Vegetarianismo ético minimalista

Texto originalmente publicado em http://www.criticanarede.com.

Vegetarianismo ético minimalista

Desidério Murcho

O objectivo deste ensaio é apresentar um argumento a que chamo “minimalista” a favor de uma dieta vegetariana. Procuro mostrar que uma dieta vegetariana é uma opção eticamente mais correcta do que uma dieta não vegetariana mesmo que aceitemos as ideias dos filósofos que se opõem quer aos direitos dos animais, quer à sua importância moral intrínseca. O argumento apresentado é minimalista no sentido em que sustenta que não são necessárias razões muito fortes para que o vegetarianismo seja a dieta eticamente mais correcta. Na verdade — e caricaturalmente — tudo o que precisamos para defender o vegetarianismo é um bom livro de receitas vegetarianas, ou um bom restaurante vegetariano.

Pelo facto de a filosofia analítica ser pouquíssimo estudada em Portugal, poucas pessoas conhecem as disciplinas filosóficas com impacto na vida pública e o caso da ética aplicada é apenas mais um exemplo. Muitas pessoas não sabem por isso que mesmo os filósofos que se opõem à ideia de que os animais têm direitos, ou que sejam de qualquer outro modo objecto de consideração moral, defendem a ideia de que o modo como tratamos os animais é eticamente importante. Não há virtualmente especialistas em ética aplicada que defendam que todas e quaisquer experiências laboratoriais com animais são defensáveis, nem que o modo como são tratados pela indústria alimentar é aceitável. Sublinho este aspecto porque na filosofia — como aliás na ciência — só nos interessam os problemas em aberto e consequentemente o que ainda está em disputa. E o leitor incauto de ética aplicada pode ser levado a pensar que há um grande desacordo entre os filósofos sobre o modo como devemos tratar os animais. Que há desacordo é verdade; mas esse desacordo é muito mais de carácter académico e de pormenor do que prático e geral — na prática, a generalidade dos especialistas em ética aplicada defende que é um mal moral tratar os animais como actualmente são tratados pela indústria alimentar e pelos laboratórios que testam produtos tóxicos em animais. Um dos objectivos do meu argumento minimalista a favor do vegetarianismo é o de ser aceitável mesmo para os filósofos que defendem que os animais não têm direitos ou que defendem que os interesses dos animais não têm peso moral.

Os defensores dos animais dividem-se em dois grupos: os que defendem que os animais têm literalmente direitos, e os que defendem que não têm direitos, mas que é eticamente errado fazer os animais sofrer sem qualquer razão adequada. Os que defendem que os animais não têm direitos defendem-no por pensar que a linguagem dos direitos é enganadora e confusa; defendem que os animais não têm direitos porque, literalmente falando, ninguém tem direitos — nem os seres humanos. O que os seres têm é interesses, a satisfação dos quais deve ser garantida na máxima extensão possível.

Os filósofos que se opõem aos defensores dos animais fazem-no em geral do ponto de vista dos direitos. E o axioma básico dos que se opõem aos direitos dos animais é a ideia de que só quem tem deveres pode ter direitos. É difícil encontrar uma ideia mais lapidar que encerre o que no meu entender é um tão grande erro conceptual, e que nos conduz a labirintos argumentativos para demonstrar que um bebé, um deficiente mental profundo ou um doente terminal em coma têm ainda direitos — apesar de não terem obviamente deveres. Todavia, irei admitir a título de hipótese que estes filósofos têm razão — que os animais não têm direitos, ao passo que todos os membros da nossa espécie têm direitos.

O que temos agora de pensar é se, sob esta hipótese, estamos dispostos a torturar animais, ou a fazê-los sofrer. Filósofos como Michael Allen Fox e David Oderberg consideram que, apesar de os animais não terem direitos, não podemos dispor deles como se fossem meros objectos. A ideia é que apesar de moralmente nada devermos aos animais, não devemos no entanto ser desnecessariamente cruéis e muitas das práticas actuais da indústria alimentar, da investigação científica e do entretenimento são cruéis e como tal de abolir. Do ponto de vista do público, pouca diferença faz que estes filósofos se oponham à ideia de que os animais têm direitos, ou à ideia de que é um mal moral fazê-los sofrer, porque na realidade acabam por defender que não devemos ser cruéis para com os animais.

Ora, o que é interessante é saber se, nestas condições, temos alguma razão ética para ser vegetarianos. E a resposta que quero defender é que temos. Hoje temos acesso a um vasto leque de produtos vegetarianos que nos permitem ter uma dieta pelo menos tão saudável, variada e saborosa como uma dieta que inclua carne e peixe. De modo que o fardo da prova está muito mais do lado de quem quer continuar a comer peixe e carne. Que argumentos podemos apresentar a favor de uma dieta que inclua carne e peixe?

Razões para comer animais

Um primeiro argumento é o de que basta os animais não terem direitos ou os seus interesses não terem peso moral para que estejamos moralmente autorizados a comê-los. Mas este argumento está errado, e mesmo os filósofos que se opõem à ideia de que os animais têm direitos ou interesses com peso moral acham que este argumento está errado. O argumento está errado porque as nossas acções não são apenas moralmente boas ou más pelo mal ou bem que fazemos aos outros, mas também pelo que essas acções nos fazem a nós. Uma pessoa cujo modo de vida inclua torturar animais por prazer tem um perfil moral pior do que uma pessoa que conduza uma vida tanto quanto possível sem crueldade. A crueldade é, em si, eticamente inaceitável, ainda que o objecto da nossa crueldade não tenha direitos nem interesses com peso moral. Para os consequencialistas, a crueldade é um mal moral em virtude das consequências que é legítimo prever; para os não consequencialistas, é um mal porque a intenção de quem tortura por prazer é em si moralmente inaceitável, ainda que as suas consequências morais sejam nulas. Se multiplicarmos a crueldade, tornando-a uma indústria, como é o caso da indústria alimentar, teremos uma situação eticamente indefensável tanto para consequencialistas como para não consequencialistas.

Em resposta a este argumento, o defensor da dieta que inclua carne e peixe pode sublinhar que apesar de o modo como a indústria trata os animais ser inaceitável, em princípio poderíamos ter uma indústria mais humana, que minimizasse o sofrimento provocado aos animais; e, nesse caso, comer carne e peixe seria eticamente aceitável. Este é um dos argumentos mais usados, contra o qual se levanta o argumento minimalista a favor do vegetarianismo. Mesmo alguns defensores do igual peso moral dos interesses dos animais defendem que seria eticamente correcto comer carne e peixe desde que tal prática não provocasse sofrimento nos animais. Para apresentar o que me parece estar errado nesta posição vou recorrer a uma experiência mental.

Imagine-se que todos os meses vou passar um fim-de-semana ao campo e que ao passar por um dado caminho atropelo sempre uma raposa; por um motivo qualquer, há sempre raposas naquele caminho particular e eu conduzo sempre de maneira a não evitar atropelar as raposas. Todavia, bastar-me-ia desviar ligeiramente a trajectória do carro para não matar a raposa. Parece-me que este curso de acção é eticamente inaceitável, ainda que as raposas não tenham quaisquer direitos nem os seus interesses tenham peso moral. Se nada me custava desviar ligeiramente a minha trajectória, a minha insistência em matar todos os meses uma raposa é eticamente inaceitável.

Sustento que esta situação é análoga ao que temos hoje relativamente aos animais. Nada custa alterar muito ligeiramente o nosso estilo de vida, deixando de comer carne, peixe e produtos lácteos. Persistir em fazê-lo, ainda que os animais não tenham direitos nem interesses com peso moral, é moralmente equivalente ao atropelamento das raposas. Ora, argumentar que podemos comer carne e peixe desde que encontremos formas de eliminar o sofrimento dos animais é equivalente a dizer que é moralmente aceitável que eu atropele as raposas, desde que tome medidas para que elas morram sem sofrer. Contudo, é absurdo pensar que alguém se possa dar ao trabalho de tentar garantir que as raposas morram sem sofrimento com o atropelamento, quando é muitíssimo mais simples desviar a trajectória. O ponto importante é precisamente a facilidade com que podemos mudar de dieta, de uma semana para a outra, sem com isso perdermos a variedade, o requinte e o valor alimentar da nossa dieta. Nada custa ter um estilo de vida que exclui a crueldade para com os animais. Na verdade, é um pouco desesperante que seja tão difícil persuadir alguém a tornar-se vegetariano por motivos éticos, ao passo que é muito fácil persuadir as pessoas a tornarem-se vegetarianas por motivos exclusivamente dietéticos.

O ponto importante da minha experiência mental é que não faz sentido, moralmente falando, conceber e pôr em prática formas cada vez mais sofisticadas de criar e matar sem fazer sofrer os animais que queremos comer. Não faz sentido dado que fazer isso é muitíssimo mais trabalhoso do que o abandono puro e simples da alimentação que inclua carne, peixe e lacticínios. O aspecto que quero sublinhar torna-se talvez mais claro se pensarmos em animais com os quais mantemos uma relação especial, como os cães e gatos. Admitindo que os cães e gatos não têm quaisquer direitos nem interesses com peso moral, criar cães e gatos em boas condições para depois os matar sem sofrimento para os comer não é, todavia, eticamente aceitável; é cruel e desumano, mesmo que não façamos tais animais sofrer.

Um contra-argumento a esta ideia é o seguinte: só porque na nossa cultura temos uma relação de grande proximidade com cães e gatos é que poderemos achar eticamente inaceitável matá-los para comer. Noutras culturas é comum criar cães, por exemplo, para comer.

A resposta a este contra-argumento é a seguinte: o facto de estarmos mais próximos de cães e gatos mostra precisamente que se dermos atenção aos animais que nos dispomos a matar para comer, ao invés de pensarmos neles apenas como um produto que se compra no supermercado, as nossas intuições éticas vão no sentido de não matar nem comer esses animais. A cultura é um filtro poderoso, que nos pode cegar para o que é fácil compreender ser inaceitável, se o considerarmos imparcialmente. A escravatura é um caso extremo; o facto de estar culturalmente instituída fez pessoas que de outro modo eram eticamente justas ficar cegas para a injustiça do esclavagismo. O mesmo acontece no caso da desigualdade das mulheres, e dos seus direitos mais básicos, como o direito a votar. Assim, a cultura actual não nos cega em relação a cães e gatos, quando nos faz pensar ser eticamente inaceitável comê-los, ainda que eles não tenham direitos; ao invés, cega-nos, ao fazer-nos pensar que comer outros tipos de animais é eticamente aceitável.

O argumento da lei da selva

Um segundo tipo de argumento a favor de incluir animais na nossa alimentação é o seguinte: se nós não consumirmos os animais que consumimos, como vacas, porcos, peixe, galináceos e outros animais, serão os seus predadores naturais a comê-los. Assim, esses animais serão igualmente mortos, por vezes com bastante sofrimento, com a única diferença de que não serão mortos e criados por nós com vista a alimentar a nossa dieta. Dado que esses animais serão em qualquer caso mortos e comidos, não pode ser eticamente inaceitável que sejamos nós a matá-los e comê-los.

A resposta a este argumento é a seguinte: se deixarmos a natureza correr o seu curso, os seres humanos farão muitas vezes parte da ementa dos seus predadores naturais; mas daí não se segue que seja eticamente aceitável matar e comer seres humanos. Claro que se pode argumentar que isso acontece unicamente porque os seres humanos têm direitos ou interesses com peso moral, ao passo que os animais não os têm (relembre-se que esta é a nossa hipótese de partida). Contudo, apesar de sabermos que os cães e os gatos têm predadores naturais, não estamos por isso dispostos a matá-los para os comer. Não é por isso verdade que basta que os animais não tenham direitos ou interesses com peso moral e que tenham predadores naturais para que seja eticamente aceitável matá-los para os comer. O mundo da natureza é brutal e selvagem; faz parte da civilização e da reflexão ética adoptar práticas diferentes das do mundo da natureza, onde reina a lei do mais forte. Procurar orientação moral no mundo da natureza é algo que tanto os filósofos consequencialistas como os não consequencialistas não fazem. Na natureza, os animais fazem todo o tipo de coisas que não estamos dispostos a imitar, e não há razão para os imitar neste caso em particular só porque queremos comer um bife grelhado, que podemos facilmente substituir por uma boa feijoada vegetariana. Assim, também este argumento é insuficiente para justificar eticamente a nossa dieta baseada em carne e peixe.

O argumento da exequibilidade

Um terceiro tipo de argumento a favor da inclusão de animais na nossa dieta é o seguinte: em muitas culturas, como a esquimó, é pura e simplesmente impossível sobreviver sem comer e matar animais para todo o tipo de fins. Logo, o vegetarianismo falha em obedecer a um axioma fundamental da ética: o impossível não pode ser um dever moral.

A resposta a este argumento é a seguinte: colocados em certas situações, alguns seres humanos já se viram na necessidade de comer os seus mortos, ou de matar os seus companheiros para comer. Daqui não se segue que tais práticas se possam aceitar em geral; são talvez aceitáveis em certas situações, mas precisamente porque são em qualquer caso horríveis, procuramos orientar a nossa vida de modo a que não ocorram. Ora, o mesmo podemos dizer de culturas que dependem fortemente da crueldade. Grande parte da história da humanidade baseou-se na exploração cruel de escravos para conseguir feitos que hoje consideramos admiráveis, como as pirâmides do Egipto. Mas daqui não se segue que devemos preservar este tipo de culturas cruéis; pelo contrário, devemos reformar essas culturas de modo a que as suas práticas cruéis desapareçam, dando lugar a uma cultura mais humanitária. Por outro lado, o vegetarianismo é praticado em muitas culturas humanas. Uma das vantagens do estado de conhecimento geral das culturas humanas a que chegámos é o de podermos escolher as melhores práticas de entre elas. É verdade que em muitas situações um ser humano não pode subsistir sem comer carne ou peixe, por não ter à sua disposição produtos adequados para uma dieta vegetariana equilibrada. Mas numa sociedade da abundância como é o caso da ocidental, que é precisamente onde se come mais carne e peixe, é tão fácil ser vegetariano como não o ser: em ambos os casos, basta ir ao supermercado.

Argumentos remotos

Chamo “remotos” a um quarto tipo de argumentos a favor do consumo de animais; são remotos no sentido em que exploram possibilidades remotas. Eis alguns desses argumentos: ainda que nos abstivéssemos de matar animais para comer, poderíamos criar um sistema que nos permitisse comer os animais mortos pelos seus predadores naturais. Ou poderíamos distinguir entre os animais que provavelmente não têm a possibilidade de sentir dor ou sofrimento, que aceitaríamos matar e comer, e os outros. Assim, não mataríamos vacas, porcos, aves ou peixe, mas mataríamos moluscos para comer, por exemplo.

A resposta a este tipo de argumentos é sublinhar o facto de o consumo de animais ser perfeitamente supérfluo; os seres humanos não precisam de consumir animais para ter uma dieta variada, saudável e rica. Explorar algumas possibilidades remotas é pura e simplesmente inútil. Talvez os caracóis, por exemplo, não tenham um sistema nervoso suficientemente desenvolvido para sentir dor e sofrimento quando são cozidos vivos. Mas não há qualquer razão para os continuarmos a comer quando podemos comer muitos outros petiscos inteiramente vegetarianos. É neste sentido que afirmei que, num certo sentido, o melhor argumento a favor do vegetarianismo é um bom livro de receitas vegetariano, ou um bom restaurante vegetariano. Quando descobrimos a enorme variedade de pratos vegetarianos não sentimos pura e simplesmente qualquer necessidade de complementar a nossa dieta com produtos de origem animal. Só uma cultura excessivamente baseada em produtos de origem animal nos pode fazer pensar o contrário — como talvez nas culturas em que é normal comer cães seja difícil de conceber uma dieta que não os inclua.

Outro tipo de argumento remoto é defender que se não consumíssemos animais, existiriam muitíssimo menos galinhas, porcos e vacas do que existem. Uma vez mais, este argumento é insuficiente contra o vegetarianismo; sem dúvida que existiriam menos animais domésticos, mas existiria mais vida selvagem, cuja observação é cada vez mais uma fonte de grande prazer para grande parte dos seres humanos.

Conclusão

Em conclusão, não me parece que haja quaisquer razões a favor do consumo de animais, mesmo sob a hipótese de os animais não terem quaisquer direitos nem interesses com peso moral. Há dois factores que conduzem a esta conclusão: por um lado, é muito fácil ter uma dieta vegetariana rica, variada e saudável; por outro, matar animais para comer é um acto cruel. A conjunção destes dois factores torna muito difícil defender a ética do consumo de animais. Claro que não será impossível de defender; com um pouco de criatividade podemos encontrar argumentos para tudo, que, ainda que muito maus, podem parecer convincentes — basta pensar nos argumentos nazis a favor do Holocausto. É por isso que concluo com um argumento cautelar: ainda que se levantem alguns argumentos a favor do consumo de animais, o facto de uma dieta vegetariana ser tão fácil, variada, rica e saudável deve levar-nos a recusar o consumo de animais como uma medida de cautela moral. Mais vale errar porque podemos consumir alguns animais de que nos abstemos, do que errar porque consumimos alguns animais de que nos devíamos eticamente abster.

© Desidério Murcho
Comunicação apresentada no colóquio “A Ética e a Defesa dos Animais não Humanos” (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 21 e 22 de Maio de 2002)

Referências
Fox, Michael Allen (2002) “The Moral Community” in Ethics in Practice: An anthology, ed. by Hugh LaFollette, Blackwell, Oxford.
Oderberg, David (2000) “Animals” in his Applied Ethics: A non-consequentialist approach, Blackwell, Oxford.
Todos os direitos reservados. Só é permitido reproduzir este texto caso se cite a sua origem (“Texto originalmente publicado em http://www.criticanarede.com”) e caso seja reproduzido em publicações não-comerciais.

 

2 Respostas so far »

  1. 1

    […] chama “Moral Vegetarianism from a Very Broad Basis“. Com essa mesma intenção, temos o artigo do filósofo português Desidério Murcho, que argumenta a favor dos direitos animais sem se […]

  2. 2

    […] total do uso de animais. Em parte, justifico acusando também essas de causarem sofrimento desnecessário, de modo bem parecido com o argumento original, mas alterando a segunda premissa. Mas não somente […]


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