A dieta anti-infarto dos Esquimós

A Saúde dos Esquimós

Nenhuma população do mundo inclui tanta gordura na dieta como os esquimós. E apesar disso eles apresentam a mais baixa taxa de doenças coronarias. Isto porque quase toda a gordura que consomem são insaturadas, provenientes do peixe e da foca.

• Os esquimós comem basicamente peixes de águas frias, cozidos ou crus, que contêm grande quantidade de ômega-3, um ácido graxo poliinsaturado. O ômega-3 existe nas algas-marinhas, que servem de alimento para este tipo de peixe.

ACIDOS GRAXOS OMEGA 3

A pesquisa sobre os ácidos graxos poli-insaturados ômega 3 começou a partir de estudos sobre a dieta dos esquimós, tendo por base evidências epidemiológicas de menor incidência de doenças cardiovasculares neste grupo. Interessantemente trata-se de uma dieta cuja base é carne crua de diversos animais.

Descobriu-se então que o fator de proteção são alguns os ácidos graxos ômega 3, presentes em grande quantidade em alguns peixes de regiões frias, principalmente salmão, atum e truta, consumidos abundantemente pelos esquimós.

Se não forem consumidos a partir de fontes externas que são peixes gordurosos de regiões frias, e alguns óleos vegetais como os de nozes e linhaça, estes compostos não são produzidos no corpo humano.

Eles diminuem os níveis de colesterol total, e mais ainda os níveis de triglicérides. Como a uma redução nos níveis de triglicérides corresponde um aumento nos níveis de HDL, este é outro benefício que eles proporcionam. Além disso, estes ácidos graxos funcionam como antiagregantes plaquetários. Pesquisa-se também um efeito vasodilatador direto, aparentemente, em doses muito altas, os omega-3 funcionam como hipotensores. Ao que tudo indica os efeito variados destes ácidos graxos ocorrem porque eles servem como tijolos para formar eicosanóides e prostaglandinas, substâncias que atuam como mediadores de várias funções, inclusive no controle da pressão arterial e do metabolismo lipídico.

Em 1999 foi publicado artigo italiano mostrando que o consumo de um cápsula diária de óleo de peixe diminui em 10% o risco de eventos cardiovasculares(IAM,AVC,morte) em homens com IAM prévio. Nos ´guidelines´ dietéticos de outubro de 2000, da American Heart Association incluiu pela primeira vez, duas porções semanais de peixes gordurosos como atum ou salmão. O consumo de peixe traz uma vantagem dupla: além de trazer os benefícios do consumo de ácidos graxos ômega 3, leva a um menor consumo de carne, e portanto, menores níveis de gorduras saturadas e colesterol.

• Prefira peixes de águas frias: salmão, bacalhau, atum, truta. São peixes de águas quentes: linguado, congro, pescada, garoupa, camarão, lagosta.

Referências Bibliográficas:
Recorte de Revista NSP (número desconhecido)
Site Classiclife – http://www.classiclife.com.br
Sociedade Brasileira de Hipertensão – http://www.sbh.org.br/publico/informacoes/faq/resposta14_omega.htm

Governo brasileiro quer mais e mais açúcar

Ministérios brasileiros divergem quanto à redução do consumo de açúcar

A Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs em fevereiro de 2005 a “Estratégia Global para Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde” que prevê entre outras coisas a diminuição do consumo de açúcar. A Assembléia Mundial de Saúde submeterá à votação, em 17 de maio, um documento a ser encaminhado aos governos e que inclui propostas para que combata doenças como obesidade, diabetes e outras doenças relacionadas aos hábitos alimentares. Apesar do prazo, o governo brasileiro ainda está estudando como chegar a um consenso, já que os Ministérios da Saúde e da Agricultura defendem interesses aparentemente conflitantes. O Brasil é o maior produtor de açúcar, devendo produzir neste ano cerca de 24 milhões de toneladas deste produto.

O grupo de trabalho brasileiro, formado por representantes da Casa Civil e dos Ministérios da Saúde, Agricultura, Desenvolvimento, Relações Exteriores e Reforma Agrária, tem até o próximo dia 12 para elaborar seu documento. “Estamos programando reuniões com o Ministério da Saúde para ver qual é a posição formal do Brasil em relação a isso”, diz Ângelo Bressan Filho, diretor do departamento do açúcar e do álcool do Ministério da Agricultura.

A campanha mundial quer incentivar governos a adotarem políticas que ajudem as pessoas a mudarem o estilo de vida. “A proposta da OMS não é simplesmente diminuir o consumo do açúcar. É uma ação muito mais profunda e responsável que visa melhorar os hábitos alimentares, estimular a atividade física, desta forma prevenindo doenças e melhorando a saúde da população. Se não houver participação do governo, estas metas não serão atingidas”, declara Henrique Suplicy, vice-presidente da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade.

A estratégia traçada pela OMS inclui maiores impostos e políticas de preço para que o consumo de açúcar seja reduzido no mundo. “Não vejo como países podem criar impostos sobre o consumo de açúcar. Mudar hábitos alimentares criando impostos, não me parece viável inclusive do ponto de vista político. Seriam decisões muito antipáticas para os consumidores, será que o mundo fará isso?”, questiona Bressan.

“Interesses econômicos não devem ter precedência sobre a saúde e o bem estar da população”, enfatiza Suplicy, lembrando que a obesidade isoladamente causa a maior mortalidade em relação a outras doenças, além de acarretar inúmeras doenças que podem levar à morte, como é o caso da diabete tipo 2, hipertensão arterial, doenças coronariana, doença cérebro-vascular e vários tipos de câncer.

De acordo com a OMS, a obesidade atingiu proporções epidêmicas desde o final do século passado: são 300 milhões de pessoas consideradas clinicamente obesas no mundo e outras 750 milhões estão acima do peso ideal. Dentro desta população seriam cerca de 22 milhões de crianças com idade inferior a cinco anos, de acordo com informações de Mary Bellizzi, especialista da Força-Tarefa Internacional da Obesidade. No Brasil, a obesidade infantil passou de 3% para 15% nas últimas duas décadas, segundo mostrou um estudo publicado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Economia
Desde 1990, o Brasil está entre os dez maiores produtores de açúcar do mundo, alcançou a primeira colocação na safra 2002/2003, quando produziu 22.380 mil toneladas. O país exporta 60% do açúcar que produz, devendo exportar 15 milhões de toneladas nesse ano. O Estado de São Paulo, maior produtor nacional de cana-de-açúcar, detém quase metade das 300 usinas e destilarias que compõe atualmente o setor de açúcar e álcool no Brasil.

Para Ângelo Bressan Filho, imputar o açúcar sem que haja critérios bem definidos de como isso deve ser feito não interessa ao país. “Se o mundo passasse a se comportar de acordo com o que está sendo previsto pela OMS, o consumo de açúcar poderia cair em torno de cinco milhões de toneladas por ano, o que traria um efeito econômico forte que poderia eventualmente criar sérios problemas nas áreas de cana-de-açúcar, que utiliza muito trabalho na colheita”, diz Bressan que também informa que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) posicionou-se contra a medida da OMS por alegar não haver pesquisas científicas que confirmem suas afirmações.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade, países que não concordaram com a Estratégia da OMS no início do ano – como Estados Unidos, Brasil, Índia, Ilhas Maurício – não perceberam que, em médio e longo prazo, tornará a população mais saudável, resultando na diminuição do uso do sistema de saúde.

Atualizado em 07/05/04
Fonte: Com ciencia

Açúcar e Solidão

Açúcar X Solidão 
Fonte: Revista da Folha – Folha de São Paulo – Data: 28.02.99 

Nós fomos compulsivas por doces. Nossa mãe às vezes deixava de comprar doces, mas nós tínhamos estoque de chocolate no armário. Também passávamos na padaria para comer cinco doces de uma vez” , Ana Estel Greinja Nogueira, 16, estudante (à esq.) e Ana Cláudia Greinja Nogueira, 26, ginecologista.

Atire a primeira pedra quem nunca atacou a geladeira de madrugada, devorou um litro de sorvete de chocolate em 15 minutos e se sentiu o pior da espécie logo depois.

Se serve de consolo, essa súbita vontade de comer em quantidades astronômicas atinge de maneira crônica por volta de 2% dos norte-americanos (de 1 a 2 milhões de pessoas) e, no Brasil, um terço dos obesos.

O comportamento, conhecido desde a década de 50, mas ainda pouco estudado, já tem nome científico: BED (Binge Eating Disorder, compulsão alimentar periódica -binge pode ser traduzido por farra).

As pessoas que apresentam os sintomas de BED provocam “orgias alimentares: comem grandes quantidades em pouquíssimo tempo -podem passar de 20 mil calorias (o equivalente a 80 coxinhas) em menos de duas horas. Os “ataques” acontecem pelo menos duas vezes por semana, durante um período de, no mínimo, seis meses. Outra característica da BED é que, logo depois da comilança, a pessoa se sente culpada e deprimida.

Vítima desse problema, a dentista Roseli Schultz, 29, era capaz de comer 13 pedaços de pizza rapidamente, trancava-se no banheiro para devorar bombons que escondia dentro dos rolos de papel higiênico e liquidava uma travessa de brigadeiro em 15 minutos, “até arder a garganta”. “Depois da crise, tinha raiva de mim mesma, me batia, dava socos e puxava meu próprio cabelo”, conta.

Roseli sentia vergonha de sua voracidade e tentava camuflar suas compulsões. Misturava, por exemplo, água nas garrafas de Coca-Cola para disfarçar o quanto havia bebido. “Para ninguém descobrir que tinha devorado uma caixa inteira de bombons, não jogava os papéis no lixo, escondia embaixo do sofá. Uma vez, quando o sofá foi reformado, acharam uma quantidade enorme de papéis de bombons”, lembra.

Vergonha é um sentimento comum entre as vítimas de BED, que adotam subterfúgios para esconder os abusos: comem escondidos, em horários estranhos e muito rápido.

A química Maria Eliza Zuccon, 57, não poupava esforços para esconder a quantidade de bolachas que comia durante o dia. “Colocava os pacotes vazios no fundo do lixo”, conta.

Sua compulsão fazia com que deixasse bolachas espalhadas pela casa toda. “Tinha nos bolsos, no porta-luvas do carro, em toda parte. Mas sempre levava apenas um pacote comigo, para mostrar aos outros que comia pouco. Ou punha a culpa nas crianças, dizendo que elas queriam”, diz Maria.

A “paixão” por bolachas começou quando, aos 13 anos, foi transferida para um colégio interno. “Antes, não gostava de comida, e minha mãe sofria com isso. Comecei a associar comida com aceitação. Achava que as pessoas gostariam mais de mim”, diz.

Ela só se livrou do vício aos 42 anos, quando atingiu os 80 kg e decidiu fazer um programa de reeducação alimentar. Nas refeições, na frente dos outros, quase não comia. Mas, quando tinha os ataques, era capaz de acabar com pacotes e mais pacotes de bolachas. “Gostava de colocar recheios, como leite condensado, geléias ou patês nos biscoitos salgados”, conta Maria, que está com 63 kg e consegue agora comer “apenas uma bolacha”.

Um quilo de amendoim e açucar puro

“Colocava água na garrafa de Coca-Cola para não denunciar o quanto havia bebido do refrigerante e escondia bombons dentro dos rolos de papel higiênico no banheiro. Depois sentia muita raiva de mim, me batia” ,Roseli Schultz, 29, dentista.

As causas de BED são quase sempre emocionais. “Os desencadeadores são, geralmente, sentimentos negativos, como carência, ansiedade e tristeza”, afirma a psicóloga Maria Beatriz Ferrari Borges, do Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

No caso da dentista Roseli Schultz, o tédio era um fator importante. Aos 20 anos, achava que já tinha alcançado os dois grandes objetivos de sua vida -estava casada e formada- e sentia-se Éfeliz, mas vazia”. “Trabalhava de manhã, mas passava as tardes em casa. A ociosidade contribuiu para os meus ataques de gula”, conta Roseli, que chegou aos 84 kg (hoje está com 59 kg) e se tratou com um grupo de reeducação alimentar.

A advogada Renata, 31, costumava levantar mais de uma vez durante a madrugada para assaltar a geladeira. “Quando não achava doce, virava o açucareiro puro. No dia seguinte, acordava com culpa e sentia tanta tristeza que não conseguia levantar da cama”, conta Renata, que não revela seu sobrenome porque participa do grupo Comedores Compulsivos Anônimos.

Ela descobriu, após um ano de tratamento no Ambulatório de Transtornos Alimentares do Hospital São Paulo (Proata/Proad), que comia exageradamente porque queria “extravasar a raiva na comida”. “Agora, trabalho para me perdoar. Sentia falta de amor próprio, insegurança. As pessoas exigiam que eu fosse sempre a melhor, mas nem sempre conseguia”, diz Renata, que tem 1,50 m e chegou a engordar 40 kg.

O “X” da questão é descobrir o que vem primeiro: a depressão ou a compulsão. A pessoa come muito porque está triste ou fica triste porque comeu demais? “Apenas recentemente essa compulsão começou a chamar a atenção dos médicos. Notou-se que os obesos com BED tinham maior comprometimento psiquiátrico”, diz o psiquiatra Táki Cordás, coordenador-geral do Ambulim (Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares) do HC.

Os pesquisadores começam a desconfiar de que não são apenas fatores psicológicos como ansiedade e carência que provocam a compulsão.

Os mecanismos neurofisiológicos que regulariam esse comportamento ainda são pouco conhecidos, mas há a hipótese de que as variações de serotonina podem desencadear a compulsão. Serotonina é um neurotransmissor (substância que faz a ligação entre as células nervosas) que regula, entre outras coisas, o humor, a ansiedade, o apetite e o sono.

A ingestão de carboidratos é um dos fatores que interferem na produção de serotonina. “Quando uma pessoa come carboidratos, um brigadeiro, por exemplo, o corpo libera insulina, que facilita a passagem de um tipo de aminoácido (chamado de triptofano) para o cérebro, onde ele vai induzir a produção de serotonina”, explica Cordás. Com mais serotonina, a pessoa se sente calma, satisfeita e saciada.

A hoje orientadora nutricional Adela Ramos Pares Martim, 42, conta que, quando sofria de BED, sentia compulsão por alimentos ricos em carboidratos, como pão, pizza, massas, macarrão e sorvete.

Apesar de nunca ter sido obesa (“ficava, no máximo, gordinha”), Adela sofreu crises de compulsão dos 14 aos 37 anos. Comia pizzas inteiras, muita pipoca e até 1 kg de amendoim.

Hoje, 10 kg mais magra, ela se considera uma pessoa normal, apesar de ainda sentir às vezes crises de compulsão. “De vez em quando, bate uma carência afetiva ou algum estresse, e a vontade volta. Quando me descontrolo, minha família já sabe: precisam tirar o que estou comendo da minha frente à força.” Muita pizza

O distúrbio atinge mais o sexo feminino -na proporção de três mulheres para dois homens- e aparece normalmente na adolescência. “É nessa fase que as pessoas começam a fazer regime e, se não há orientação adequada, passam a desenvolver esse comportamento compulsivo. Ele se assemelha à bulimia, mas não há vômitos e uso de laxantes”, explica a psiquiatra Susan Yanovski, do Departamento de Distúrbios Alimentares do Instituto Nacional de Saúde, dos EUA.

O estudante Leandro César Mendes, 14, foi uma exceção. Ele começou a ter ataques compulsivos muito cedo, com 9 anos. “Às vezes, sentia o cheiro de pizza e aquilo ia me dando uma vontade, um desejo muito grande. Só pensava naquilo o dia inteiro, até que ia para um restaurante e comia dez pedaços de uma só vez.”

Leandro, que só tinha compulsão por salgados (pizzas, pães, coxinhas), chegou a passar mal de tanto comer. “Mesmo depois de um ataque, chegava em casa e ainda ia almoçar”, conta.

Há um ano, pesando 114 kg, Leandro decidiu fazer uma reeducação alimentar e já conseguiu perder 42 kg. “Não consigo nem ter noção de quanto comia. Eram quantidades tão absurdas que hoje parece que era outra pessoa que comia aquilo. Eu tinha perdido totalmente o referencial.”

O garoto diz que a comida servia como forma de compensação. “Quando tinha que fazer coisas chatas, como lição-de-casa, comia depois para me dar um prêmio”, diz Leandro, que ainda quer perder 6 kg.

Embora o distúrbio seja comum entre obesos, a psiquiatra Susan Yanovski, dos EUA, não recomenda dietas nesses casos. “É preciso primeiro tratar as causas, porque um regime tende a estimular o comportamento compulsivo”, disse Susan.

Não é difícil entender. Qualquer pessoa que já fez dieta sabe que, depois de um mês sem chocolate ou pizza, é muito fácil devorar uma caixa inteira de bombons ou oito pedaços de uma só vez.

“Quando você percebe, está comendo até o estômago doer”, conta a estudante Ana Estela Greinja Scarabelo Nogueira, 16. Ana não tinha compulsão por um alimento específico, mas passava o dia inteiro comendo, indo dos salgados para os doces, e de volta para os salgados, sucessivamente. “Começou há dois anos, quando estava em uma fase difícil com os meus pais e não me sentia aceita pelos meus amigos”, diz.

A garota engordou 15 kg até decidir pedir ajuda à irmã mais velha, a médica Ana Cláudia, que já tinha tido sofrido do mesmo problema. “Eu não almoçava nem jantava, mas era capaz de acabar com três barras de chocolate tamanho família de uma vez”, conta Ana Cláudia.

Se ela tivesse uma torta na frente, comia inteira. Se fosse uma caixa de bombons, deixava só os papéis. “Só parava quando acabava.” Escondia também latas de leite condensado no armário para o caso de sua mãe proibi-la de comer doces. As irmãs conseguiram se curar no Vigilantes do Peso. Emagreceram -Ana Cláudia perdeu 20 kg, a caçula, 10kg-, mas não abandonaram a dieta. “O mais importante é cuidar da cabeça”, diz a médica. Bicicleta e chocolate

A personal trainer Mariana Vaccari, 21, 1,65 m e 55 kg, é um exemplo de magra que foi vítima da compulsão alimentar. Atleta e pregadora de hábitos saudáveis à mesa, Mariana “saía do sério” quando o assunto era chocolate. “Começava com inofensivas trufas, passando por barras e caixas de bombons”, conta.

O BED apareceu aos 17 anos, quando, em tardes ociosas, levava para casa o “fruto proibido” para comê-lo escondido. “Em meia hora, acabava com uma caixa de bombom sem perceber e continuava me sentindo vazia”, diz.

Como consequência das crises, ganhou 12 kg. “Achava que o chocolate era a única coisa que podia me dar prazer. Era uma auto-punição”, afirma.

Depois de entrar para um grupo de reeducação alimentar, Mariana conseguiu contornar as crises, conscientizando-se das causas e também reforçando os exercícios aeróbicos.

Como as causas ainda não são conhecidas, os especialistas sugerem um tratamento multidisciplinar, com terapia associada a remédios -normalmente antidepressivos- além de orientação nutricional e avaliação endocrinológica.

Os Comedores Compulsivos Anônimos (CCA) acreditam que o episódio da compulsão se dê em três minutos -muitas vezes, “dá um branco” e a pessoa não registra o que está acontecendo. Controlado esse período, a crise pode ser contornada. No momento do sufoco, a advogada Renata, do grupo, diz que telefona para algum amigo para desabafar. Não resolvendo o problema, lê livros sobre compulsão e, quando “se sente totalmente impotente”, reza.

Já a assistente social Dinéia, sua colega no grupo, faz um compromisso de abstinência de uma semana (um dos métodos do CCA) e se propõe a contar a todos se comer uma mísera balinha. Para ela, também surte efeito sair para caminhar- mas, é claro, sem levar dinheiro.

Índice Gligêmico

ÍNDICE GLICÊMICO

Comidas com Índice Glicêmico alto fazem o corpo produzir quantidades enormes de Insulina.

Para quem não sabe o Índice Glicêmico (IG) é um fator que diferencia os carboidratos. Este índice está relacionado com o nível de açúcar no sangue, ou seja, toda vez que ingerimos carboidratos estes entram na corrente sanguínea com diferentes velocidades, com isso podemos classifica-los de acordo com sua habilidade em promover esta entrada.

Quanto mais rápido, maior vai ser a descarga de insulina, pois o corpo tenta manter o equilíbrio. Esta escala está relacionada em porcentagens de uma comida padrão,que no caso é o pão branco que tem valor igual a 100.
Comidas que afetam pouco a resposta de insulina no sangue são chamadas de baixo valor glicêmico, e as que tem descarga alta, de alto valor glicêmico, algumas possuem um valor até mais alto que o pão branco.

Porque isto é importante? Se você come comidas com IG alto o corpo lança quantidades enormes de insulina, para manter normais os níveis de açúcar, a insulina é um hormônio que tem o poder de levar o açúcar para dentro dos músculos na forma de glicogênio, mas estes depósitos têm uma capacidade limitada, por série complexa de reações, todo o excesso de glicose no sangue é convertido em ácidos gordurosos e triglicérides, que subseqüentemente é armazenado na forma de gordura.

O que é pior, é que se você continua comendo sempre comidas de alto IG seu corpo começa a adquirir uma certa resistência á insulina. Seus receptores vão deixando de metabolizá-lo de forma ideal, então seu corpo para compensar começa a produzir uma quantidade ainda maior de insulina.

Pessoas com resistência a insulina têm seu índice de glucagon também alto, glucagon é o hormônio antagônico a insulina, ou seja faz o papel inverso ao da insulina, quando o nível de açúcar sanguíneo está baixo ele retira o glicogênio dos músculos para normalizar a taxa sanguínea.

Em resumo, pessoas com insulina resistentes são tipicamente mais gordas que o ideal com menos massa magra (músculos).Hoje as pessoas continuam se tornando mais gordas apesar das comidas serem livres de gorduras (fat-free).
Vejamos um pouco da história.Antes do Século XVII, os grãos para se fazer pães eram moídos de forma artesanalmente,assim a granulometria ficava grandes e os pães pareciam que continham areia.Quando veio os moedores de alta velocidade conseguiu se uma farinha muito mais refinada e pães muito mais bonitos e macios como os de hoje.A partir daqui, o número de diabetes aumentou consideravelmente ao redor do mundo.

O que aconteceu ?!

Como o refinamento dos grãos, os carboidratos presentes passaram a ser absorvidos com muito maior rapidez, maior até que o açúcar comum,com isto estourando a produção de insulina leva aos problemas acima descritos.
Muitas outras coisas além da granulometria interferem no índice glicêmico, embora haja muitas fat-free no mercado, isto está ajudando as pessoas ficarem mais obesas, se você retira a gordura dos alimentos as partículas de carboidratos são absorvidas muito mais rapidamente. Agora se você associa as duas coisas-farinhas refinadas e sem gordura, você produz alimentos com IG inacreditáveis.

Por isso bolachas fat-free, pão branco, bolos de arroz e até mesmo batata assada, não são boas comidas.O cozimento também é um fator que aumenta o IG.

Há algumas regras que podem melhorar seu cardápio, você deve evitar carboidratos altamente processados.

Tente comer um pouco de gorduras boas (EFA’S) junto com seu carboidrato, se você tem que comer carboidrato processados que tal colocar um pouco de cada macroniente junto, ou seja, tente sempre comer comidas em combinação, carboidratos, gorduras e proteínas em conjunto.

A comida ideal seria uma comida onde você não altere muito o nível de açúcar sanguíneo.

O interessante é que você pode usar este efeito a seu favor, logo o treino seu corpo está pedindo por carboidratos, aminos, creatina e tudo mais que você possa oferecer, portanto neste período ou “janela de oportunidade”, deve-se então ingerir carboidrato com o maior índice glicêmico possível como a Dextrose que tem sua fórmula química idêntica a da glicose sanguínea e um IG = a 137, junto com aminos ou uma proteína de fácil digestão como a whey protein e mais creatina, pois estudos demonstraram que creatina junto com carboidrato de alto IG tem uma utilização muitas vezes melhor do que tomada pura.

É que a insulina é um hormônio altamente anabólico e se você une as duas coisas, a necessidades do seu corpo mais a força da insulina em “empurrar” aminos, cretina e carboidrato para dentro dos depósitos musculares,faz com que esta seja talvez a mais importante refeição do atleta moderno.

Durante todas as outras refeições, deve-se manter o índice glicêmico o mais estável possível,somente no pós treino é que se utiliza o artifício de alto IG.

Um provável erro que muitos atletas cometem na preparação para um campeonato, é na chamada super compensão de carboidratos, onde – se come muito carboidrato simples, causando descargas de insulina o dia todo e se o músculo não conseguir absorver toda a glicose sanguínea, resulta em armazenamento de gordura, que é justamente o que se quer evitar prestes a uma competição.

Por isso segue uma pequena lista de carboidrato e seus respectivos valores de IG.

Lembrando só que estes valores são puros, se você adiciona gordura e proteína,você consegue baixar consideravelmente, com esta matéria esperamos que você consiga montar melhor seu cardápio, afim de atingir suas metas.

PRODUTOS DE PADARIA
Bolo de banana feito com açúcar————67
Bolo de batata—————————–77
Bolo de banana feito sem açúcar————79
Pizza de queijo—————————-86
Muffins————————————88
Bolo, pudim de leite condensado————93
Croissant———————————-96
Bolo comum———————————98
Donuts————————————108
Waffle————————————109


BEBIDAS
Soja leite———————————43
Laranja————————————94
Fanta————————————–97

PÃES
Aveia Farelo de trigo & Pão de mel———43
Núcleo de cevada, pão———————-55
Núcleo de centeio, pão———————66
Centeio, pão——————————-78
Hamburger,pão——————————87
Farinha de centeio,pão———————92
Semolina,pão——————————-92
Farinha de cevada,pão———————-95
Pão de trigo,fibra alta——————–97
Pão de trigo——————————-99
Pão de trigo, branco———————-101
Bagel, branco—————————–103
Pão de lanche—————————–105
Pão de trigo,glúten livre—————–129
Baguette francês————————–136

CEREAIS DE CAFÉ DA MANHÃ
Farelo de trigo—————————-27
Kelloggs’ com Farelo de trigo————–55
Aveia Farelo de trigo———————-78
Muesli————————————-80
Mingau de aveia—————————-87
Nutri-granola——————————94
Trigo Biscoito—————————-100
Cheiros———————————–106
O café da manhã em barra de cereais——-109
Arroz Krispies—————————-117
Cornflakes——————————–119

GRÃOS DE CEREAL
Cevada————————————-36
Centeio————————————48
Trigo núcleo——————————-59
Arroz fervido 1 minuto———————65
Arroz branco——————————-83
Cuzcuz————————————-93
Arroz Sunbrown Quick———————-114
Tapioca fervida com leite—————–115
Arroz fervido 6 minutos——————-128
Arroz Bolos——————————-110


BISCOITOS
Aveia biscoitos—————————-79
Café matutino biscoitos——————-113

COMIDAS DE LEITERIA
Iorgurte light com adoçante—————-20
Leite + 30g farelo de trigo—————-38
Leite integral—————————–39
Leite desnatado—————————-46
Yakult(leite fermentado)——————-64
Sorvete, light—————————–71
Sorvete————————————87

FRUTA E PRODUTOS DE FRUTA
Cerejas————————————32
Pêra,fresca——————————–53
Maçã—————————————54
Ameixa————————————-55
Maçã suco———————————-58
Pêssego, fresco—————————-60
Laranja————————————63
Uvas—————————————66
Abacaxi suco——————————-66
Pêssego,enlatado—————————67
Suco laranja——————————-74
Kiwi—————————————75
Banana————————————-77
Fruta coquetel—————————–79
Manga————————————–80
Passas————————————-91
Melancia———————————-103

LEGUMES
Feijão-soja enlatado———————–20
Feijão-soja——————————–25
Lentilhas———————————-36
Feijões assados, enlatados—————–69
Lentilha verde enlatada——————–74
Feijões largos(feijões de fava)———–113

MACARRÃO
Fettuccine———————————46
Raviole,carne——————————56
Espaguete,ferveu 5 min.——————–52
Espaguete,branco—————————59
Capellini———————————-64
Macarrão———————————–64


LEGUMES DE RAIZ
Inhame————————————-73
Batata doce——————————–77
Beterrabas———————————91
Batatas cozidas em vapor——————-93
Batata triturada————————–100
Cenouras———————————–70
Batatas cozidas e trituradas————

INTERNACIONALIZAÇÃO DA AMAZONIA parte 2 – Carlos Chagas: Ato Explícito de Pirataria

ESSA CARTA CHEGOU ENCAMINHADA AO NOSSO E-MAIL. CONSIDERAMOS A MESMA DE EXTREMA RELEVANCIA, E ASSIM RESOLVEMOS PUBLICÁ-LA AQUI, NA ÍNTEGRA.

Ato Explícito de Pirataria

por CARLOS CHAGAS

BRASÍLIA – Completam-se duas semanas desde que George Bush, em debate com Al Gore, declarou que as dívidas externas dos países em desenvolvimento, quer dizer, pobres, devem ser pagas pela venda de suas florestas tropicais. Traduzindo: o Brasil, o Equador, o Peru, a Colômbia e a Venezuela devem pagar suas dívidas entregando a Amazônia aos credores.

Para quem julgava paranoia essa história da internacionalização da região, eis mais uma evidência de que estão não apenas de olho na floresta, mas anunciando quando e como tomá-la. O adversário de Bush pensa igual. São de Al Gore, expressos há alguns anos, conceitos como o de que a Amazônia pertence à humanidade e de que a soberania brasileira é relativa.

Quem sugeriu foi Thatcher

A primeira proposta de troca de bens naturais por dívidas deveu-se a Margaret Thatcher, quando era primeira-ministra
da Inglaterra. A bruxa não fez por menos, exortando as nações do Terceiro Mundo a vender suas riquezas. De lá para cá, foi uma sucessão de pirataria explícita, da qual não escaparam os “esquerdistas” François Miterrand, da França, Felipe Gonzales, da Espanha e até Mikail Gorbachev, enquanto existia a União Soviética. Com a participação decisiva, também, de Al Gore e até de Bill Clinton, sem esquecer John Major, também da Inglaterra. Quer dizer, a rapinagem supera as ideologias.

O grave no caso Bush é que não há saída, pois tanto ele quanto o oponente pensam da mesma forma, e um dos dois, em poucas semanas, será presidente da maior potência mundial, aquela que defende seus valores e seus interesses através da utilização de mísseis, tanques, frotas e
esquadrilhas. Não se trata de imaginar os “marines” pulando de pára-quedas em Manaus logo depois do Natal, porque esses métodos só são utilizados em situações extremas. Existem outros, mais eficazes, como controlar a economia dos países pobres, cooptar suas elites e comprar seus governos.

Internacionalização visível

O processo de internacionalização da Amazônia avança a olhos vistos. Nem é preciso citar a campanha promovida por organizações não-governamentais de toda espécie, subsidiadas diretamente por Washington ou pelas multinacionais.

Acusam o Brasil de destruir o pulmão do mundo, de queimar um campo de futebol por segundo e de poluir as águas da bacia amazônica. Exigem que a floresta fique intacta, quer dizer, imobilizadas suas riquezas do subsolo e da flora. A criação de nações indígenas independentes vai de vento em popa, com a delimitação de áreas que, por pura coincidência, localizam-se nas fronteiras nacionais e contém reservas de minerais nobres.

Seria preciso que o Brasil acordasse, mas como o governo dorme em berço esplêndido, ignorando até a mais recente obscenidade proposta por George W. Bush, o remédio será alertar a sociedade. Esperar que ela se mobilize, a começar pelos militares, aqueles que conforme a doutrina globalizante “perderiam qualquer guerra, são inócuos, desimportantes e se constituem num sumidouro de recursos públicos.” O mais triste é a opção que parece restar: de um lado, o silêncio de quem deveria estar gritando, e, de outro, a conivência de quantos imaginam beneficiar-se com as migalhas caídas da mesa do banquete dos poderosos.

Tome-se, por exemplo, a equipe econômica. Alguém já ouviu alguma palavra do ministro Pedro Malan sobre a necessidade de salvaguardarmos nossa soberania?

Nosso território ? Nem dele nem do chefe dele.

Pregação no deserto

Bissextamente um general alerta o auditório qualificado da Escola Superior de Guerra ou o Itamaraty, ensaia algum tipo de reação verbal, mas, sem o apoio da mídia, as denúncias caem no vazio. Estamos caminhando para uma situação da qual não haverá retorno, iniciada com a alienação de patrimônio estratégico, a abertura de nossas fronteiras ao capital especulativo predador e a extinção de incentivos aos nossos produtos de exportação. Um belo dia acordaremos sabendo que a Amazônia não nos pertence mais, que alguns tecnocratas acabaram de vendê-la em troca de uma parte de nossa dívida externa sempre multiplicada. Que as Nações Unidas reconheceram a nação independente dos ianomâmi e que nos mapas da América Latina distribuídos pelas escolas do primeiro mundo seus pimpolhos aprendem que a Amazônia e o Pantanal pertencem “à humanidade”.

O que esperar, se o governo nada faz além dos retóricos estrilos do presidente contra as discriminações comerciais, quando vai para o Hemisfério Norte?

Valeria um grito de indignação, seguido de medidas concretas pelo menos para desenterrar da areia as cabeças dos nossos avestruzes governamentais, empresariais e até intelectuais. O que está em jogo é a soberania nacional. Em risco, a integridade territorial conquistada com tanta luta, tanto suor e tanto sangue. Fica para mais tarde imaginar como punir os vendilhões da Pátria, tornando-se prioridade absoluta impedir a venda de nossas florestas tropicais.

 

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Internacionalização da Amazônia – Parte 1 (artigo de Cristovam Buarque)

O Mundo Para Todos

CRISTOVAM BUARQUE

Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da Internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.

Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.

De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.

Cada museu do mundo é quardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um pais. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.

Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. 
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia.

Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

CRISTOVAM BUARQUE é professor da UNB, 
autor do livro “A cortina de ouro”

ESSA CARTA CHEGOU ENCAMINHADA AO NOSSO E-MAIL. CONSIDERAMOS A MESMA DE EXTREMA RELEVANCIA, E ASSIM RESOLVEMOS PUBLICÁ-LA AQUI, NA ÍNTEGRA.

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PRODUÇÃO DE ALIMENTOS, DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E FOME

PRODUÇÃO DE ALIMENTOS, DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E FOME
O Banco Mundial e a FAO estimam que, no início dos anos 80, entre 700 milhões e um bilhão de pessoas viviam em absoluta pobreza ao redor do mundo. Ao contrário do que muitos pensam, o pobre está ficando cada vez mais pobre a cada ano. Quarenta e três nações em desenvolvimento terminaram os anos 80 mais pobres do que eram no início da década.

No continente africano, cerca de um em cada quatro seres humanos é subnutrido. Na Ásia e no Pacífico, 28% da população passa fome. No Oriente Próximo, um em cada dez são subnutridos. A fome crônica afeta mais do que 1,3 bilhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Na América Latina, uma em cada oito pessoas vai para a cama com fome todas as noites. No Brasil mais de 30 milhões de pessoas são classificadas como indigentes pelas estatísticas oficiais. Em 1980, cerca de 44% da população vivia em estado de pobreza absoluta.

Certamente esta triste realidade está ligada a um sistema que exclui boa parte da população do acesso aos bens básicos necessários para assegurar-lhe uma vida digna. Investigar a questão da excludência passa necessariamente por uma análise profunda das premissas que fundamentam os sistemas dominantes no mundo, mas este tema foge ao escopo do presente trabalho. O que se quer aqui é chamar atenção para um importante aspecto da nossa vida diária, qual seja, nossos hábitos alimentares, e mostrar como eles se encontram hoje estreitamente ligados ao quadro de miséria, subnutrição e fome acima referido. Estão ligados também a um enorme desperdício, à degradação do meio ambiente e à má saúde da população como um todo.

Muitos estão preocupados com os graves problemas ambientais e sociais com os quais nos defrontamos a nível global, contudo, poucos estão cientes das enormes implicações que o simples ato de comer tem sobre vários destes problemas. Ao investigarmos esta questão, vemos que existem efeitos de amplo alcance na mudança fundamental das nações ocidentais, que se deu, sobretudo, depois da IIª Guerra Mundial, de uma dieta composta principalmente de alimentos de origem vegetal para uma dieta à base de alimentos de origem animal.

Por exemplo, em 1985 os norte-americanos consumiam a metade dos grãos e batatas que consumiam na virada do século, 33% mais lacticínios, 50% mais carne de gado e 280% mais frangos. Esta mudança resultou em uma dieta com um terço a mais de gordura, um quinto a menos de carboidratos e níveis de consumo de proteína que excediam grandemente as recomendações oficiais. Um dos problemas de uma dieta baseada em proteína animal está nas gorduras saturadas que a acompanham e na ausência de fibras. Tais gorduras estão associadas à maioria das ‘doenças da abundância’ (diseases of affluence – doenças cardíacas, câncer e diabetes), principais causas de morte nos países ricos.

Tradicionalmente, a alimentação humana centrou-se nos alimentos vegetais. Apenas muito recentemente os países ricos e a elite urbana de países pobres, começaram a basear sua alimentação na carne. Paralelamente, nas últimas décadas, houve um significativo aumento na produção de grãos como resultado do uso de fertilizantes químicos, pesticidas etc., enfim, o que é conhecido como revolução verde. Este excedente de grãos, contudo, não foi repassado para os que têm fome, mas para a criação de animais, que cada vez mais são criados confinados.

O estilo americano tem uma influência enorme na vida de muitos países, e isso não se dá de forma inocente ou espontânea, mas é reflexo de lobby, políticas de incentivo, marketing da indústria de alimentos entre outras medidas.

O Brasil não foge à regra ao importar esse estilo, que entra pesadamente tanto na maneira como são produzidos os alimentos, como nos hábitos que se alteram.

Quase metade dos cereais produzidos no Brasil são destinados a alimentar animais de criação. O feijão, tradicionalmente fonte importante de proteína de nossa dieta cede terreno ao soja (para alimentar animais e exportar). Seu preço em conseqüência se tornou muito elevado ficando fora do alcance de muitos.

Em seu lugar aparecem um sem-número de junky foods, macarrões vitaminados e outros produtos que, na verdade, não alimentam, apenas “enchem a barriga”. E os ricos estão ficando doentes por consumirem carne e seus derivados em demasia, o que resulta, como já mencionado, em problemas de saúde de vários tipos.

A crescente demanda por produtos animais resultou em uma vasta realocação de recursos, promoveu a degradação dos ecossistemas globais, desmantelou e deslocou culturas indígenas em todo o mundo. O impacto na saúde e na desnutrição de boa parcela da família humana tem sido igualmente devastador.

Rastreando estes problemas até suas raízes em nossos hábitos alimentares – nossa demanda por alimentos provenientes do reino animal – vemos que ao mudar nossas dietas podemos desempenhar um importante papel no sentido de ajudar a curar a Terra e a criar um mundo sustentável para nossos filhos.

Distribuição de Recursos Alimentares e Fome Mundial

A fome no mundo é uma realidade dolorosa, persistente e desnecessária. No momento, existe suficiente terra, energia e água para bem alimentar mais do que o dobro da população humana, contudo a metade dos grãos produzidos é destinado aos animais enquanto milhões de seres humanos passam fome. Em 1984, quando centenas de etíopes morriam diariamente de fome, a Etiópia continuava a cultivar e exportar milhões de dólares em alimento para o gado do Reino Unido e outras nações da Europa.

Número de pessoas que morreram como resultado de desnutrição e fome em 1992: 20.000.000

Número de crianças que morrem em decorrência da desnutrição e fome a cada dia: 38.000

Freqüência com que morre uma criança na terra como resultado de desnutrição e fome: a cada 2,3 segundos

Quantidade de cereal e soja, em quilos, necessária para produzir um quilo de carne hoje nos Estados Unidos: 7

Pessoas que podem ser nutridas usando a terra, a água e a energia que seriam liberadas se os norte-americanos reduzissem seu consumo de carne em 10%: 100.000.000

Utilização de Recursos

A criação de gado tem impactos enormes e de amplo alcance sobre a biosfera em razão dos alimentos animais serem muito menos eficientes em sua produção do que os alimentos vegetais. Muito daquilo com que alimentamos o gado se transforma em subprodutos não comestíveis ou simplesmente é desperdiçado nos processos metabólicos.

Devido a esta ineficiência básica, cultivar cereais e grãos para produzir alimentos animais para grande número de pessoas requer a alocação de vastas quantidades de terra, água e energia.

Nos Estados Unidos, mais de um terço de todo o material bruto – incluindo combustíveis fósseis – consumido de um modo geral é destinado à criação de gado.

No Brasil, 44% das culturas destinam-se a produzir alimentos para os animais, isto é, quase a metade de tudo que nosso solo produz é usado para alimentar animais, que, por um lado, ao serem transformados em alimentos só podem nutrir reduzida parcela da população, uma vez que a vasta maioria não tem poder aquisitivo para comprar carne e, por outro, geram bem menos quantidade de alimentos. 23% da terra cultivada no Brasil é usada atualmente para plantar soja, metade da qual é exportada.

Quantidade em quilos de grão e soja usados para produzir um quilo de alimento a partir de:

Carne de gado 7,2
Porco 2,7
Galinha/ovo 1,3
Quantidade de nutrientes desperdiçados ao reciclar grão e soja através do gado:
Proteína 90%
Carboidratos 99%
Fibra 100%
Quantidade de pessoas que poderiam ser alimentadas com cereais empregados na produção de um bife de 225 g: 40
Utilização da Terra

Criar gado requer o uso intensivo de vastas quantidades de terra tanto no caso dos animais serem alimentados com produtos obtidos na colheita ou deixados pastar em pastagens ou florestas. Em qualquer dos casos a terra é muitas vezes destituída de sua capacidade produtiva – às vezes de modo permanente.

Quantidade de terra no mundo destinada a pastagens para o gado: metade

No Brasil, um exemplo, em Santa Catarina 2,4 milhões de hectares são explorados por lavouras, 2,5 milhões por pastagens e 1,9 milhões por matas e florestas.

Quantidade de terra própria para o plantio destinada para produzir alimento para o gado nos Estados Unidos: 64%

Quantidade de terra própria para o plantio destinada à produção de frutas e vegetais nos Estados Unidos: 2%

Produtos comestíveis que podem ser produzidos em um hectare de terra boa em quilos:

Feijão 11.200
Maçã 22.400
Cenoura 34.900
Batata 44.800
Tomate 56.000
Carne 280
Consumo de Grãos

“Alimentar a população do mundo atual com uma dieta baseada no estilo americano requereria 2 ½ vezes a quantidade de grãos que os plantadores mundiais produzem para todos os fins. Um mundo futuro de 8 a 14 bilhões de pessoas alimentando-se com a ração americana de 220 gramas diários de carne gerada a partir do consumo de grão não passa de um vôo da fantasia”
Worldwatch Institute
Durante este século a mudança fundamental na dieta das nações ocidentais de alimentos vegetais para alimentos animais resultou em uma mudança paralela na produção mundial de grãos destinados à alimentação humana para grãos destinados à alimentação de animais. O consumo de grãos pelo rebanho animal está aumentando duas vez mais rapidamente do que o consumo de grãos pelas pessoas.

Quantidade de soja cultivada nos Estados Unidos consumida pelo gado: 90%

Quantidade de milho cultivado nos Estados Unidos consumido pelo gado: 80%

Quantidade de milho cultivado no Brasil consumido pelos animais de criação: 90%

Quantidade total de grãos produzidos nos Estados Unidos consumidos pelo gado: 70%

Quantidade de grãos exportados pelos Estados Unidos consumidos pelo gado: 66%

Quantidade da colheita mundial de grãos consumidos pelo gado durante os anos oitenta: Metade

Consumo de Energia

“O óleo é usado na indústria da carne como combustível para transporte e tratores, nos fertilizantes químicos e nos pesticidas de uma maneira tal que os produtos animais podem ser considerados subprodutos do petróleo”
Worldwatch Institute
A produção de ração é um processo que requer intenso consumo de energia. Os agricultores precisam bombear água, arar, cultivar e fertilizar os campos; depois colher e transportar a colheita. Fazer funcionar as indústrias que transformam estas enormes quantidades de colheita altamente consumidora de energia em carne, aves, lacticínios e ovos requer um consumo de energia ainda maior.

Calorias de combustível fóssil gastas para produzir 1 caloria de proteína de carne: 78

Calorias de combustível fóssil gastas para produzir 1 caloria de proteína de soja: 2

Quantidade total de energia gasta na agricultura dos Estados Unidos destinada à criação de gado: Quase a metade

Energia gasta para produzir um quilo de carne de gado alimentado com ração: Equivalente a 1,7 litros de gasolina

Consumo de Água

A produção de ração e de forragem para o gado requer enorme quantidade de água, resultando na escassez de água em certas áreas. Lençóis de água tais como o gigantesco aqüífero Ogalalla nos Estados Unidos, estão sendo rapidamente esgotados. No oeste americano, a escassez exige que setores industriais, comerciais e residenciais limitem o uso de água. Raramente os consumidores são advertidos de que as proibições de regar os gramados, lavar automóveis e outras devem-se, em parte, à grande quantidade de água que é extraída para o cultivo de grãos para o gado e outras criações.

Atividade responsável por mais da metade de toda a água consumida para todos os fins nos Estados Unidos: Criação de gado

Número de litros de água necessários, na Califórnia, para produzir 1 quilo comestível de:

Tomates 39
Alface 39
Batata 41
Trigo 42
Cenoura 56
Maçã 83
Laranja 111
Leite 222
Ovos 932
Galinha 1.397
Porco 2.794
Carne de gado 8.938
Tempo que leva para uma pessoa usar 20.000 litros de água no banho (5 duchas por semana, 5 minutos por banho, com um gasto em média de 15 litros por minuto): Um ano


Questões Populacionais

O aumento do consumo de carne, aves e lacticínios gerou uma explosão na população de gado no mundo todo. O número de cabeças de gado dobrou nos últimos 40 anos, e no mesmo período a população de aves triplicou.

População Mundial Atual:

Seres Humanos: 5,4 bilhões
Gado: 1,3 bilhões
Porcos, ovelhas, cabritos, cavalos, búfalos e camelos: 2,7 bilhões
Aves: 11 bilhões

Meio Ambiente
O uso inadequado do solo e dos recursos requeridos para suprir o mercado com alimentos provenientes do reino animal agravou e acelerou a crise ambiental.

Poluição da Água

O consumo excessivo de produtos animais desempenha papel proeminente na poluição da água. A explosão da população de animais de criação resultou em uma paralela explosão de resíduos animais. Os resíduos das fazendas-empresas, rapidamente inundaram os mercados de estrume resultando no acúmulo de montanhas de resíduos animais. O nitrogênio proveniente destes resíduos é convertido em amônia e nitrato e infiltra-se nas águas do subsolo e da superfície, poluindo poços, contaminando rios e riachos e matando a vida aquática. De acordo com a Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos, cerca da metade dos poços e todos os córregos do país estão contaminados por poluentes oriundos da agricultura.

Na Holanda, os 14 milhões de animais que ocupam os estábulos do sul produzem tanto esterco que o nitrato e o fosfato saturam camadas da superfície do solo e contaminam a água. A amônia proveniente da indústria de criação de animais é sozinha a maior fonte de deposição ácida nos solos holandeses, provocando mais prejuízos que os automóveis e as fábricas, segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública e Proteção Ambiental do país.

Produção de excremento pela criação de animais dos EUA: 104.000 quilos por segundo

Resíduos criados por um rebanho de 10.000 cabeças: igual a uma cidade de 110.000 habitantes

Poluição da água atribuível à agricultura, incluindo a vazão de solo, pesticidas e estrume: Maior do que todas as fontes industriais e municipais combinadas

Erosão do Solo

A utilização excessiva da terra causada pela criação de gado resultou na contínua perda da camada fértil da terra. Por todo o globo, a terra, que é a própria base da produção de alimentos, está sendo rapidamente erodida. Pressões da competição muitas vezes forçam os fazendeiros a optar por métodos de produção de baixo custo que deixam o solo exposto ou a submeter terras fracas à produção intensiva, resultando em sua ruína.

Perda corrente anual da camada fértil da terra na agricultura nos Estados Unidos: Mais de 5 bilhões de toneladas

Terra própria para o cultivo nos Estados Unidos que foi permanentemente removida devido à excessiva erosão: Um terço

Terra fértil perdida na produção de um quilo de carne: 77 quilos

Erosão do solo associada a culturas destinadas à alimentação do gado e à produção de pastagens: 85%

Camada superior de solo perdida anualmente no mundo em terras utilizadas para a agricultura: 26 bilhões de toneladas

Tempo necessário para a natureza formar cada 2,5 cm de terra fértil: 200 a 1000 anos

Causa mortis histórica de muitas grandes civilizações: Esgotamento do solo

Desertificação

O uso intensivo da terra encorajado pela necessidade de produzir alimentos de origem animal de modo competitivo fez com que a desertificação se espalhasse amplamente em muitos países. Desertificação é o empobrecimento de ecossistemas áridos, semi-áridos e sub-áridos pelo impacto das atividades humanas.
As regiões mais afetadas pela desertificação são as áreas produtoras de gado, inclusive o oeste americano, a América Central e do Sul, a Austrália e a África Subsaariana.

A desertificação dos campos e florestas deslocou a maior massa migratória na história do mundo. Na virada do século, mais de metade da população viverá em áreas urbanas.

Quantidade de terra tornada improdutiva pela desertificação anualmente no mundo: 21 milhões de hectares

Percentual da terra no mundo que sofre desertificação: 29%

Principais causas de desertificação:

Pastoreio excessivo
Cultivo intensivo da terra
Técnicas impróprias de irrigação
Desflorestamento
Falta de reflorestamento

Fator principal em todos os casos: Criação de gado

Florestas Tropicais

A cada ano cerca de 200.000 quilômetros quadrados de florestas tropicais são destruídas de forma permanente ocasionando a extinção de aproximadamente 1000 espécies de plantas e animais.

Na América Central as fazendas de gado destruíram mais florestas do que qualquer outra atividade.

90% dos novos fazendeiros da Amazônia abandonam as terras em menos de 8 anos, em razão do solo se encontrar totalmente esgotado.

Florestas derrubadas na América Central para dar lugar a fazendas de gado: 25%

Taxa atual da extinção das espécies devido à destruição das florestas tropicais e seus habitats: 1000/ano

Remédios disponíveis hoje derivados das plantas: um quarto

Obs. Este artigo é amplamente baseado em Our Food Our World – The Realities of an Animal-Based Diet, EarthSave Foundation, Santa Cruz, 1992. Tradução e adaptação de Marly Winckler.

Leituras afins:

1. Brown, Lester R. (org.), Salve o Planeta! Qualidade de Vida – 1990 – Worldwatch Institute. Ed. Globo, São Paulo, 1990.
2. Lappé, Frances Moore. Dieta Para um Pequeno Planeta, Ground, São Paulo, 1985.
3. Rifkin, Jeremy. Beyond Beef. The Rise and Fall of the Cattle Culture. A Dutton Book, New York, 1992.

http://www.vegetarianismo.com.br

 

 

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Os 10 Mandamentos Ambientais

10 Mandamentos Ambientais

Por Vilmar Berna

Nossa espécie tem usado mais a capacidade de modificar o meio ambiente para piorar as coisas que para melhorar. Agora precisamos fazer o contrário, para nossa própria sobrevivência. Reveja seu dia-a-dia e tome as atitudes ecológicas que julgar mais corretas e adequadas. Não espere que alguém venha fazer isso por você. Faça você mesmo.

1 – Estabeleça princípios ambientalistas

Estabeleça compromissos, padrões ambientais que incluam metas possíveis de serem alcançadas.

2 – Faça uma investigação de recursos e processos

Verifique os recursos utilizados e o resíduo gerado. Confira se há desperdício de matéria-prima e até mesmo de esforço humano. A meta será encontrar meios para reduzir o uso de recursos e o desperdício.

3 – Estabeleça uma política ecológica de compras

Priorize a compra de produtos ambientalmente corretos. Existem certos produtos que não se degradam na natureza. Procure certificar-se, ao comprar estes produtos, de que são biodegradáveis. Procure por produtos que sejam mais duráveis, de melhor qualidade, recicláveis ou que possam ser reutilizáveis. Evite produtos descartáveis não reciclados como canetas, utensílios para consumo de alimentos, copos de papel, etc.

4 – Incentive seus colegas

Fale com todos a sua volta sobre a importância de agirem de forma ambientalmente correta. Sugira e participe de programas de incentivo como a nomeação periódica de um ‘campeão ambiental’ para aqueles que se destacam na busca de formas alternativas de combate ao desperdício e práticas poluentes.

5 – Não Desperdice

Ajude a implantar e participe da coleta seletiva de lixo. Você estará contribuindo para poupar os recursos naturais, aumentar a vida útil dos depósitos de lixo, diminuir a poluição. Investigue desperdício com energia e água. Localize e repare os vazamentos de torneiras. Desligue lâmpadas e equipamentos quando não estiver utilizando. Mantenha os filtros do sistema de ar-condicionado e ventilação sempre limpos para evitar desperdício de energia elétrica. Use os dois lados do papel, prefira o e-mail ao invés de imprimir cópias e guarde seus documentos em disquetes, substituindo o uso do papel ao máximo. Promova o uso de transporte alternativo ou solidário, como planejar um rodízio de automóveis para que as pessoas viajem juntas ou para que usem bicicletas, transporte público ou mesmo caminhem para o trabalho. Considere o trabalho à distância, quando apropriado, permitindo que funcionários trabalhem em suas casas pelo menos um dia na semana utilizando correio eletrônico, linhas extras de telefone e outras tecnologias de baixo custo para permitir que os funcionários se comuniquem de suas residências com o trabalho.

6 – Evite Poluir Seu Meio Ambiente

Faça uma avaliação criteriosa e identifique as possibilidades de diminuir o uso de produtos tóxicos. Converse com fornecedores sobre alternativas para a substituição de solventes, tintas e outros produtos tóxicos. Faça um plano de descarte, incluindo até o que não aparenta ser prejudicial como pilhas e baterias, cartuchos de tintas de impressoras, etc. Faça a regulagem do motor dos veículos regularmente e mantenha a pressão dos pneus nos níveis recomendáveis. Assegure-se que o óleo dos veículos está sendo descartado da maneira correta pelos mecânicos.

7 – Evite riscos

Verifique cuidadosamente todas as possibilidades de riscos de acidentes ambientais e tome a iniciativa ou participe do esforço para minimizar seus efeitos. Não espere acontecer um problema para só aí se preparar para resolver. Participe de treinamentos e da preparação para emergências.

8 – Anote seus resultados

Registre cuidadosamente suas metas ambientais e os resultados alcançados. Isso ajuda não só que você se mantenha estimulado como permite avaliar as vantagens das medidas ambientais adotadas.

9 – Comunique-se

No caso de problemas que possam prejudicar seu vizinho ou outras pessoas, tome a iniciativa de informar em tempo hábil para que possam minimizar prejuízos. Busque manter uma atitude de diálogo com o outro.

10 – Arranje tempo para o trabalho voluntário

Não adianta você ficar só estudando e conhecendo mais sobre a natureza. É preciso combinar estudo e reflexão com ação. Considere a possibilidade de dedicar uma parte do seu tempo, habilidade e talento para o trabalho voluntário ambiental a fim de fazer a diferença dando uma contribuição concreta e efetiva para a melhoria da vida do planeta. Você pode, por exemplo, cuidar de uma árvore, organizar e participar de mutirões ecológicos de limpeza e recuperação de ecossistemas e áreas de preservação degradados, resgatar e recuperar animais atingidos por acidentes ecológicos ou mesmo abandonados na rua, redigir um projeto que permita obter recursos para a manutenção de um parque ou mesmo para viabilizar uma solução para problema ambiental, fazer palestras em escolas, etc.

(Contatos: Vilmar Berna (21) 610-2272/9994-7634vilmarberna@jornaldomeioambientee.com.br home page:http://www.jornaldomeioambiente.com.br )

 

– Publicado com autorização do autor. –

Energia e Floresta

Energia e Floresta

Paulo de GÓES

Se é verdade que a crise de energia hoje é atribuída à falta de investimentos a longo prazo na sua geração e transmissão, somada à seca atípica que assolou o Sudeste e o Nordeste do país, também é certo que essas não são as únicas causas. Considerando que a nossa eletricidade é gerada principalmente por usinas hidroelétricas, e que a reserva de água nos açudes é a principal escassez, pergunta-se: de onde vem essa água e quais os problemas nesse trajeto?

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O clima no Sudeste tem uma distribuição muito desigual das chuvas, que alcançam 200-300 mm/mês nos meses de verão, chegando em média a 20 mm/mês no período mais seco do inverno. Isso significa que as chuvas de verão abastecem os lençóis de água (água acumulada no solo) de forma a garantir a permanência de nosso rios através do período seco, abastecendo lagos, açudes e barragens.

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A constituição geológica do Sudeste funciona como uma esponja, que recebe e acumula água na época de chuvas intensas e a libera gradativamente no período de seca. Para que esse processo funcione bem, é essencial a abundante penetração das águas de verão no solo. A cobertura vegetal na superfície do solo é um fator determinante desse processo.

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Quando a cobertura é florestal, a chuva molha primeiro a folhagem, para depois ir lentamente chegando ao solo, penetrando gradativamente até atingir camadas mais profundas, O solo coberto com floresta garante maior permeabilidade, tornando-se capaz de absorver a água proveniente de chuvas torrenciais de verão. Já em solos desmatados, com baixa densidade de cobertura vegetal, essas chuvas alcançam rapidamente o solo, e este, por ter menor permeabilidade à água, permite que o excesso comece a escorrer pela superfície, gerando erosão e arrastando partículas de solo para o leito dos rios, processo chamado de assoreamento. O desmatamento tem como saldo um abastecimento menor dos lençóis de água, ao mesmo tempo em que acentua as enchentes, pelo escorrimento superficial com acréscimo rápido de grandes volumes de água aos leitos reduzidos pelo assoreamento.

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Na região Sudeste, o desmatamento da Mata Atlântica alcançou mais de 90% de sua área sendo hoje necessário recuperar essa perda através do reflorestamento, para garantir nossos mananciais hídricos. O desafio de como fazer isso passa pelo reconhecimento da importância do reflorestamento de grande porte, viabilizando politicamente seu financiamento, e buscando conciliá-lo com o uso agrícola e pastoril. A importância do reflorestamento é óbvia, pelo ganho do aumento dos recursos hídricos de que tanto carecemos para fins energéticos e de abastecimento, reduzindo os prejuízos das enchentes, preservando a biodiversidade, que necessita de matas, aumentando o estoque sustentável de madeira e por fim captando através da fotossíntese grande quantidade de CO2 da atmosfera, contribuindo assim para a redução do efeito estufa. Resta discutir melhor as estratégias de reflorestamento e como superar os empecilhos para sua concretização.

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Na região Sudeste, atualmente ressentida pela escassez de água, encontram-se as cabeceiras do Rio São Francisco e as bacias hidrográficas dos rios Paraíba do Sul e Doce. Grande parte dessa região de topografia acidentada chamada de “Mar de Morros” tem pouca agricultura e revela alta potencialidade o reflorestamento. O Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, usa aproximadamente 50% para pecuária e menos de 3% para agricultura. Sua indiscutível vocação florestal até agora sempre foi contrariada.
As prioridades na região montanhosa do Sudeste poderiam voltar-se para um reflorestamento calcado na produção de madeira, na exploração agroflorestal (que permite o uso agrícola combinado com a floresta), e com exploração extrativista. Em área de pastagem deveria ser feito um consórcio com plantio espaçado de determinadas espécies de árvores que beneficiariam o solo, e com isso, o gado. Nas regiões mais propícias à agricultura, o principal é preservar ou resgatar as matas ciliares que margeiam os rios e garantir o cumprimento dos percentuais da legislação nas propriedades. As matas ciliares são muito importantes porque retêm o assoreamento e constituem barreiras aos resíduos de agrotóxicos, evitando que alcancem os rios. Formam ainda corredores, entre fragmentos florestais, que permitem a sobrevivência de animais de maior porte, que de outra maneira seriam extintos. Uma possibilidade a mais são cercas reflorestadas para proteger as plantações do ressecamento pelo vento, beneficiando a produção agrícola.

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Se o reflorestamento tem tantas virtudes e pode ser feito de forma compatível com a exploração agropastoril, por que não é feito em larga escala? O reflorestamento, mesmo com eucalipto ou pinus, espécies para a qual dispomos de tecnologia eficiente, não representa um bom retorno de investimento, quando a madeira é utilizada em forma de lenha, a não ser que sua produção tenha um valor agregado, como é o caso da produção de celulose. Em outras palavras, não haverá um reflorestamento significativo se essa atividade for regulada somente pelas leis do mercado. O sucesso do reflorestamento no Brasil só ocorreu no período em que havia incentivos fiscais. Não podemos submeter a ação política apenas a cálculos econômicos, pois estão em jogo todas as nossas atividades, que hoje dependem de energia elétrica, assim como a qualidade de nosso meio ambiente.

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Um ambiente degradado resultará num novo equilíbrio da natureza. Por isso devemos decidir se continuamos a resolver os problemas de forma imediatista ou se procuramos estabelecer uma harmonização de nossas necessidades, respeitando o ambiente em que vivemos. Possibilidades temos e muitas. A questão é decidir qual o caminho a ser escolhido.

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Paulo de Góes é professor do Instituto de Microbiologia da UFRJ
Extraído do Jornal do Brasil de 5 de Junho de 2001

 

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QUEM É O VERDADEIRO CRIMINOSO AMBIENTAL?

QUEM É O VERDADEIRO CRIMINOSO AMBIENTAL?

José Zeferino da Silva, o Zeca dos Passarinhos.
Brasileiro, casado, desempregado. Detido por fiscais do Ibama, espancado e engaiolado por tentar vender um casal de pardais na feira de Duque de Caxias, em Belém do Pará. Crime contra a natureza, inafiançável. Foi visto numa cela infecta e promíscua de delegacia, comendo o pão que o diabo amassou.

José da Silva, descascador de árvore.
Brasileiro, casado, desempregado. Detido pela polícia e engaiolado por descascar árvores para fazer chá, também em uma feira no Pará. Crime contra a natureza, inafiançável. Foi visto numa cela infecta e promíscua de delegacia, comendo o pão que o diabo amassou.

Henri Philippe Reichstul, Presidente da PETROBRÁS, responsável pelo derramamento de 1,29 milhão de litros de petróleo da Refinaria de Duque de Caxias que poluíram a Baía de Guanabara/RJ em 18/01/00; pelo rompimento da vedação de uma monobóia, que espalhou 18 mil litros de óleo perto da praia de Tramandaí/RS, em 11/03/00; e mais recentemente, o vazamento de mais de 4 milhões de litros da Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária/PR, manchando em mais de 20Km os rios Barigüi e Iguaçu, matando milhares de peixes e pássaros marinhos. Crime contra a natureza, inafiançável. Encontra-se em liberdade. Foi visto jantando num restaurante do Rio.

Não concordar já é um bom começo…

ESSA CARTA CHEGOU ENCAMINHADA AO NOSSO E-MAIL. CONSIDERAMOS A MESMA DE EXTREMA RELEVANCIA, E ASSIM RESOLVEMOS PUBLICÁ-LA AQUI, NA ÍNTEGRA.

 
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