Uma apologia aos transgenicos – o debate está aberto!

Entrevista: Transgênicos são seguros para consumo

Em entrevista ao Portal Terra, Silvia M. Yokoyama, engenheira de alimentos e gerente de Assuntos Científicos da Monsanto garante que nunca na humanidade os alimentos foram tão estudados e testados como os geneticamente modificados. Segundo ela, os alimentos GMOs vêm sendo consumidos há pelo menos sete anos por bilhões de pessoas em vários países, sem que qualquer problema de saúde tenha sido identificado. Quanto as pesquisas no Brasil, Yokoyama afirma que tanto empresas quanto instituições de pesquisa e universidades lutam contra o imbróglio regulatório para poder realizar as pesquisas de campo.

Terra – Alguns cientistas e pesquisadores afirmam que os alimentos geneticamente modificados são tão ou mais seguros para consumo que os convencionais, você acredita que o estágio de evolução das pesquisas legitima este tipo de afirmação?

Yokoyama – Sim. Se observarmos como se deu a evolução no uso de plantas e animais como alimentos constataremos que os conhecimentos foram adquiridos na base da tentativa e erro. Mesmo hoje em dia, ainda não são realizados testes de segurança alimentar para novas variedades de plantas que são obtidas por meio do melhoramento clássico. Um exemplo é o kiwi, que foi introduzido há pouco tempo e hoje já se sabe que algumas pessoas são alérgicas a ele. No caso dos alimentos geneticamente modificados, o melhor do conhecimento científico foi usado para que apenas àqueles resultantes de pesquisas bem sucedidas, fossem aprovados para o consumo humano e animal. Esses dados têm sido reavaliados por diversas entidades científicas mundiais como a Royal Society (Reino Unido), as Academias de Ciências de vários países (entre elas a do Brasil), além de entidades médicas internacionais. A conclusão a que elas têm chegado é que não há evidências de que os alimentos geneticamente modificados já aprovados causem riscos diferentes dos alimentos convencionais. Ou seja, nunca, na história da humanidade, alimentos foram tão estudados e testados como os geneticamente modificados. Além do mais, esses alimentos têm sido consumidos há pelo menos sete anos por bilhões de pessoas, em vários países, sem que algum problema de saúde tenha sido a eles relacionado.

Terra – Você poderia citar exemplos de pesquisas realizadas pela Monsanto no Brasil e no exterior e seu impacto para os consumidores?

Yokoyama – As pesquisas são realizadas em várias etapas, desde o momento em que se decide fazer a transferência de um gene para a célula de uma planta. Todos os aspectos relacionados ao histórico de segurança, tanto do doador do gene quanto da planta que será modificada, são estudados antes da transferência ser realizada. Em seguida, todos os possíveis resultados da transferência são avaliados, desde a localização e integridade do gene transferido até as características da célula que recebeu essa doação. Por fim, todos os estudos relacionados ao comportamento da planta e seus impactos no ambiente, além dos estudos relacionados à segurança para consumo como alimento e ração animal, são realizados. Esses estudos são elaborados e inspecionados de acordo com os protocolos e demais critérios reconhecidos pelas entidades competentes. No caso do Brasil, além dos procedimentos já existentes para pesquisas em plantas convencionais, são feitos testes de campo, para avaliação dessas plantas em condições locais, com o nosso ecossistema, sendo que as pesquisas com OGMs estão sujeitas às regras estabelecidas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). No exterior, já se estudam os produtos da chamada ¿segunda onda¿ da biotecnologia, como o arroz com mais betacaroteno, óleo de soja rico em Omega 3, plantas resistentes à seca etc. Aqui no Brasil, as empresas, nacionais e multinacionais, instituições de pesquisa e universidades lutam, em função do imbróglio regulatório, para fazer pesquisas de campo com plantas tolerantes a herbicidas ou resistentes a insetos-pragas.

Terra – Alguns tipos de alimentos transgênicos em estudo podem ser usados para complementar a dieta alimentar de certas populações. O arroz dourado, por exemplo, rico em caroteno, seria mais indicado para consumo na Ásia, pois, segundo estudiosos, complementaria a dieta desta população. Na sua opinião, que tipo de alimento transgênico, poderia ser usado para complementar a dieta dos brasileiros? Por quê?

Yokoyama- O arroz é sem dúvida um alimento muito importante na dieta de várias populações, inclusive a brasileira. Seguramente, por meio da engenharia genética, vários outros alimentos geneticamente modificados estão em fase de desenvolvimento para melhorar a dieta do brasileiro, entre eles podemos citar plantas resistentes à seca para possibilitar o plantio em regiões áridas (no nosso Nordeste, por exemplo) e, consequentemente, aumentar a disponibilidade de alimentos nessas regiões mais carentes, o feijão com melhor composição de proteínas, soja com composição de ácidos graxos melhorados e a soja com ômega-3 para ajudar na prevenção de doenças cardiovasculares.

Terra – Em relatório publicado recentemente pela FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, constatou-se que o número de famintos em países de terceiro mundo aumentou em 18 milhões na segunda metade da década de 1990, após haver caído em 37 milhões na primeira metade. Durante esse período houve um avanço considerável em pesquisas no campo da biotecnologia, esses avanços já estão surtindo efeito em campanhas de combate à fome? Na sua opinião, as populações de países subdesenvolvidos estão ou serão beneficiadas?

Yokoyama- As plantas geneticamente modificadas foram introduzidas em 1996 nos Estados Unidos, de lá para cá diversos países vêm adotando as diferentes culturas geneticamente modificadas gradativamente, perfazendo em 2002, um total de quase 60 milhões de hectares em todo o mundo (fonte: International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Applications/ISAAA). Nessa fase introdutória, vários relatos relacionados aos benefícios que a adoção dessas culturas têm trazido para regiões menos desenvolvidas em especial para os pequenos produtores agrícolas, vêm sendo reportados. Podemos citar os casos do algodão resistente a pragas, que possibilitou a redução no uso de inseticidas e, com isso, melhorou a qualidade, o custo de produção e a vida de agricultores da África do Sul, Filipinas, México, China e Índia. O milho resistente a pragas, além de facilitar a vida de agricultores, reduzindo a quantidade de agroquímicos requerido por essas culturas, ainda tem apresentado melhoria no rendimento e na qualidade dos grãos dos produtos. No Brasil, um relatório recentemente colocado à disposição no website do PT (Partido dos Trabalhadores) descreve os benefícios que a introdução da soja geneticamente modificada trouxe para os agricultores gaúchos. Entre essas vantagens está a redução no custo da produção, proporcionado pela diminuição de agroquímicos necessitados por essa cultura. Aos poucos, esses benefícios chegarão aos consumidores em forma de aumento na disponibilidade, melhoria no preço e qualidade dos produtos.

Terra – A questão dos rótulos nas embalagens de produtos que contêm transgênicos está dando margem a muita discussão. Você acredita que é possível estabelecer um sistema eficiente e que dê aos consumidores o poder de escolha na hora da compra?

Yokoyama- Sim. Vários sistemas têm sido introduzidos em diversos países do mundo. Há sistemas baseados na identificação do método de obtenção da planta, utilizados na União Européia, e sistemas baseados na identificação de alguma diferença significativa ao consumidor final, que é o caso dos Estados Unidos. Qualquer que seja a regra utilizada, o importante é assegurar que o consumidor receba informações de forma correta e de fácil compreensão para que possa exercer seu direito de escolha no momento da compra.

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