a proteína da lactose e colesterol a fim de melhorar seu aspecto nutricional. Agora vamos falar dos prós e contras da famosa Whey Protein.

Prós
A lactoalbumina isolada contém cerca de 10% de proteínas chamadas de IMUNOGLOBULINAS (uma classe de proteína que consiste em dois pares de polipeptídios). Este conteúdo, entre outras propriedades, ajuda na melhoria do sistema imunológico do corpo humano, e isto é uma das principais propriedades funcionais da lactoalbumina.

A lactoalbumina possui a concentração mais alta (23-25%) de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) que qualquer outra fonte de proteína. Este conteúdo de BCAA é especialmente interessante para atletas porque são os primeiros aminoácidos sacrificados durante o catabolismo muscular.

A lactoalbumina tem a capacidade de aumentar a produção endógena de glutationa. A glutationa é um antioxidante muito poderoso e tem um papel muito importante no sistema imunológico.

A lactoalbumina contém quadripeptídeos (pequena porção de uma proteína contendo quatro aminoácidos) que tem mostrado uma capacidade de diminuir a dor muscular que se segue a um treinamento de alta intensidade.
Devido a seu excelente perfil de aminoácido, solubilidade e digestibilidade, a lactoalbumina tem um valor biológico muito alto (BV). BV é basicamente uma medida de como uma proteína é utilizada pelo corpo.

Uma das propriedades funcionais mais interessantes da lactoalbumina para os atletas de fisiculturismo é sua habilidade para estimular produção de IGF-1 (insulina com fator de crescimento).

Contras
O preço da lactoalbumina, dependendo do processo pela qual foi retirada, pode chegar a custar até mesmo dez vezes o preço de uma proteína comum, e isto para alguns se torna um pouco proibitivo. E também, dependendo do processo de extração, ela pode perder grande parte de suas propriedades funcionais.
Contém um valor alto de sódio, lactose e gordura.

A lactoalbumina tem um perfil baixo no aminoácido Fenilalanina (um amino essencial), que poderia limitar o valor biológico funcionalmente falando em algumas medidas.

A lactoalbumina também é mais baixa em Arginina e Glutamina (aminoácidos condicionalmente essenciais) quando comparada com caseína e soja.

» Caseína
A caseína não tem uma história muito excitante como a lactoalbumina, mas sem dúvida vem sendo usada desde os primórdios da suplementação para atletas, e sem dúvida tem alta qualidade de aminoácidos e possui algumas propriedades funcionais inigualáveis.

Prós
A caseína pode ajudar a regular o tempo de trânsito de proteínas pelo intestino porque tende a formar um “gel”. Isto reduz a velocidade de passagem e pode ajudar na absorção de aminoácidos, peptídeos e proteínas inteiras pela parede intestinal devido a uma exposição estendida. Maior absorção de proteínas ajuda os atletas a suprir suas necessidades diárias de aminoácidos.

A caseína tem um conteúdo de glutamina muito alto em torno de 20,5%. Valor mais alto que whey, soja e ovo. Concentrações altas desse amino, especialmente na forma de peptídeos encontrados na caseína, podem ajudar muito o músculo durante o treinamento intenso e durante fase de dietas.

A caseína poderia ser classificada como a proteína mais excitante devido a sua relação de Tirosina para Triptofano de quase 5:1. A tirosina é o aminioácido precursor dos neurotransmissores de excitação no cérebro enquanto que o triptofano é de relaxamento; considerando isto a caseína pode estimular para as sessões de treinamento.

A caseína também possui um nível muito bom de aminos glucogênicos incluindo treonina, glutamina e arginina. Os aminos glucogênicos se doam para a produção de glicose e energia durante o exercício e demonstram um benéfico efeito anti-catabólico no músculo.

Contras
Os produtos de caseínas geralmente encontrados podem ser bastante incompatíveis em qualidade. É muito difícil saber qual o método usado para a separação da caseína da lactose. Alguns meios melhoram o produto enquanto outros pioram. O único jeito é você escolher uma boa marca e acreditar nela.
A caseína não tem um nível muito alto de BCAA’S como a lactoalbumina.

Fontes naturais de caseínas tendem a ter um alto percentual de sódio e lactose.

» Proteína de soja – O grande avanço das proteínas no momento.

Durante muito tempo, no campo da suplementação como proteína de soja, ela era somente usada por vegetarianos, isso porque todo mundo olhava com uma certa indiferença para a proteína texturizada de soja porque provinha de uma fonte vegetal e era incompleta, e até certo ponto eu concordo (ou concordava) com essa afirmação. Isto porque durante os últimos anos uma companhia em St. Louis, no Missouri, chamada Protein Technologies International (uma divisão da Ralston Purina), mudou drasticamente a forma de extração e qualidade das proteínas de soja. O nome desta proteína é PROTEÍNA ISOLADA DE SOJA (o nome comercial e registrado é SUPRO) e contêm mais de 90% de proteína.

Embora a Supro seja relativamente nova, seu fabricante não desperdiçou tempo e colocou seu produto para o teste em pesquisa clínica.

Primeiro eles submeteram o seu produto para testes comparativos contra o leite e a carne vermelha de vaca. No teste de qualidade chamado de “PDCAAS”, ou seja, Protein Digestibility Corrected Amino Acid Score, desenvolvido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), sendo hoje a maneira mais moderna de classificação de proteínas. O valor máximo estabelecido por esse padrão é 1.0; sendo assim toda proteína que alcançar este valor é considerado completo para humanos. A proteína isolada de soja junto com caseína e a proteína do ovo, marcou 1.0 perfeito, enquanto que na carne vermelha de vaca só marcou 0.92.

Nos estudos seguintes, eles fizeram a seguinte pesquisa para determinar os efeitos da proteína isolada de soja contra a carne de vaca, em retenção de nitrogênio em homens jovens e saudáveis. Os dois grupos foram alimentados com cerca de 0,8g de proteína por quilo de peso por dia, cada grupo com um tipo de proteína. Este estudo foi realizado em longo prazo e estas eram as únicas fontes protéicas fornecidas. O resultado encontrado foi semelhante nos dois grupos, não achando deterioração corporal em nenhum deles. E o grupo de cientistas então declarou “a qualidade nutricional da Proteína Isolada de Soja é alta, esta proteína vegetal pode servir como fonte exclusiva de aminoácidos essenciais e nitrogênio para a manutenção proteica em adultos”. Palavras bem fortes, não?

Assim sabemos que esta proteína tem uma qualidade alta e provê um sólido perfil de aminoácidos essenciais. Mas o que mais ela pode fazer? Quais suas características com relação as propriedades funcionais? Aí se encontra a maior e mais rara qualidade deste tipo incomparável de proteína como veremos a seguir:

Prós
A proteína isolada de soja ostenta o maior percentual de aminoácidos chamados de “Agrupamento Crítico” que são BCAA e os dois aminos Glutamina e Arginina. Estes 5 aminos compõe cerca de 36,2% do produto sendo que a glutamina sozinha conta cerca de 19,1% , esta forma de amino críticos pode ser particularmente útil aos atletas durante uma fase de dietas.

Uma grande quantidade de estudos mostrou que uma ingestão regular de proteínas isoladas de soja pode aumentar a produção endógena de Tiroxína (T4), Hormônio estimulante de tireóide (TSH) e Triodotironina (T3), e manter a insulina estável quando comparada com outros tipos de proteínas como caseína e proteínas do peixe. A Tiroxina é o principal regulador da taxa metabólica, ou seja, mais tiroxina mais rápido o metabolismo. Este suporte é bastante útil para atletas em fase de definição muscular quando se tenta perder o máximo possível de gordura corporal. Uma pesquisa mostrou que a proteína isolada de soja causou uma maior retenção de nitrogênio e maior perda de gordura corporal, durante uma fase de pouca ingestão calórica quando comparada com caseína.

A pesquisa animal mais interessante sugere que um dos isoflavones achados na proteína isolada de soja (Daidzen) pode ter um efeito específico na produção do hormônio sexual masculino. Animais machos nos laboratórios experimentaram uma maior excreção de testosterona e hormônio de crescimento como também maior crescimento de músculo.

Proteína de soja parece ter um efeito lipolítico no sangue e uma interessante habilidade em diminuir a viscosidade sangüínea, esta propriedade funcional pode ajudar na circulação de apoio e entrega de nutrientes durante o trabalho muscular.

E finalmente até mesmo a proteína isolada de soja de mais alta qualidade pode custar metade do preço das concorrentes.

Contras
Muitos produtos de soja no mercado contém somente proteína concentrada de soja este tipo não oferece o perfil nutricional de alta qualidade que a proteína isolada oferece. Um modo de estar seguro da qualidade da proteína é verificar no rótulo se o nome da proteína de soja é Supro, porque esta é a marca registrada que oferece todos os benefícios, pois existe uma grande diferença entre isolada e concentrada.

Proteína isolada de soja contém um perfil baixo de Metionina, um aminoácido essencial que pode baixar a bioavaliabilidade da proteína como um todo.

Produtos de soja crus contém substâncias conhecidas como “Fitoestrogênos”, que são tipos de substâncias químicas que possui uma ação biológica parecida com Estrogênio. Para algumas pessoas isso pode ser até benéfico, como mulheres na menopausa, por ajudar normalizar os sintomas da perda de hormônios. Mas para fisiculturistas não é desejado um número muito alto de Estrogênio, mas afortunadamente os fitoestrogênos na proteína isolada de soja são achados em quantidades ínfimas sem qualquer conseqüência.

» Albumina

Como foi dito anteriormente, esta proteína foi tida como a de mais alta qualidade por quase trinta anos. Mas todo esse reconhecimento deveu-se quase exclusivamente a seu perfil de aminoácidos muito fortes. Pois antigamente, as proteínas eram julgadas somente pelo critério aminoácidos. Havia pequeno conhecimento sobre Whey Protein e sobre Proteína Isolado de Soja, então assim a albumina reinou absoluta. Porém, hoje já pode ser considerada um pouco ultrapassada, não considerando a ruim, mas só que hoje temos fontes mais jovens e mais especializadas para os atletas.

Para sermos justos, a proteína de ovo ainda tem um lugar na dieta de todos e este lugar esta no microondas ou na frigideira de teflon quando você vai fazer uma comida na sua casa, almoço ou jantar, porque para comida sólida os ovos continuam sendo parte insubstituível de qualquer receita, desde de um bolo até um gostoso omelete. Mas com relação aos suplementos em pó para o preparo de refeições liquidas, esta proteína esta realmente um pouco fora de moda.

Prós
Provê um excelente perfil de aminoácidos.
Provê uma ótima fonte para comidas sólidas em casa.

Contras
A proteína de ovo não oferece realmente nenhuma propriedade funcional benéfica.
As albuminas de ovos hoje estão custando o mesmo que proteínas mais novas e mais eficazes.

 

Conclusão

Como vimos não existe uma proteína única e perfeita. Uma boa sugestão seria misturar estas proteínas para que uma possa completar a outra. Por exemplo: a caseína é rica em Fenila-lanina enquanto que a lactoalbumina e pobre neste amino; então se misturarmos uma com a outra elas se completariam.

Sabendo que uma só proteína não pode atender todas as suas necessidades, e que de agora em diante quem lhe falar que todas as proteínas vegetais são pobres, estará precisando rever seus conhecimentos. Com essas explicações, queremos começar a dar maior conhecimento aos atletas, para que eles venham, a saber, como obter a melhor performance dos seus suplementos e saber se sua marca preferida anda se atualizando na moderna ciência da suplementação de atletas.

 

 

Referência Bibliográficas:

1. Y. Akiba and L.S. Jesen, “Temporal Effect of Change in Diet Composition on Plasma Estradiol and Thyroxine Concetrations and Hepatic Lipogenesis in Laying Hens” J. Nutr. 113.10 (1983): 2178-2184.

2. J. W. Anderson, et al., “Meta-Analysis of the effects of Soy protein Intake on Serum Lippids”n. Engl. J. Med 333 (1995): 276-282.

3. C.A. Barth, et al., “Differnce of Plasma Amino Acids Following Casein Or Soy Protein Intake:Significance For Difference of Serum Lipid Concentrations, “J.Nutr.Sci.Vitaminol.36 suppl. II (1990):S111-S117.

4. C.A.Barth and M.Pfeuffer, “Dietary Protein and Atherogenesis,” Klin.Wochenschr.66.4(1988):135-143.

5. G.Bounous and P. Gold, “The Biological Activity of GLUTATHIONE,” Clin. Invest. Med.14.4 (1991):296-309.

6. G. Bounous and P.L. Kongshavn, “Differential Effect of Dietary Protein Type on The B-Cell and T-Cell Immune Responses in Mice,” J. Nutr.115.11(1985):1403-1408.

7. G. Bounous, et al., “The Immunoenhancing Property of Dietary Whey Protein Concentrate,” Clin. Inest. Med. 11.4(1988):271-278.

8. J.Cosnes, et al., “Improvement in Protein Absorption With a Small-Peptide- Based
Diet in Patients with High Jejunostomy,”Nutrition 8.6 (1992):406-411.

9. Feeney and Whitaker (eds), Protein Tailoring for food and Medical Uses (New York:M. Dekker, Inc., 1986) Chapter 5.
10. W.Forythe, et al., “Plasma Thyroxine and Cholesterol Changes Over Time as Affected by Source,” FAESB J.5.5 (1991): A947.

11. W. Forsythe, “Comparison of Dietary Casein or Soy Protein Effects on Plasma Lipids and hormone Concentrations in the Gerbil,” J. Nutr. 116.7 (1986): 1165-1171.

12. P.F.Fox, Developments in Diry Chemisty Proteins (London: Elsevier Applied s cince Pub., 1982-1989) 1-4.

13. P.A. Geraert, et al., ” Effects of Dietary Glucogenic Amino acid Supplementation on Growth Performance, Body Composition, and Plasma-Free Amino Acid Levels in Genetically Lean Fat Chickens,” Reprod. Nutr. Dev.27.6 (1987): 1041-1051.

14. G..K. Grimble, et al., “Effect of Peptide Chain Length on Amino Acid and Nitrogen Absorotion From Two Lactalbumin Hydrolysates in the Normal Human jejunum,” A Clin. Sci. 71.1 (1986): 65-69.

15. H. Guang Min, et al., Effects of “Supro” High Energy Beverage Powder on Physiological Function of Athetes, the Research Section of Health and Nutrition, National Sports Commission.

16. G.E. Mortimore and A.R. Poso, “Mechanismand Control of Deprivation-Induced Protein Degradation in liver Role of Glucogenic Amino Acids,” Glutamine Metabolism in Mammalian Tissues, eds. D. Haeussinger and H. Sies ( Berlin:Springer,1984)138-157.

17. V. Stroescul, et al., Metabolic and Hormonal Responses in Elite Female Gymnasts Undergoig Gymnasts Undergoing Strenous Training And Supplementation With Supro Brand Isolated Soy Protein ( Brussels, Belgium: Second International Symposium on the Role of Soy in Preventing and Treating Chronic Disease, 1996) 38.

18. J. Wang and Z.K. Han, Effects of Daidzein on Muscle Growth and Some Endogenous Hormone Levels in Rats ( Brussels, Belgium: Second International Symposium on The Role of Soy in Preventing and Trenring Chonic Disease, 1996) 45.

19. T. Yamamoto,et al., Soy Protein and Its Hydrolysate Reduce Bodyfat of Dietary Obese Rats ( Brussels, Belgium: Second International Symposium on The Role of Soy in Preventing and Treating Chronic Disease, 1996) 55-56.

20. R. Young, et al., ” A Long-Term Metabolic Balance Study in Young Men to Assess The Nutrional Quality of an Isolated Soy Protein and Beef Proteins,” AMER. J. Clin.Nutr.39 (1984): 8-15.

21. G.A.R. Zaloga, et al., “Effect of Enteral Diets on Whole Body and Gut Growth in Unstressed Rats,” JPEN 15.1 (1991).

22. Muscle Media, nº63, pag 56,65- November 1997.

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Carta do médico e ambientalista Márcio Bontempo aos ecologistas

Carta do médico e ambientalista
Márcio Bontempo aos ecologistas:

Prezado companheiro(a) ecologista,

Coerência é uma coisa exigida para autenticar o que fazemos, fazer com que
nos respeitem e com que respeitemos a nós mesmos. Um verdadeiro ecologista
não apenas milita pela natureza, mas procura viver e ser um exemplo de ação
em todos os sentidos. Além de crítico, defensor e patrulheiro, é preciso ser
também um autocrítico e conhecer todas as possibilidades de proteger a
natureza. Temos visto ecologistas que lutam pela defesa do meio ambiente,
mas não dão bom exemplo em termos de comportamento e hábitos. E não é por
atirarem lixo pela janela, comprarem detergente não biodegradável, usarem
demais o automóvel e menos a bicicleta, fumarem, ou outros maus exemplo de
atitudes antiecológicas. Estamos falando de hábitos que produzem efeitos
piores e que são comuns a muitos companheiros. Estamos falando da dieta
antiecológica. Sabia disso ? Sabia que é possível ajudar a natureza,
simplesmente selecionando melhor os alimentos e escolhendo-os com
consciência ? Por exemplo: não comendo carne! Quer saber como? Aqui vão
alguns dados importantes…

(por favor, resista aos impulsos obscuros que tendem a evitar o contato com
verdades e fatos que podem perturbar a rotina dos hábitos e vícios
alimentares enraizados e atávicos, mais baseados nos desejos gulosos, e
leia!)

A produção de gado, sem contarmos com o caso dos frangos e porcos, é uma
ameaça primária ao meio-ambiente global. É um dos principais contribuintes
para o desmatamento, a erosão do solo e conseqüente desertificação, a
escassez de água, a poluição dos rios, lençóis freáticos, mares e mananciais
de águas, o esgotamento dos combustíveis fósseis, efeito estufa, extinção de
animais e perda da biodiversidade.

Quase a metade da massa de terra do globo é usada como pasto para gado e
outras criações. Cerca de 80% de todo o desmatamento e desaparecimento de
florestas, no planeta inteiro, deve-se à pecuária. Em pastos muito férteis,
2,5 acres podem sustentar uma vaca por ano, em pastos de qualidade marginal,
é preciso 50 ou mais acres.
Se não reduzirmos em pelo menos 20% o consumo de carne bovina no Brasil, até
2020 não teremos mais mata atlântica.
Fazendas de gado são uma causa primária do desmatamento na América Latina.
Desde 1960, mais de 1/4 de todas florestas da América Central foram
arrasadas para criar pastos para o gado. Quase 70% da terra desmatada no
Panamá e Costa Rica agora é pasto.

Apenas um só hambúrguer médio requer o desmatamento de aproximadamente 6
metros de floresta tropical e a destruição de 165 libras de matéria viva
incluindo 20 a 30 diferentes espécies vegetais, 100 espécies de insetos, e
dúzias de espécies de aves, mamíferos, e répteis.

Erosão do Solo e Desertificação

O gado degrada a terra ao tirar a vegetação e compactar a terra. Cada animal
que pasta num campo aberto come 900 libras de vegetação a cada mês. Seus
poderosos cascos pisoteiam a vegetação e comprimem o solo com um impacto de
24 libras por polegada quadrada.

Escassez de água

Produzir uma libra de proteína de carne muitas vezes requer até 16 vezes
mais água que produzir uma quantidade equivalente de proteína vegetal. Só
para produzir uma porção de proteína de ave, são necessárias 100 vezes mais
água do que seria exigido para a mesma porção de proteína vegetal de soja.

Esgotamento dos combustíveis fósseis

Atualmente é necessário um galão de gasolina para produzir uma libra de
carne alimentada com grãos nos EUA. O consumo anual de carne de uma
família americana comum com quatro pessoas, requer mais de 260 galões de
combustível e libera 2.5 toneladas de CO2 para a atmosfera, o mesmo tanto que um carro comum libera num período de 6 meses.

Efeito estufa

O gado emite metano, outro gás do efeito estufa, via arrotos e flatulência.
Cientistas estimam que mais de 500 milhões de toneladas de metano são
liberadas a cada ano e que os 1,3 bilhões de gado e outras criações
ruminantes do mundo, emitem aproximadamente 60 milhões de toneladas ou 12%
do total de todas as fontes. Metano é um sério problema porque uma molécula de metano retém 25 vezes mais calor solar que uma molécula de CO2.

O consumo de carne e a fome no mundo

Uma alimentação vegetariana, além de favorecer a saúde, de contribuir para a
preservação ambiental, é uma opção que tem por base a consciência quanto a
aspectos sócio-econômicos. Optar por uma dieta vegetariana, contribui, de
alguma forma, para reduzir a situação intolerável da fome no mundo. Vejamos
como:

Segundo a FAO (Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura) a produção de carne causa fome e pobreza humana, ao desviar grãos e terras férteis para sustentar gado em vez de pessoas. Nos países em desenvolvimento, a produção de carne perpetua e intensifica a pobreza e injustiça, particularmente se a ração do gado ou aves é produzida para exportação. Se conservássemos a produção de cereais e a distribuíssemos aos pobres e subnutridos, em vez de dá-la ao gado, poderíamos facilmente alimentar quase toda a população subnutrida do mundo.

Muitos ambientalistas não têm a informação de que o consumo de carne é
danoso para o meio ambiente. Mas o que preocupa é que muitos, ao receberem
essa informação, continuam a comer carne.

Com base nessas informações, uma das coisas mais incoerentes e absurdas é um
ato ecológico, evento ou encontro ambiental, “coroado” com um “bom
churrasco”. O “churrasco ecológico….”

Tenho visto companheiros que tomam conhecimento destas coisas e continuam a
comer carne. Essa atitude é a expressão de uma fraqueza. Mas tenho visto
companheiros valorosos que percebem ser o simples ato de não comer carne
vermelha, um grande passo que acaba por gratificar-nos interiormente de um
modo inexplicável, pois a nossa auto estima, nosso auto-respeito nos
fortalecem nessa decisão. Sabe aquela sensação de vitória, de poder interno?
E o contrário disso, quando você acaba comendo carne e depois a consciência
pesa…E fica pesada, por muito tempo…Quer dizer, o prazer que o churrasco
ou a picanha lhe proporcionaram, não valeu, foi momentâneo, rápido e curto
para poder compensar esse peso que lhe acompanha agora.

Mas vc tem uma alternativa se quiser — ao menos reduzir ou anestesiar um
pouco — esse tormento: vc pode fazer como a maioria dos “ecologistas”, que é
enganar a si próprio e negar os apelos da consciência (que, no entanto, vai
estar sempre lha chamando de idiota…); para tentar abafar um pouco a
pressão, vc pode fazer piadinhas sem graça sobre a comida vegetariana, pode
“gozar” algum companheiro “veggie” oferecendo um sanduíche de grama…Num
grupo, pode exibir aquele sorriso besta afirmando — sempre sem graça por
dentro – que “nada como uma boa carninha…”. Mas, no fundo, sabe que o
preço que vc paga por essa atitude trivial é a perda do próprio respeito.
Sabe, uma vez que vc recebe uma informação importante e verdadeira, vc
adquire responsabilidade quanto ao que fará quanto a isso a seguir…

E, por favor, não se valha desse argumento desgastado, batido e já sem graça de que vc precisa de proteínas…Hoje sabemos que a dieta vegetariana é muito mais saudável e completa, inclusive prevenindo as doenças que a carne transmite. Inclusive, vc mesmo sabe que existem cardápios e pratos deliciosíssimos que não precisam levar carne. Tenha dó! Mas já pensou no exemplo vivo e consciente que vc vai ser se parar de comer carne?

Da próxima vez, quando vc for comer um pedaço de carne, uma picanha ou um
hambúrguer, tenho a certeza de que vc vai lembrar de mim. Vai lembrar que
está ajudando a destruir um pouco daquilo que vc defende, a natureza. E vai
sentir que está sendo incompleto, fraco e incoerente. Vai se sentir mal com
consigo mesmo e com a sua fraqueza, que é de passar por cima de um apelo
mais profundo da consciência – pois vc sabe que está errado – simplesmente
por ceder a um mero e fugaz desejo de prazer. Pior quando a gente usa
pretextos infundados e infantis para comer um pedaço de animal. E, por
favor, não me venha dizendo que isto é conversa de vegetariano, “natureba”,
etc. Amigo! Amiga! … é mais um pretexto, mais um truque do seu lado ainda
fraco. E pior, vc sabe disso, e sabe que eu tenho razão…E olha que eu
estou lhe dando um voto de confiança, considerando que vc não vai nem pensar
em usar o argumento irracional de que “de que adianta eu não comer carne se
tanta gente come..” ou, mais insano e alienado ainda: “mesmo se eu parar,
nada vai mudar”. Olha lá, heim! Há muito tempo sabemos que o global é um
reflexo de soma das atitudes e ações de cada pessoa. Não fosse assim não
adiantaria praticar atos ecológicos, pois os outros estariam poluindo….
Cuidado. Essa é a nossa primeira lei. Atento!

Um ecologista autêntico é completo mesmo. É TOTAL. Tem dignidade para
respeitar a si mesmo e a sua consciência. Tem força para superar seus desejos e fraquezas. De que outro modo vc pode exigir coerência dos outros, dos destruidores da natureza, dos poluidores? Não é apelando para a consciência deles que vc atua para proteger a natureza? Não é assim? Vc pede que tenham consciência de que estão destruindo o futuro, agredindo a natureza, etc. Só assim vc pode e tem atuado. Você e os grupos ambientalistas do mundo inteiro. Não há outro modo. Pois então, eu também estou pedindo isso à vc: que tenha consciência de que comer carne é simplesmente, e nada mais do que isso, a atitude pessoal mais antiecológica possível. Pense nisso, companheiro. Pense nisso.

Em abraço ecológico,

Marcio Bontempo — mb@portalbontempo.com.br

Para maiores informações e para ter segurança plena de que uma dieta sem
carne é mais saudável e ecologicamente correta, adquira nas boas livrarias a
obra ALIMENTAÇÃO PARA UM NOVO MUNDO, de Marcio Bontempo, editada pela
Record.

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Vegetarianismo ético minimalista

Texto originalmente publicado em http://www.criticanarede.com.

Vegetarianismo ético minimalista

Desidério Murcho

O objectivo deste ensaio é apresentar um argumento a que chamo “minimalista” a favor de uma dieta vegetariana. Procuro mostrar que uma dieta vegetariana é uma opção eticamente mais correcta do que uma dieta não vegetariana mesmo que aceitemos as ideias dos filósofos que se opõem quer aos direitos dos animais, quer à sua importância moral intrínseca. O argumento apresentado é minimalista no sentido em que sustenta que não são necessárias razões muito fortes para que o vegetarianismo seja a dieta eticamente mais correcta. Na verdade — e caricaturalmente — tudo o que precisamos para defender o vegetarianismo é um bom livro de receitas vegetarianas, ou um bom restaurante vegetariano.

Pelo facto de a filosofia analítica ser pouquíssimo estudada em Portugal, poucas pessoas conhecem as disciplinas filosóficas com impacto na vida pública e o caso da ética aplicada é apenas mais um exemplo. Muitas pessoas não sabem por isso que mesmo os filósofos que se opõem à ideia de que os animais têm direitos, ou que sejam de qualquer outro modo objecto de consideração moral, defendem a ideia de que o modo como tratamos os animais é eticamente importante. Não há virtualmente especialistas em ética aplicada que defendam que todas e quaisquer experiências laboratoriais com animais são defensáveis, nem que o modo como são tratados pela indústria alimentar é aceitável. Sublinho este aspecto porque na filosofia — como aliás na ciência — só nos interessam os problemas em aberto e consequentemente o que ainda está em disputa. E o leitor incauto de ética aplicada pode ser levado a pensar que há um grande desacordo entre os filósofos sobre o modo como devemos tratar os animais. Que há desacordo é verdade; mas esse desacordo é muito mais de carácter académico e de pormenor do que prático e geral — na prática, a generalidade dos especialistas em ética aplicada defende que é um mal moral tratar os animais como actualmente são tratados pela indústria alimentar e pelos laboratórios que testam produtos tóxicos em animais. Um dos objectivos do meu argumento minimalista a favor do vegetarianismo é o de ser aceitável mesmo para os filósofos que defendem que os animais não têm direitos ou que defendem que os interesses dos animais não têm peso moral.

Os defensores dos animais dividem-se em dois grupos: os que defendem que os animais têm literalmente direitos, e os que defendem que não têm direitos, mas que é eticamente errado fazer os animais sofrer sem qualquer razão adequada. Os que defendem que os animais não têm direitos defendem-no por pensar que a linguagem dos direitos é enganadora e confusa; defendem que os animais não têm direitos porque, literalmente falando, ninguém tem direitos — nem os seres humanos. O que os seres têm é interesses, a satisfação dos quais deve ser garantida na máxima extensão possível.

Os filósofos que se opõem aos defensores dos animais fazem-no em geral do ponto de vista dos direitos. E o axioma básico dos que se opõem aos direitos dos animais é a ideia de que só quem tem deveres pode ter direitos. É difícil encontrar uma ideia mais lapidar que encerre o que no meu entender é um tão grande erro conceptual, e que nos conduz a labirintos argumentativos para demonstrar que um bebé, um deficiente mental profundo ou um doente terminal em coma têm ainda direitos — apesar de não terem obviamente deveres. Todavia, irei admitir a título de hipótese que estes filósofos têm razão — que os animais não têm direitos, ao passo que todos os membros da nossa espécie têm direitos.

O que temos agora de pensar é se, sob esta hipótese, estamos dispostos a torturar animais, ou a fazê-los sofrer. Filósofos como Michael Allen Fox e David Oderberg consideram que, apesar de os animais não terem direitos, não podemos dispor deles como se fossem meros objectos. A ideia é que apesar de moralmente nada devermos aos animais, não devemos no entanto ser desnecessariamente cruéis e muitas das práticas actuais da indústria alimentar, da investigação científica e do entretenimento são cruéis e como tal de abolir. Do ponto de vista do público, pouca diferença faz que estes filósofos se oponham à ideia de que os animais têm direitos, ou à ideia de que é um mal moral fazê-los sofrer, porque na realidade acabam por defender que não devemos ser cruéis para com os animais.

Ora, o que é interessante é saber se, nestas condições, temos alguma razão ética para ser vegetarianos. E a resposta que quero defender é que temos. Hoje temos acesso a um vasto leque de produtos vegetarianos que nos permitem ter uma dieta pelo menos tão saudável, variada e saborosa como uma dieta que inclua carne e peixe. De modo que o fardo da prova está muito mais do lado de quem quer continuar a comer peixe e carne. Que argumentos podemos apresentar a favor de uma dieta que inclua carne e peixe?

Razões para comer animais

Um primeiro argumento é o de que basta os animais não terem direitos ou os seus interesses não terem peso moral para que estejamos moralmente autorizados a comê-los. Mas este argumento está errado, e mesmo os filósofos que se opõem à ideia de que os animais têm direitos ou interesses com peso moral acham que este argumento está errado. O argumento está errado porque as nossas acções não são apenas moralmente boas ou más pelo mal ou bem que fazemos aos outros, mas também pelo que essas acções nos fazem a nós. Uma pessoa cujo modo de vida inclua torturar animais por prazer tem um perfil moral pior do que uma pessoa que conduza uma vida tanto quanto possível sem crueldade. A crueldade é, em si, eticamente inaceitável, ainda que o objecto da nossa crueldade não tenha direitos nem interesses com peso moral. Para os consequencialistas, a crueldade é um mal moral em virtude das consequências que é legítimo prever; para os não consequencialistas, é um mal porque a intenção de quem tortura por prazer é em si moralmente inaceitável, ainda que as suas consequências morais sejam nulas. Se multiplicarmos a crueldade, tornando-a uma indústria, como é o caso da indústria alimentar, teremos uma situação eticamente indefensável tanto para consequencialistas como para não consequencialistas.

Em resposta a este argumento, o defensor da dieta que inclua carne e peixe pode sublinhar que apesar de o modo como a indústria trata os animais ser inaceitável, em princípio poderíamos ter uma indústria mais humana, que minimizasse o sofrimento provocado aos animais; e, nesse caso, comer carne e peixe seria eticamente aceitável. Este é um dos argumentos mais usados, contra o qual se levanta o argumento minimalista a favor do vegetarianismo. Mesmo alguns defensores do igual peso moral dos interesses dos animais defendem que seria eticamente correcto comer carne e peixe desde que tal prática não provocasse sofrimento nos animais. Para apresentar o que me parece estar errado nesta posição vou recorrer a uma experiência mental.

Imagine-se que todos os meses vou passar um fim-de-semana ao campo e que ao passar por um dado caminho atropelo sempre uma raposa; por um motivo qualquer, há sempre raposas naquele caminho particular e eu conduzo sempre de maneira a não evitar atropelar as raposas. Todavia, bastar-me-ia desviar ligeiramente a trajectória do carro para não matar a raposa. Parece-me que este curso de acção é eticamente inaceitável, ainda que as raposas não tenham quaisquer direitos nem os seus interesses tenham peso moral. Se nada me custava desviar ligeiramente a minha trajectória, a minha insistência em matar todos os meses uma raposa é eticamente inaceitável.

Sustento que esta situação é análoga ao que temos hoje relativamente aos animais. Nada custa alterar muito ligeiramente o nosso estilo de vida, deixando de comer carne, peixe e produtos lácteos. Persistir em fazê-lo, ainda que os animais não tenham direitos nem interesses com peso moral, é moralmente equivalente ao atropelamento das raposas. Ora, argumentar que podemos comer carne e peixe desde que encontremos formas de eliminar o sofrimento dos animais é equivalente a dizer que é moralmente aceitável que eu atropele as raposas, desde que tome medidas para que elas morram sem sofrer. Contudo, é absurdo pensar que alguém se possa dar ao trabalho de tentar garantir que as raposas morram sem sofrimento com o atropelamento, quando é muitíssimo mais simples desviar a trajectória. O ponto importante é precisamente a facilidade com que podemos mudar de dieta, de uma semana para a outra, sem com isso perdermos a variedade, o requinte e o valor alimentar da nossa dieta. Nada custa ter um estilo de vida que exclui a crueldade para com os animais. Na verdade, é um pouco desesperante que seja tão difícil persuadir alguém a tornar-se vegetariano por motivos éticos, ao passo que é muito fácil persuadir as pessoas a tornarem-se vegetarianas por motivos exclusivamente dietéticos.

O ponto importante da minha experiência mental é que não faz sentido, moralmente falando, conceber e pôr em prática formas cada vez mais sofisticadas de criar e matar sem fazer sofrer os animais que queremos comer. Não faz sentido dado que fazer isso é muitíssimo mais trabalhoso do que o abandono puro e simples da alimentação que inclua carne, peixe e lacticínios. O aspecto que quero sublinhar torna-se talvez mais claro se pensarmos em animais com os quais mantemos uma relação especial, como os cães e gatos. Admitindo que os cães e gatos não têm quaisquer direitos nem interesses com peso moral, criar cães e gatos em boas condições para depois os matar sem sofrimento para os comer não é, todavia, eticamente aceitável; é cruel e desumano, mesmo que não façamos tais animais sofrer.

Um contra-argumento a esta ideia é o seguinte: só porque na nossa cultura temos uma relação de grande proximidade com cães e gatos é que poderemos achar eticamente inaceitável matá-los para comer. Noutras culturas é comum criar cães, por exemplo, para comer.

A resposta a este contra-argumento é a seguinte: o facto de estarmos mais próximos de cães e gatos mostra precisamente que se dermos atenção aos animais que nos dispomos a matar para comer, ao invés de pensarmos neles apenas como um produto que se compra no supermercado, as nossas intuições éticas vão no sentido de não matar nem comer esses animais. A cultura é um filtro poderoso, que nos pode cegar para o que é fácil compreender ser inaceitável, se o considerarmos imparcialmente. A escravatura é um caso extremo; o facto de estar culturalmente instituída fez pessoas que de outro modo eram eticamente justas ficar cegas para a injustiça do esclavagismo. O mesmo acontece no caso da desigualdade das mulheres, e dos seus direitos mais básicos, como o direito a votar. Assim, a cultura actual não nos cega em relação a cães e gatos, quando nos faz pensar ser eticamente inaceitável comê-los, ainda que eles não tenham direitos; ao invés, cega-nos, ao fazer-nos pensar que comer outros tipos de animais é eticamente aceitável.

O argumento da lei da selva

Um segundo tipo de argumento a favor de incluir animais na nossa alimentação é o seguinte: se nós não consumirmos os animais que consumimos, como vacas, porcos, peixe, galináceos e outros animais, serão os seus predadores naturais a comê-los. Assim, esses animais serão igualmente mortos, por vezes com bastante sofrimento, com a única diferença de que não serão mortos e criados por nós com vista a alimentar a nossa dieta. Dado que esses animais serão em qualquer caso mortos e comidos, não pode ser eticamente inaceitável que sejamos nós a matá-los e comê-los.

A resposta a este argumento é a seguinte: se deixarmos a natureza correr o seu curso, os seres humanos farão muitas vezes parte da ementa dos seus predadores naturais; mas daí não se segue que seja eticamente aceitável matar e comer seres humanos. Claro que se pode argumentar que isso acontece unicamente porque os seres humanos têm direitos ou interesses com peso moral, ao passo que os animais não os têm (relembre-se que esta é a nossa hipótese de partida). Contudo, apesar de sabermos que os cães e os gatos têm predadores naturais, não estamos por isso dispostos a matá-los para os comer. Não é por isso verdade que basta que os animais não tenham direitos ou interesses com peso moral e que tenham predadores naturais para que seja eticamente aceitável matá-los para os comer. O mundo da natureza é brutal e selvagem; faz parte da civilização e da reflexão ética adoptar práticas diferentes das do mundo da natureza, onde reina a lei do mais forte. Procurar orientação moral no mundo da natureza é algo que tanto os filósofos consequencialistas como os não consequencialistas não fazem. Na natureza, os animais fazem todo o tipo de coisas que não estamos dispostos a imitar, e não há razão para os imitar neste caso em particular só porque queremos comer um bife grelhado, que podemos facilmente substituir por uma boa feijoada vegetariana. Assim, também este argumento é insuficiente para justificar eticamente a nossa dieta baseada em carne e peixe.

O argumento da exequibilidade

Um terceiro tipo de argumento a favor da inclusão de animais na nossa dieta é o seguinte: em muitas culturas, como a esquimó, é pura e simplesmente impossível sobreviver sem comer e matar animais para todo o tipo de fins. Logo, o vegetarianismo falha em obedecer a um axioma fundamental da ética: o impossível não pode ser um dever moral.

A resposta a este argumento é a seguinte: colocados em certas situações, alguns seres humanos já se viram na necessidade de comer os seus mortos, ou de matar os seus companheiros para comer. Daqui não se segue que tais práticas se possam aceitar em geral; são talvez aceitáveis em certas situações, mas precisamente porque são em qualquer caso horríveis, procuramos orientar a nossa vida de modo a que não ocorram. Ora, o mesmo podemos dizer de culturas que dependem fortemente da crueldade. Grande parte da história da humanidade baseou-se na exploração cruel de escravos para conseguir feitos que hoje consideramos admiráveis, como as pirâmides do Egipto. Mas daqui não se segue que devemos preservar este tipo de culturas cruéis; pelo contrário, devemos reformar essas culturas de modo a que as suas práticas cruéis desapareçam, dando lugar a uma cultura mais humanitária. Por outro lado, o vegetarianismo é praticado em muitas culturas humanas. Uma das vantagens do estado de conhecimento geral das culturas humanas a que chegámos é o de podermos escolher as melhores práticas de entre elas. É verdade que em muitas situações um ser humano não pode subsistir sem comer carne ou peixe, por não ter à sua disposição produtos adequados para uma dieta vegetariana equilibrada. Mas numa sociedade da abundância como é o caso da ocidental, que é precisamente onde se come mais carne e peixe, é tão fácil ser vegetariano como não o ser: em ambos os casos, basta ir ao supermercado.

Argumentos remotos

Chamo “remotos” a um quarto tipo de argumentos a favor do consumo de animais; são remotos no sentido em que exploram possibilidades remotas. Eis alguns desses argumentos: ainda que nos abstivéssemos de matar animais para comer, poderíamos criar um sistema que nos permitisse comer os animais mortos pelos seus predadores naturais. Ou poderíamos distinguir entre os animais que provavelmente não têm a possibilidade de sentir dor ou sofrimento, que aceitaríamos matar e comer, e os outros. Assim, não mataríamos vacas, porcos, aves ou peixe, mas mataríamos moluscos para comer, por exemplo.

A resposta a este tipo de argumentos é sublinhar o facto de o consumo de animais ser perfeitamente supérfluo; os seres humanos não precisam de consumir animais para ter uma dieta variada, saudável e rica. Explorar algumas possibilidades remotas é pura e simplesmente inútil. Talvez os caracóis, por exemplo, não tenham um sistema nervoso suficientemente desenvolvido para sentir dor e sofrimento quando são cozidos vivos. Mas não há qualquer razão para os continuarmos a comer quando podemos comer muitos outros petiscos inteiramente vegetarianos. É neste sentido que afirmei que, num certo sentido, o melhor argumento a favor do vegetarianismo é um bom livro de receitas vegetariano, ou um bom restaurante vegetariano. Quando descobrimos a enorme variedade de pratos vegetarianos não sentimos pura e simplesmente qualquer necessidade de complementar a nossa dieta com produtos de origem animal. Só uma cultura excessivamente baseada em produtos de origem animal nos pode fazer pensar o contrário — como talvez nas culturas em que é normal comer cães seja difícil de conceber uma dieta que não os inclua.

Outro tipo de argumento remoto é defender que se não consumíssemos animais, existiriam muitíssimo menos galinhas, porcos e vacas do que existem. Uma vez mais, este argumento é insuficiente contra o vegetarianismo; sem dúvida que existiriam menos animais domésticos, mas existiria mais vida selvagem, cuja observação é cada vez mais uma fonte de grande prazer para grande parte dos seres humanos.

Conclusão

Em conclusão, não me parece que haja quaisquer razões a favor do consumo de animais, mesmo sob a hipótese de os animais não terem quaisquer direitos nem interesses com peso moral. Há dois factores que conduzem a esta conclusão: por um lado, é muito fácil ter uma dieta vegetariana rica, variada e saudável; por outro, matar animais para comer é um acto cruel. A conjunção destes dois factores torna muito difícil defender a ética do consumo de animais. Claro que não será impossível de defender; com um pouco de criatividade podemos encontrar argumentos para tudo, que, ainda que muito maus, podem parecer convincentes — basta pensar nos argumentos nazis a favor do Holocausto. É por isso que concluo com um argumento cautelar: ainda que se levantem alguns argumentos a favor do consumo de animais, o facto de uma dieta vegetariana ser tão fácil, variada, rica e saudável deve levar-nos a recusar o consumo de animais como uma medida de cautela moral. Mais vale errar porque podemos consumir alguns animais de que nos abstemos, do que errar porque consumimos alguns animais de que nos devíamos eticamente abster.

© Desidério Murcho
Comunicação apresentada no colóquio “A Ética e a Defesa dos Animais não Humanos” (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 21 e 22 de Maio de 2002)

Referências
Fox, Michael Allen (2002) “The Moral Community” in Ethics in Practice: An anthology, ed. by Hugh LaFollette, Blackwell, Oxford.
Oderberg, David (2000) “Animals” in his Applied Ethics: A non-consequentialist approach, Blackwell, Oxford.
Todos os direitos reservados. Só é permitido reproduzir este texto caso se cite a sua origem (“Texto originalmente publicado em http://www.criticanarede.com”) e caso seja reproduzido em publicações não-comerciais.

 

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Carne e Produção de Massa



O que o consumo da carne tem a ver com as linhas de montagem de produção em
massa ?

Linhas de montagem é uma idéia que Henry Ford teve. As linhas de montagem
permitiram a produção em massa de automóveis. Essas linhas de montagem logo
foram copiadas para outras indústrias, tanto de bens como de serviços. A
difusão desse conceito, por sua vez, permitiu a existência da sociedade de
consumo em massa como a conhecemos hoje.

O que pouco se comenta é o fato de Henry Ford teve a idéia da linha de
montagem ao visitar uma espécie de linha de "desmontagem". Explicando
melhor:  segundo consta em sua autobiografia "My Life and Work" (1922),
Henry Ford teve essa idéia ao visitar um matadouro em Chicago.

As linhas de desmontagem dos matadouros e frigoríficos foram inventadas por
Gustavus Swift e Philip Armour, de acordo com um livro da Universidade de
Illinois, "Work and Community in the Jungle:  Chicago's Packinghouse Workers
1894-1922". Esses dois sim, foram os verdadeiros pioneiros da produção em
massa.

Nesses frigoríficos, os animais eram suspensos de cabeça para baixo por uma
corrente que corria presa à uma calha, passando de um funcionário para o
outro. Cada um executando uma tarefa específica no desmembramento da carcaça
(atordoamento, corte da cabeça, sangramento, escaldamento, retirada do
couro, corte dos membros, remoção das vísceras, lavagem, serragem, etc).

Aos olhos de Ford, esse procedimento era tão eficiente que ele reverteu o
processo de desmontagem no sentido de que em vez de fragmentar um animal,
ele criaria um produto com a linha de produção:  uma carcaça de automóvel
passaria de funcionário a funcionário, sendo uma ou mais peças integradas em
cada etapa, até atingir o produto final.

O que talvez ele não tivesse idéia ou não deu muita importância, é que, ao
mesmo tempo, nesse processo ele estaria desmontando o ser humano também.

Uma das coisas básicas que deve acontecer em um frigorífico (linha de
desmontagem) é que o animal deve ser tratado como um objeto inerte e
inconsciente, cujo valor ético e cujas necessidades são ignoradas. Da mesma
forma, o empregado da linha de montagem é tratado como um objeto
inconsciente, cujas necessidades emocionais e criativas são ignoradas.

A introdução da linha de montagem teve um efeito rápido e perturbador nas
pessoas. A padronização do trabalho e a separação do produto final se tornou
fundamental na experiência dos empregados. O resultado foi um aumento na
alienação dos trabalhadores em relação ao produto que eles construíam. Essa
espécie de automação isolou as pessoas do senso de realização através da
fragmentação de suas tarefas.

Para as pessoas que trabalham em frigoríficos, essa aniquilação do ser é
dupla:  não apenas elas têm que se conformar em executar a mesma operação
tediosamente horas e horas, como também terão que enxergar o animal como
"carne", coisa que a sociedade já faz, mas com a diferença que esses
funcionários estão lá vendo o animal vivo e por inteiro, pelo menos nos
estágios iniciais do processo.

Esses funcionários têm toda a probabilidade de se alienarem de seus próprios
corpos, à medida que precisam isolar a imagem da carne da imagem do corpo do
animal vivo. Corpo esse que é parecido com o corpo humano em muitos
aspectos. Isso pode ser um dos motivos pelos quais a rotatividade de emprego
é grande entre os trabalhadores de frigoríficos.

Henry Ford desmembrou o significado do trabalho, introduzindo produtividade
mas tirando a sensação dos empregados de estarem sendo produtivos. Esses
empregados, em vez de estarem sendo considerados como seres humanos
integrais, são considerados por tarefa, função e especialidade.

E tudo o que se deseja dos funcionários em uma empresa é o lucro que se
possa obter deles, assim como tudo que se deseja de um animal no matadouro é
o lucro que se possa obter de sua carne. O que os funcionários pensam,
sentem ou sofrem não é levado em conta, da mesma forma que o que os animais
sentem e sofrem também não é considerado.

E a metáfora acaba ficando evidente quando as pessoas usam certas expressões
para comunicar o cotidiano das relações entre empresa e empregados. O "corte
de cabeças" é usado para designar a eliminação de postos de trabalho. A
expressão "tirar o meu couro" é usada para explicar o trabalho desgastante.
Outros preferem dizer "tirar o meu sangue". Muitas pessoas reclamam:  "o
chefe está no meu pescoço". Recrutadores são chamados de "headhunters". As
baias ou cubículos dos escritórios imitam as cocheiras das fazendas-fábricas
de criação intensiva, onde os seres são privados de contato entre si e com o
mundo exterior. Até mesmo um jornal do sindicato dos bancários se chama
"O Massacre".

Upton Sinclair já havia percebido esses paralelos no início do século ao
escrever "The Jungle" (A Selva), usando o matadouro para descrever o destino
dos trabalhadores. Bertold Brecht também empregou a imagem do abate dos
animais para caracterizar a desumanidade nas grandes empresas em sua peça
"Saint Joan of the Stockyards" (Santa Joana dos Currais).

Assim, o ciclo se fecha e o matadouro se torna um símbolo da de-humanização
dos trabalhadores. E essa de-humanização, por sua vez, é consequência de um
sistema derivado de matadouros.

E no fundo disso tudo, está o vício pelo qual um ser humano encara todas as
coisas - natureza, seres sensíveis como os animais e seres criativos e
inteligentes como os humanos - como meros objetos para o seu abuso
egocêntrico.

[Baseado em "The Sexual Politics of Meat" de Carol J. Adams]

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A farsa da Margarina

FONTE: http://www.vegetarianismo.com.br/artigos-revistas/farsa-da-margarina.html

A farsa da margarina, ácidos graxos e sua saúde

 

[Nota da Beatriz: no final do texto o autor dá uns conselhos que eu preferia não seguir, como usar óleo de canola (que é transgênico e parcialmente hidrogenado) e vitaminas em cápsulas (muitas vezes sintéticas e cujo metabolismo não é o mesmo das vitaminas encontradas naturalmente nos alimentos). Ele também não é vegetariano, não se assustem com a referência ao consumo de peixes.]

OS RÓTULOS MENTIROSOS DOS “ALIMENTOS SAUDÁVEIS”

Você já gastou aquele dinheirinho extra para comprar um alimento natural de alta qualidade, ou uma vitamina, só para descobrir mais tarde que não era nada do que anunciava? Já aconteceu em nossa família mais de uma vez. Nossa experiência mais recente foi com uma linha de óleos vegetais vendida em lojas e cooperativas naturais. As garrafas, com belos rótulos, alardeavam a técnica especial de processamento em baixa temperatura e a qualidade superior do produto. Já vínhamos usando o óleo de canola daquele fabricante há vários anos quando decidi escrever à companhia com algumas perguntas e pedindo informações sobre o óleo que vendiam. Ficamos chocados ao descobrir que o óleo de canola “prensado a frio” e levemente refinado” era sujeito às mesmas temperaturas altas (232°-260° Celsius) e à maioria dos processos químicos usados nos óleos comuns! A principal diferença é que não usavam solventes químicos para extrair o óleo das sementes nem adicionavam preservativos e anti-espumantes.

Desapontado, e decidido a encontrar uma fonte de óleos saudáveis para minha família, comecei a procurar mais informações sobre a produção de óleos alimentícios para suplementar meus poucos conhecimentos. Este artigo é o resultado desta pesquisa até agora, e vai lhe fornecer informações necessárias para que você possa selecionar alimentos e óleos mais saudáveis para sua família.

A IMPORTÂNCIA DOS ÁCIDOS GRAXOS
Os ácidos graxos são essenciais para a vida e o funcionamento normal das nossas células. A membrana celular permite a passagem dos sais minerais e das moléculas necessárias para dentro e para fora de nossas células. A membrana celular saudável dificulta a entrada na célula de substâncias químicas perigosas e de organismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Essa membrana também tem receptores químicos para os hormônios, que são os principais mensageiros do corpo. Os ácidos graxos participam de incontáveis processos químicos de nosso corpo e são utilizados como “tijolos” na fabricação de alguns hormônios.

Há dois tipos de ácidos graxos – ômega-3 e ômega-6 – que não podem ser fabricados pelo organismo, e assim precisam ser obtidos através dos alimentos. São os chamados “ácidos graxos essenciais” (EFAs, em inglês), e quando existem em quantidade suficiente no corpo são usados para fabricar os outros ácidos graxos de que precisamos.

A suplementação de EFAs na alimentação tem ajudado muitas pessoas com alergias, anemia, artrite, câncer, candidíase, depressão, pele seca, eczemas, fadiga, doença cardíaca, inflamações, esclerose múltipla, tensão pré-menstrual, psoríase, retardamento do metabolismo, infecções virais etc., e facilitado o processo de recuperação de viciados.

GORDURAS “TRANS” E PERTURBAÇÕES QUÍMICAS
Os ácidos graxos existentes na natureza apresentam ligações duplas entre os átomos com uma configuração especial chamada de “cis” pelos bioquímicos. Na ligação do tipo “cis” as moléculas se torcem de forma que os dois átomos de hidrogênio fiquem do mesmo lado da ligação dupla. Isto significa que a ligação entre os átomos é mais fraca por causa da forma irregular, o que provoca um ponto de fusão mais baixo – ou, no dialeto dos supermercados, não são sólidas à temperatura ambiente. Gorduras com ligações do tipo “trans” ou que não tenham ligações duplas (“gorduras saturadas”) são sólidas à temperatura ambiente.

Para fabricar margarina, adicionam-se átomos de hidrogênio às moléculas de gordura para que fiquem mais saturadas, elevando o ponto de fusão para que o óleo permaneça sólido à temperatura ambiente, ou seja, para que a margarina não escorra pela mesa. Este processo, chamado “hidrogenação”, exige a presença de um catalisador metálico e temperaturas em torno de 260ºC para que a reação aconteça. Assim, cerca de metade das ligações “cis” transformam-se em ligações “trans”.

A hidrogenação passou a ser muito usada nos Estados Unidos porque este tipo de óleo não se estraga nem fica rançoso tão depressa quanto o óleo comum, e assim tem uma vida de prateleira maior. Você pode deixar um cubo de margarina exposto durante anos e ele não será atacado por fungos, insetos ou roedores. A margarina é um não-alimento! Parece que só os seres humanos são idiotas o bastante para comê-la! Como a gordura da margarina é parcialmente hidrogenada (ou seja, não totalmente saturada), os fabricantes podem dizer que é “poli-insaturada” e vendê-la como alimento saudável.

Muitos outras substâncias químicas gordurosas aparecem quando os óleos são parcialmente hidrogenados. Em “Fatos que Curam, Fatos que Matam”, Udo Erasmos afirma: “A quantidade de compostos diferentes que podem surgir durante a hidrogenação parcial é tamanha que desafia a nossa imaginação… Nem é preciso dizer que a indústria não se dispõe a financiar ou divulgar estudos completos e sistemáticos dos tipos de substâncias químicas produzidos e seus efeitos sobre a saúde”1.

Erasmus também cita uma afirmação sobre a hidrogenação feita por Herbert Dutton, um dos químicos mais antigos e famosos a estudar gorduras na América do Norte. Basicamente, ele diz que, por causa dos efeitos conhecidos e desconhecidos destes subprodutos da hidrogenação, os regulamentos governamentais sobre a saúde não permitiriam que o processo fosse usado na produção de alimentos, caso tivesse sido inventado hoje em dia.

Outro “efeito colateral” da hidrogenação é deixar um resíduo de metais tóxicos, geralmente níquel e alumínio, no produto final. Estes metais são usados como catalisadores da reação, mas se acumulam em nossas células e sistema nervoso, onde envenenam o sistema enzimático e alteram as funções celulares, colocando a saúde em perigo e provocando grande variedade de problemas. Estes metais tóxicos são difíceis de eliminar sem técnicas especiais de desintoxicação, e nossa “carga tóxica” aumenta muito com pequenas exposições ao longo do tempo. Como estes elementos são cada vez mais presentes no ar, nos alimentos e na água, as doses cumulativas podem ir se somando até chegar com o tempo a níveis perigosos.

Como não existem na natureza gorduras com ligações “trans”, nosso organismo não sabe lidar com elas, que acabam agindo como venenos em reações celulares importantes. O corpo tenta usá-las como usaria o tipo “cis”, e elas acabam indo parar na membrana celular e em outros lugares onde não deveriam estar. *

* Correção do texto a partir de mensagem da leitora do PORTAL VERDE:

Nos últimos anos, foram feitas medições de gorduras “trans” na membrana das células vermelhas do sangue humano, e o nível chegou a 20%, quando deveria ser zero. Foram usadas células vermelhas porque são fáceis de conseguir, mas podemos supor que a maioria das outras membranas celulares do corpo também contêm estas gorduras antinaturais.
Os ácidos graxos com ligações “trans” presentes na membrana celular enfraquecem a estrutura da membrana e sua função protetora. Eles alteram a pasagem normal de sais minerais e outros nutrientes pela membrana e permitem que micróbios patogênicos e substâncias químicas tóxicas penetrem na célula com mais facilidade. O resultado: células doentes e enfraquecidas, mau funcionamento do organismo e um sistema imunológico exausto – em resumo, queda da resistência e aumento do risco de doenças.

As gorduras “trans” também podem desorganizar o mecanismo normal do organismo de eliminação do colesterol. O fígado costuma lançar o excesso de colesterol na bile e enviá-lo para a vesícula, que se esvazia no intestino delgado logo abaixo do estômago. As gorduras “trans” bloqueiam a conversão normal do colesterol no fígado e contribuem para elevar o nível de colesterol no sangue. Também provocam um aumento da densidade de lipoproteínas de baixa densidade (LDLs), considerada um dos principais causadores de aterosclerose (endurecimento das artérias). Além disso, as gorduras “trans” reduzem a quantidade de lipoproteínas de alta densidade (HDLs), que ajudam a proteger o sistema cardiovascular dos efeitos nocivos das LDLs. As gorduras “trans” também aumentam o nível de apolipoproteína A, uma substância do sangue que é outro fator de risco das doenças cardíacas. Na verdade, já se demonstrou que as gorduras “trans” provocam efeitos piores o que as gorduras animais saturadas. Outro efeito negativo das gorduras “trans” na dieta é o aumento dos hormônios pró-inflamatórios do corpo (prostaglandina E2) e a inibição dos tipos anti-inflamatórios (prostaglandinas E1 e E3). Esta influência indesejada das gorduras “trans” sobre o equilíbrio das prostaglandinas pode deixar você mais vulnerável a condições inflamatórias que vão custar a sarar. As prostaglandinas também controlam muitas funções metabólicas. Quantidades mínimas delas podem provocar grandes mudanças nas reações alérgicas, na pressão sanguínea, na coagulação, nos níveis de colesterol, na atividade hormonal, na função imunológica e na resposta inflamatória, para citar apenas algumas de suas ações.

Muitos destes problemas causados pelas gorduras “trans” já são conhecidos, ou ao menos alvo de suspeitas, há 15 ou 20 anos, mas foram amplamente ignorados nos Estados Unidos. Na Europa, o uso de gorduras “trans” em alimentos é restrito, e alguns países só permitem a presença de 0,1% de ácidos graxos “trans”. Pelo contrário, as margarinas americanas podem conter até 30% ou 50%! É claro que a indústria alimentícia nega que isto seja um problema. Mas continuam aumentando as provas científicas de que as gorduras “trans” contribuem para as doenças cardíacas e possivelmente para outros tipos de doença. Mesmo a conservadora “Harvard Health Letter” refere-se a elas como “o novo inimigo”2.

INTERESSES DISFARÇADOS
Segundo o dr. Russel Jaffe, conhecido médico pesquisador, os criadores de porcos não oferecem gorduras “trans” a seus animais porque os porcos morrerão se as comerem. Quando o dr. Jaffe procurou o Departamento de Agricultura, descobriu que os técnicos sabiam disso, mas não estavam interessados nos possíveis efeitos sobre humanos, já que esta última área não estava sob sua jurisdição. A secretaria americana de alimentos e remédios (FDA) também nada fez a respeito. O fato de que a indústria alimentícia conseguiu esconder tão bem estes fatos do conhecimento público mostra o seu poder político junto aos círculos governamentais e científicos.

A indústria alimentícia financia muitas pesquisas. Os pesquisadores sabem que é fácil prever o resultado de um estudo: basta conhecer quem está financiando. Desta forma, é tolice aceitar cegamente as notícias da imprensa sobre “as últimas pesquisas” sem considerar quem pagou por elas. Há algumas fundações por aí, de aparência bastante científica, que na verdade são organizações de fachada da indústria alimentícia3.

A GORDURA EM NOSSA DIETA
A margarina não é o único produto de supermercado a conter quantidade significativa de gorduras “trans”. Qualquer “alimento” que tenha as palavras “hidrogenado” ou “parcialmente hidrogenado” no rótulo contém gorduras “trans” e deveria ser evitado. Você vai ficar surpreso ao descobrir quantos produtos na sua cozinha contêm gorduras “trans”. Entre eles estão pão, biscoitos e salgadinhos, óleos vegetais refinados e manteiga de amendoim. A maioria das marcas de manteiga de amendoim (muito usada nos Estados Unidos) contém açúcar ou xarope de milho, que exigem demais do pâncreas e são facilmente convertidos em gordura pelo corpo.

Assim, leia sempre o rótulo dos alimentos industrializados e evite os que contenham óleo ou gordura hidrogenada ou parcialmente hidrogenada! Evite também produtos que contenham óleo de semente de algodão. O algodão não é um produto alimentício e é tratado com pesticidas altamente tóxicos – parte dos quais vai acabar no óleo. Segundo o dr. Jaffe, o óleo de semente de algodão também contém ácidos graxos tóxicos semelhantes aos existentes no óleo de semente de mostarda, que foi usado há 30 anos e acusado de provocar várias mortes antes de ser retirado do mercado. Esses ácidos graxos provocaram doenças quando oferecidos a cães e porcos. O óleo de semente de algodão costuma ser usado para fritar batatas e é encontrado em vários alimentos industrializados.

Hoje em dia, a opinião predominante entre os médicos é de que as gorduras são nocivas e devem ser limitadas em nossa dieta. Ao levar em conta o tipo de gordura que costuma ser consumido nos Estados Unidos, esta talvez seja uma boa idéia. Mas vários estudos mostraram que a quantidade de gordura não é tão importante quanto a sua qualidade e o equilíbrio entre os vários tipos de gordura. Na verdade, os ácidos graxos essenciais (já mencionados) ajudam a controlar os tipos de colesterol fabricados pelo corpo e ajudam a evitar doenças cardíacas. Assim, seria mais prudente reduzir em nossa dieta as gorduras saturadas e as gorduras “trans” antinaturais e aumentar as gorduras essenciais. Muitos cientistas agora defendem esta mudança de ênfase.

O dr. Edward Siguel é um pesquisador premiado que foi convidado a estudar os ácidos graxos no Framingham Cardiovascular Offspring Study. Ele publicou recentemente um livro chamado “Ácidos Graxos Essenciais na Saúde e na Doença”4 . O dr. Siguel desenvolveu um teste de sensibilidade para determinar a quantidade dos vários ácidos graxos encontrados em seres humanos, e descobriu uma relação bem definida entre gorduras “trans” e doença cardíaca. Ele também descobriu que muitas pessoas com doenças cardíacas têm baixo nível de ácidos graxos essenciais. Numa palestra no Segundo Simpósio Anual de Medicina Funcional em 1994, ele afirmou que a insuficiência de ácidos graxos essenciais pode estar por trás de muitas doenças crônicas comuns em sociedades ocidentais. Ele também chamou a atenção para o fato de que dietas pobres em gordura e não baseadas em alimentos integrais podem ser nocivas: “Indivíduos que mantenham peso normal ou baixo comendo alimentos industrializados de pouco valor calórico e com baixo nível de gordura, como cereais, pães e massas vendidos em supermercados, correm sério risco de insuficiência de ácidos graxos essenciais (…) associada ao uso de gorduras hidrogenadas, levando a níveis elevados de ácidos graxos ‘trans’ na circulação sanguínea (…)”

O leite de muitas mães americanas também apresenta um excesso de gorduras “trans” e baixo nível de ácidos graxos ômega-3. O dr. Donald Rudin, em seu livro “O fenômeno ômega-3”, afirmou: “O leite das mães americanas costuma ter apenas entre um quinto e um décimo do conteúdo de ômega-3 do leite que as mães nigerianas bem nutridas de sementes e castanhas dão a seus filhos.”5

A Divisão de Pesquisa Nutricional da Health Canada publicou recentemente um estudo esclarecedor. Os pesquisadores analisaram o leite de 198 mães em aleitamento em todo o Canadá, e descobriram que os ácidos graxos “trans” respondiam em média por 7,2% do conteúdo total de ácidos graxos, sendo que a faixa de resultados ia de 0,1% a 17,2%. A análise posterior dessas gorduras “trans” mostrou que sua origem principal eram os óleos vegetais parcialmente hidrogenados (ou seja, margarina). Os pesquisadores também perceberam que a elevação do nível dessas gorduras “trans” aconteceu à custa dos ácidos graxos essenciais, colocando assim o bebê sob um risco duplo num período crucial de seu desenvolvimento6.

Os dois tipos de ácidos graxos essenciais são necessários para o desenvolviemento correto dos tecidos do feto e do bebê, especialmente o sistema nervoso. Segundo John Finnegan, em “Fatos sobre a gordura”, os ômega-3 afetam especialmente as partes do cérebro ligadas à capacidade de aprendizado, à ansiedade ou depressão e à percepção auditiva e visual. Também ajudam a equilibrar o sistema imunológico7. Um estudo feito em 1991 pela Clínica Mayo com 19 mulheres grávidas “normais”, alimentadas com dietas
“normais”, mostraram que todas elas tinham deficiência de ácidos graxos ômega-3 e, em menor escala, dos ômega-6. Os pesquisadores recomendaram a suplementação de ácidos graxos ômega-3 em todas as gestações, e que as mulheres evitassem gorduras refinadas e hidrogenadas durante a gravidez8.

Um estudo publicado na Revista Americana de Nutrição Clínica mostra uma diferença dramática entre as taxas de doenças cardíacas das populações do norte e do sul da Índia9. Os do norte comiam carne e tinham alto nível de colesterol. Sua principal fonte de gordura na alimentação era o ghee (manteiga clarificada). Os do sul eram vegetarianos e tinham níveis de colesterol muito mais baixos. A “sabedoria” atual diria que os vegetarianos teriam a menor taxa de doenças cardíacas, mas na verdade o contrário é que era verdade. Os vegetarianos tinham uma taxa 15 vezes maior de doenças
cardíacas do que a de seus patrícios do norte. Qual a razão de diferença tão surpreendente? Além da oposição entre carne e vegetais, a maior diferença na dieta era que os do sul haviam substituído o ghee tradicional (um alimento de verdade) pela margarina e pelos óleos vegetais refinados e poli-insaturados. Vinte anos depois, a revista médica britânica “The Lancet” observou um aumento das mortes por ataque cardíaco entre os indianos do norte10. Eles também haviam substituído o ghee de suas dietas pela margarina e pelos óleos vegetais refinados.

Há cem anos, as doenças cardíacas eram quase desconhecidas. Hoje, dois terços dos cidadãos americanos desenvolvem doenças do coração. É claro que aconteceu algo de errado na forma como vivemos, e um dos principais fatores pode bem ser a introdução de óleos super-refinados, superprocessados e desvitalizados.

Outros estudos sustentam esta idéia. Por exemplo, uma pesquisa da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard indicou que a ingestão de óleos vegetais parcialmente hidrogenados pode aumentar o risco de ataque cardíaco11. A pesquisa do dr. Siguel também deu mais peso à teoria de que os ácidos graxos “trans” da dieta são um fator de risco nas doenças do coração12.

Um relatório do Conselho de Nutrição da Dinamarca afirmou que vários estudos sugerem que os ácidos graxos “trans” da margarina são tão ou mais responsáveis pelo desenvolvimento da aterosclerose quanto os ácidos graxos saturados. Eles recomendam a redução do conteúdo de ácidos graxos “trans” em todas as margarinas dinamarquesas a no máximo 5% (era então de 0 a 30%)13.

Outro estudo feito em Boston pelo Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard analisou a dieta de 239 pacientes internados em hospitais da cidade depois de seu primeiro ataque cardíaco, e comparou-a com a dieta de um grupo de controle de 282 pessoas saudáveis. Depois de dar o desconto dos vários estilos de vida, descobriram que a ingestão de margarina associava-se de forma significativa com o risco de infarto do miocárdio14.

Uma estudo da Escola de Medicina de Harvard acompanhou mais de 85.000 mulheres num período de oito anos. Os pesquisadores compararam a dieta das que desenvolveram doenças cardíacas com a das que nada tiveram. Descobriram que as principais fontes de gorduras “trans” na alimentação, como a margarina, estavam associadas de forma significativa com o risco maior de doença coronária e cardíaca15.

PROBLEMAS DO PROCESSAMENTO COMERCIAL
Os óleos vegetais refinados e poli-insaturados tornaram-se muito populares nos Estados Unidos desde que a onda anticolesterol começou há muitos anos e os médicos passaram a promover seu uso. Quando preparados e utilizados da forma correta, alguns desses óleos são fontes saudáveis de ácidos graxos essenciais. Infelizmente, o processo padrão de refino industrial destrói os ácidos graxos essenciais e cria altos níveis de ácidos graxos “trans”, ao mesmo tempo que remove importantes elementos e agentes protetores naturais, como sais minerais e vitamina E.

Em “Fatos sobre gordura” e “Gorduras que curam, gorduras que matam”, John Finnegan e Udo Erasmus descrevem o processo comum de refino comercial dos óleos vegetais. Começa com sementes que podem conter alto nível de agrotóxicos (pesticidas e herbicidas). As sementes são esmagadas e sujeitas a uma série de tratamentos químicos em temperaturas acima de 270°C. Esses tratamentos incluem o uso de solventes tóxicos, soda cáustica, preservantes e anti-espumantes, e resultam na destruição dos ácidos graxos essenciais, na perda de vitaminas e sais minerais e na formação de ácidos graxos “trans” e radicais livres. Este é exatamente o contrário do que seria desejado. Tudo isso em nome de uma vida mais longa na prateleira e da aceitação do consumidor (o que sobra parece limpo e bonito!). Isso também acontece com a gordura dos alimentos industrializados, ou seja, quase tudo que vem numa lata ou numa caixa. Lembre-se de ler as letras miúdas dos rótulos!

Segundo Finnegan e Erasmus, os óleos “prensados a frio” encontrados nas lojinhas naturais não são garantia de qualidade. O processo usado ainda gera temperaturas acima de 90°C, e a maioria desses óleos são refinados e desodorizados com o mesmo processo destruidor de nutrientes usados nos óleos comerciais de “supermercado”. Tome cuidado com inscrições como “orgânico” e “natural”, porque nos Estados Unidos já houve casos de interpretações fraudulentas destas palavras. Algumas empresas foram flagradas mentindo sobre a origem de suas sementes e usando sementes comerciais comuns em vez de sementes realmente orgânicas (no sentido de não terem agrotóxicos etc.). Houve até mesmo casos de empresas que simplesmente reembalaram óleos e maioneses comuns com um rótulo de “natural” para cobrar preços mais altos pela mercadoria. Finnegan menciona duas agências confiáveis de certificação nos Estados Unidos: FVO (Farm Verified Organic – orgânico verificado na fazenda) e OCIA (Organic Crop Improvement Association – Associação de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica). Ele conta que só duas empresas seguem seus critérios na produção de óleos naturais: a Omega Nutrition, em Ferndale, e Flora Inc., em Lynden, ambas no estado de Washington. Ele também entrou em contato com um dos mais conhecidos fabricantes de óleos “naturais” do país, que não quis discutir os métodos de processamento de óleo e não lhe permitiu visitar a fábrica.

É preciso notar que, além do calor, a luz e o oxigênio provocam sérios danos aos óleos. Segundo Erasmus, a luz destrói o óleo mil vezes mais depressa que o oxigênio, por isso é importante comprar óleos não refinados embalados em garrafas pretas à prova de luz. O oxigênio pode ser extraído da garrafa e substituído por um gás inerte, como nitrogênio ou argônio. A Omega Nutrition embala seus óleos desta forma. Os óleos Flora são embalados em vidro escuro, que reduz a quantidade de luz mas não a elimina. Embora sejam muito mais caros, esses óleos valem o que custam, levando em conta os fatos
apresentados neste artigo.

O EQUILÍBRIO ENTRE OS ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS E NOSSA SAÚDE
Os dois grupos de ácidos graxos essenciais – ômega-3 e ômega-6 – recebem este nome por causa de sua configuração molecular e do lugar onde aparece a primeira ligação “insaturada” na cadeia de átomos de carbono da molécula. Os óleos ômega-6 são encontrados principalmente nos vegetais e nas sementes. São convertidos em prostaglandinas E1 (já mencionadas) depois de vários processos químicos. A maioria das pessoas ingere quantidade suficiente desses ácidos graxos, mas algumas têm dificuldade de convertê-los nas prostaglandinas ativas. Este bloqueio costuma ser causado pelo excesso de gorduras “trans”, por medicamentos anti-inflamatórios como aspirina ou Tylenol e por deficiências de vitamina B6 ou de magnésio. A insuficiência de ácidos graxos ômega-6 pode provocar problemas no sistema auto-imune, dor e caroços nos seios, eczema, hiperatividade em crianças, hipertensão, inflamações e tensão pré-menstrual. A suplementação alimentar com óleo de sementes de borragem, prímula ou uva pode compensar o bloqueio e fornecer os elementos essenciais para a fabricação da prostaglandina necessária. O dr. Siguel descobriu que a deficiência de ômega-3 é mais comum em nossa dieta ocidental. Por causa da industrialização dos alimentos e da preferência cultural, a dieta ocidental média contém apenas um sexto da quantidade de ácidos graxos ômega-3 necessários para o funcionamento saudável do organismo – em vez do equilíbrio de 100 anos atrás. Tudo indica que a deficiência de ácidos graxos ômega-3 está associada à artrite e a problemas nas articulações, à síndrome do intestino irritado, à tensão pré-menstrual, a problemas de próstata, a várias afecções de pele e à depressão, às fobias e à esquizofrenia.

As duas principais fontes de ômega-3 são o óleo orgânico de sementes de linhaça e de peixes de água fria (como bacalhau, sardinha, atum, truta e salmão). Esses peixes não deveriam ser fritos, por causa do efeito da alta temperatura e da resultante emissão de radicais livres. Diferentemente da galinha e do peru, os peixes de água fria deveriam ser comidos com a pele, já que é ali que há a maior concentração de gorduras desejáveis.

Muita gente se preocupa com o consumo freqüente de peixes, por causa da poluição química e de metais pesados no oceano. Os peixes predadores concentram estes poluentes em seu tecido gorduroso, mas os peixes oceânicos costumam ser menos atingidos que os peixes costeiros. É melhor evitar peixes vindos de águas próximas a áreas agrícolas, industriais ou de mineração, por causa do alto nível de ingestão de substâncias tóxicas. Peixes de criadouro são alimentados com ração industrial, e também devem ser evitados; não são saudáveis e têm níveis insignificantes de ácidos graxos ômega-3. Quando processado de forma apropriada, o óleo de sementes de linhaça tem a maior concentração de ácidos graxos ômega-3, ou seja, 57%. Os ômega-3 também são encontrados em alguns outros óleos vegetais não-refinados, como os de soja e canola, mas em quantidade muito menor. O óleo de linhaça é muito sensível e deve ser processado em condições controladas (a frio, sem luz nem oxigênio), embalado com nitrogênio em garrafas escuras para evitar a oxidação e transportado e exposto sob refrigeração.

Embora todos os óleos não-refinados e insaturados devessem ser processados, embalados e distribuídos desta forma, a grande maioria deles não é. As companhias acima mencionadas usam estes métodos especiais, e é possível comprar seus óleos com alguma certeza de estar adquirindo um produto saudável. Temos usado os óleos das duas companhias nos últimos anos e estamos muito satisfeitos. Embora mais complicados e caros, algum dia esses métodos terão um papel muito importante na redução de várias doenças degenerativas, muito mais caras a longo prazo, especialmente em termos de sofrimento e perda de potencial humano.

Os alimentos mais saudáveis são cultivados organicamente e devem ser consumidos na forma mais próxima de seu estado natural. Nos Estados Unidos, é possível encontrar sementes e grãos de boa procedência nas cooperativas de alimentos naturais. O consumo de sementes e alimentos cultivados organicamente é recomendado para minimizar a ingestão de produtos químicos e otimizar o conteúdo nutritivo. Ao consumir alimentos integrais, absorvemos uma gama complexa de nutrientes que trabalham juntos de forma natural na intrincada química que mantém nosso corpo funcionando, mas muitos desses nutrientes naturais se perdem no processamento industrial.

Mesmo os maiores esforços humanos para produzir alimentos e óleos industrializados saudáveis acabam ficando aquém das conquistas da Natureza. Os melhores óleos são fornecidos pela natureza, embalados da melhor forma possível para evitar a oxidação de seu precioso conteúdo. Sementes de linhaça orgânicas recém-moídas contêm óleo fresco (protegido pela película) e sua fibra é a fonte mais rica das substâncias chamadas “ligninas”, possuidoras de potentes propriedades anticâncer, antibacterianas,
antfúngicas e antivirais. A fibra da linhaça tem de 100 a 800 vezes mais ligninas do que as outras fontes de fibras. Esta é uma forma barata e saborosa de assegurar a ingestão adequada de ácidos graxos ômega-3 (ver as instruções abaixo). Se preferir, você pode comprar (nos Estados Unidos) óleo de linhaça de boa qualidade em garrafas ou cápsulas. Veja apenas se descobre como o óleo é processado! As empresas Flora e Omega Nutrition fornecem óleo de linhaça de boa qualidade em garrafas e cápsulas.

AS VELHAS E BOAS ALTERNATIVAS SAUDÁVEIS
Há várias outras formas de melhorar seu equilíbrio de ácidos graxos e evitar a armadilha das gorduras “trans”:

Coma sementes de linhaça recém-moídas todos os dias. Coloque três colheres de sopa de sementes num liqüidificador ou moedor de café para obter cerca de uma colher de óleo (misturado com a fibra). Isto se aproxima da dose diária recomendada de óleo omega-3 para uma pessoa média. Pode ser misturado com cereais, batido até virar uma pasta ou servido com iogurte. Você pode também misturar com suco de maçã morno (quente, não!) e juntar pedacinhos de banana ou outra fruta para obter um prato saboroso e nutritivo que satisfaz e fará maravilhas pelo funcionamento do intestino! E coma as sementes moídas dentro de no máximo 10 a 15 minutos, para reduzir o problema da oxidação. Mas tome cuidado: em testes alérgicos encontrei várias pessoas (como minha esposa e eu) alérgicas ao óleo de linhaça, e outras alérgicas às sementes de psyllium, geralmente usadas por causa de seu conteúdo de fibras.
Use manteiga em vez de margarina ou gordura vegetal hidrogenada para cozinhar. A manteiga também tem seus problemas, como resíduos de hormônios e agrotóxicos, mas é um alimento integral. Alimentos integrais têm nutrientes que atuam sobre sua própria gordura se ingeridos com moderação. Se quiser usar manteiga, prefira a que for produzida organicamente.
Uma alternativa ainda melhor é o ghee orgânico, ou manteiga clarificada, como mencionado anteriormente. Ghee é a gordura culinária que os cozinheiros indianos e franceses têm em mais alta conta. Tem um aroma agradável e não queima, não solta fumaça nem desenvolve compostos tóxicos ao ser aquecida.
A gordura de coco orgânica e não refinada é outra alternativa à manteiga comum em sua dieta. A empresa Omega Nutrition vende este produto. No entanto, a maioria dos outros produtos com gordura de coco são hidrogenados. O óleo de coco tem sido sujeito a uma campanha difamatória pelos fabricantes de óleos vegetais comerciais, mas as pesquisas que citam usaram óleo de coco hidrogenado, o que pode ter distocido os resultados.
Use azeite de oliva ou uma mistura meio a meio de ghee e azeite de oliva. Não frite nem refogue com óleos leves “poliinsaturados”, como os de açafrão, girassol ou milho. Com a alta temperatura eles se oxidam rapidamente, formando radicais livres. Os radicais livres são moléculas muito reativas que podem penetrar em suas células e dar início a reações em cadeia prejudiciais que deixam para trás vários danos, como alterações do código genético (DNA) e formação de células cancerosas. Muitos consideram que os radicais livres têm papel predominante nas doenças degenerativas.
Embora não haja quase nenhum ácido graxo essencial no óleo de oliva, ele é rico em ácidos graxos “monoinsaturados” e não se oxida tão facilmente. Use um azeite “extra-virgem de primeira extração, prensado a frio”, de preferência de cor esverdeada e com algum sedimento no fundo, o que costuma indicar pouco processamento. Muitas lojas naturais nos Estados Unidos vendem este tipo de azeite.
Se você for alérgico a leite, sempre se pode substitur a margarina ou a manteiga das receitas por uma mistura meio a meio de xarope de maçã (suco de maçã fervido por muito tempo até virar quase uma geléia, comum nos Estados Unidos) e óleo de açafrão, girassol ou canola orgânico e não refinado. Testamos em massas de torta e bolos e o resultado foi ótimo. Tentamos substituir por óleo de canola sozinho, mas a massa ficou meio seca e esfarelenta.
Experimente manteiga de amendoim não hidrogenada, encontrada em algumas lojas naturais nos Estados Unidos. A parte sólida se separa, e o óleo flutua no alto da embalagem. A melhor marca é, provavelmente, Arrowhead Mills. Eles secam ao sol os amendoins cultivados organicamente, para evitar o fungo que produz a aflatoxina, que é tão tóxica quanto o nome sugere. A maioria dos produtos de amendoim comerciais contêm aflatoxina, além de resíduos de agrotóxicos. Manteigas de amêndoa ou nozes contêm gorduras mais saudáveis do que a manteiga de amendoim, sem o problema do fungo. Nos Estados Unidos, elas são vendidas em lojas e cooperativas naturais.
Prefira o óleo que vem em garrafas seladas e evite os óleos vendidos a granel nas cooperativas, já que costumam estar rançosos (novamente os radicais livres). O óleo rançoso tem gosto amargo quando você pinga uma gota na língua, e não deve ser consumido.
Sempre refrigere o óleo depois de aberto. É melhor refrigerar os óleos não refinados logo que você comprá-los, para prolongar sua vida na embalagem. Se não estiverem em garrafas opacas, guarde-os ao abrigo da luz.
Quanto mais você ingerir gorduras insaturadas como óleos vegetais e óleos de peixe (EPA/DHA ômega-3), mais vai precisar de proteção antioxidante contra os danos dos radicais livres. Se você toma suplementos de óleo de peixe ou de prímula, ou usa óleos poli-insaturados, tome mais vitamina E. A dose diária recomendada de vitamina E fica entre 300 e 400 UI por dia, e provavelmente a melhor forma de ingeri-la é através de “tocoferóis mistos”.
Muitos estudos demonstram sua eficácia na redução do risco de doenças cardíacas, artrite e outras doenças relacionadas com radicais livres. Como a vitamina C é empregada para regenerar a vitamina E “usada”, um suplemento de 500 a 1.000 mg de vitamina C por dia também é uma medida prudente.
Os óleos e suplementos mais caros não poderão compensar a dieta e o estilo de vida pouco saudáveis. Use o bom senso e consulte um profissional de saúde consciente da importância da nutrição quando se sentir preocupado com sua saúde. Os livros do dr. Dean Ornish16 e do dr. John McDougall17 oferecem muitas idéias excelentes de dieta e estilo de vida, e recomendo-os como fonte de informações dietéticas básicas, embora seus programas prescrevam uma ingestão baixa demais de gorduras. Assim, para assegurar a ingestão adequada de ácidos graxos essenciais, você vai precisar de algumas nozes e sementes orgânicas, além de óleos de boa qualidade (como os que mencionamos acima) para suplementar essas dietas de baixo nível de gordura.
AUMENTANDO A CONSCIÊNCIA PÚBLICA
Ainda há gente teimosa na comunidade “científica”, em especial os que são funcionários ou patrocinados pela indústria alimentícia, que alegam não haver provas suficientes de que as gorduras “trans” são perigosas, e citam estudos que justificam sua opinião. Este é o jogo da “ciência” moderna, no qual estão envolvidos egos e dinheiro.
No entanto, a maioria dos estudos recentemente publicados apóia a idéia de que essas gorduras quimicamente alteradas são nocivas. Nestes casos de conflito, sempre fico do lado da Mãe Natureza; ela é mais sábia do que qualquer um de nós!
Lembre-se de que a maior parte destas informações sobre gorduras “trans” já é conhecida há muitos anos, mas a indústria conseguiu manter o tema longe dos olhos do público: este é mais um exemplo do comportamento (o comprador que se cuide) da indústria alimentícia. Agora que você já sabe, cuide-se!

Boa sorte, e boa saúde!

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Erasmus, Udo, Ph.D., Fats that Heal, Fats that Kill, Alive Books, Burnaby, BC, Canadá, 1987, 1993.
2. Harvard Health Letter, Summer 1994.
3. Jaffe, Russell, M.D., Lipids (áudio-tape), 1992.
4. Siguel, Edward, M.D., Ph.D., Essential Fatty Acids in Health and Disease, Nutrek Press, Brookline, MA, EUA, 1995.
5. Rudin, Donald, M.D., e Felix, Clara, The Omega-3 Phenomenon, Rawson, New
York, EUA, 1987.
6. Lipids, Março de 1996, 31:Suppl:S27982.
7. Finnegan, John, N.D., The Facts About Fats, Celestial Arts Publishing, Berkeley, CA, EUA, 1993.
8. “Deficiency of essential fatty acids and membrane fluidity during pregnancy and lactation”, Biochemistry, Proceedings of the National Academy of Sciences, EUA, vol. 8, junho de 1991.
9. American Journal of Clinical Nutrition, 1967, 20:462-475.
10. The Lancet, 14 de novembro de 1987.
11. Circulation, janeiro de 1994, 89(1):94-101.
12. American Journal of Cardiology, 1993, 71:916-920.
13. Clinical Science, April 1995, 88(4):375-92.
14. Circulation, ibid.
15. The Lancet, março de 1993, 341(8845):581-5.
16. Ornish, Dean, M.D., Dr Dean Ornish’s Program for Reversing Heart
Disease, Ballantine Books, New York, EUA, 1990.
17. McDougall, John A., M.D., The McDougall Program, Plume (Penguin Books),
New York, EUA, 1991.

* Morrison, Robert Thornton, e Boyd, Robert Neilson, Organic Chemistry,
Allyn & Bacon, Inc., Boston, EUA, 1973, 1979, 3ª ed.

Sobre o autor
O dr. Dane Roubos, B.Sc., D.C., D.A.B.C.I., estuda nutrição há 25 anos e é fisioterapeuta há 14 anos. É formado pelo American Board of Chiropractic Internists, e hoje em dia dá aulas em tempo integral no Northwestern College of Chiropractic em Minnesota. Ele se dedica a ajudar as pessoas a viverem mais perto da Terra, do espírito e da alma interior.

Extraído de Nexus Magazine, Volume 4, nº. 2 (Fevereiro-Março 1997). 
PO Box 30, Mapleton Qld 4560 Australia. nexus@peg.apc.org
Telefone: +61 (0)7 5442 9280; Fax: +61 (0)7 5442 9381
Na home page: http://www.nexusmagazine.com [onde, aliás, encontra-se muita
coisa interessante; se você lê inglês, vale a visita]

autor: Dane A. Roubos, D.C. (c)1995-97 
5554 Nantucket Place
Minnetonka, MN 55345, USA
Fone: +1 (612) 937 5029
E-mail:76033.313@compuserve.com

Este artigo foi extraído em parte de Blazing Tattles, vol. 5, nºs. 10 e 11, 
1996, e atualizado pelo autor.
Blazing Tattles!,
PO Box 1073, Half Moon Bay,
CA 94019 USA.
Email: blazing@crl.com
http://www.best.com/~cnorman/blazing

 

 

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