SEXUALIDADE E GESTAÇÃO

SEXUALIDADE E GESTAÇÃO

Rodrigo Vianna

Quando abordamos temas a respeito da sexualidade humana, percebemos o quanto as pessoas se mostram ávidas sobre o assunto. Querem tirar dúvidas e resolver ansiedades e incertezas em relação, na maioria das vezes, à própria sexualidade. Por questões culturais, a sexualidade humana ainda é muito pouco discutida e comentada, apesar de estarmos vivendo dias mais liberais. Quando este tema se relaciona com a gestação, há ainda mais míngua de informações.

Com uma gravidez, tudo muda. Frase comum, mas de profunda verdade. Aspectos físicos, psicológicos, emocionais, sociais, econômicos, sofrerão transformações única e exclusivamente por conta de um novo ser que está para chegar ao mundo. É natural portanto, que o início da gravidez, fase de adaptação do organismo – corpo e mente – seja propenso a uma baixa da libido (desejo sexual). Já no 2º trimestre da gestação, teríamos a mulher em sua plenitude, já sem o mal-estar dos enjôos e da queda frequente da pressão, percebendo em frente ao espelho um corpo mais viçoso, uma pele mais sedosa, além de um sentimento de segurança que lhe acomete a partir da hora em que a barriga realmente desponta a olhos vistos. Agora ela verdadeiramente se vê – aos olhos dela e de outros – como mãe. Estas modificações também se transmitem para a esfera sexual e seu desejo volta a estar presente. Por ocasião do terceiro trimestre, principalmente nas semanas mais adiantadas da prenhez, a barriga começa a incomodar, pesada. O cansaço aumenta, a azia não a deixa e ela novamente pode experimentar uma baixa da libido, que poderá perdurar até alguns meses após o parto.

Em linhas gerais (muito mais coisas poderiam ser colocadas aqui) esta é uma evolução natural da sexualidade de uma grávida. Mas as “fases” aqui expostas não necessariamente se processam desta maneira, pois é lógico que poderemos ter grávidas que mantém sua sexualidade à tona do início ao fim da gestação, assim como o inverso: ausência total de libido, nojo do próprio corpo e do marido, etc. , durante a gravidez inteira. E apesar dos hormônios se alterarem apenas no organismo da gestante, alguns homens também sofrem modificações comportamentais em sua sexualidade. O homem também pode passar pelo medo ou insegurança de poder estar “machucando o bebê” durante o ato sexual. Ou pode ficar com baixa da libido ao ver que o corpo da mulher está se modificando, imaginando que a sua esposa grávida poderia representar sua própria mãe. Ou pode ficar preocupado com o surgimento de mais despesas, pensando onde ele iria conseguir dinheiro.

Muitas outras situações poderiam também ser colocadas, mas já deu para se ter uma idéia de que a sexualidade individual e do casal pode sofrer profundas mudanças na gestação.

Mas o que é mais importante? O mais importante é o entendimento a dois, de que se mudanças no comportamento sexual surgirem, elas são naturais e igualmente irão desaparecer e se resolver. Mas neste momento não pode deixar de existir o diálogo., a fim de que não hajam mal-entendidos com prejuízo futuro. Conversem entre si, mesmo sendo um assunto às vezes difícil de ser abordado, como o sexo. Exponham seus anseios, medos, dúvidas, perturbações. Compreendam um ao outro, cedam um pouco, que a gravidez acabará sendo prazerosa não só pela felicidade de um filho, mas também por encontrarem nela uma sexualidade latente, pungente, plena, bela, gostosa.
E lembrem-se de que todo médico Pré-Natalista também pode ajudar neste período tirando as dúvidas que ainda persistirem para o casal.

Boa gravidez!

 Rodrigo Vianna – Ginecologista e Obstetra

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