Thai Massage – Por Asokananda (Tradução de Gislaine Meera)

https://i0.wp.com/waithai.it/files/Fotografie/fotografie_2008_thai-massage_lahu_village_file/image004.jpg

Este é o primeiro de uma série de textos que estarei enviando à vocês, trazendo mais luz e informação à Arte da Thai Massagem. Será no formato de perguntas e respostas feitas para Asokanada, meu mestre, por um de seus discípulos antigos chamado Prabhat. Como é possível que diferentes tradições de massagem ensinem técnicas ou sejam baseadas em teorias que parecem se contradizer?

Como a maioria das tradições (filosóficas, religiosas,etc…), a massagem é muito freqüentemente baseada numa transmissão tradicional onde certos aspectos são criados ou desenvolvidos num período de tempo no qual não existe sérias razões por trás. Alguém determina leis ou dogmas ou elas evoluem historicamente, ou ainda outras simplesmente não são questionadas. Muitas vezes existem diferentes maneiras de se fazer alguma coisa e todas estão corretas, a menos que alguém ignorante esteja ensinando de forma irresponsável.

Alguns exemplos: na Thai Massagem os canais de energia são trabalhados de cima para baixo e de baixo para cima, enquanto no Shiatsu elas são trabalhadas em direções específicas. Na Thai Massagem isto é feito para se alcançar máximo equilíbrio do fluxo energético em todas as linhas. De acordo com minha própria experiência a abordagem da Thai Massagem funciona muito bem, dando resultados brilhantes. No Shiatsu, a intenção é a mesma, mas segue a teoria da diferença de fluxo energético Yin-Yang nas linhas, em uma ou outra direção. Esta abordagem parece ter o mesmo efeito equilibrador no fluxo energético. Então, apesar de as duas tradições se contradizerem, ambos os sistemas influenciam o corpo energético e o corpo físico mais ou menos da mesma forma ou pelo menos de forma muito similar.

O mesmo é válido para as diferenças no trajeto das linhas de energia, não somente em tradições diferentes, mas também dentro do mesmo sistema de massagem. Os meridianos chineses diferem consideravelmente dos meridianos do Zen Shiatsu de Shizuto Masunaga. As linhas de prana indianas diferem das do Shiatsu, bem como das linhas Sem da Thai Massagem que eu estabeleci junto com Chow Kam Thye. Estas linhas também são diferentes das linhas ensinadas no curso de Thai Massagem do Old Medicine Hospital de Chiang Mai, que também diferem das linhas ensinadas por meu mestre Pichet.

A primeira vista, isto parece muito ridículo. Mas depois se percebe que o sistema de linhas de energia, nada mais são, do que conceitos para descrever o fluxo energético num corpo energético invisível. Da mesma forma que você pode desenhar mapas de uma cidade ou país ou do mundo de diferentes maneiras. Em um se pode salientar as estradas, no outro as montanhas ou rios ou qualquer outra característica; portanto, os mapas energéticos tendem a ter diferenças baseadas na ênfase que cada autor coloca em certas linhas.

Lembre-se de que de acordo com a transmissão do Yoga o corpo energético é composto de 72.000 linhas de energia. Muitas delas têm influência positiva direta no corpo físico e em seus órgãos e professores de tradições diferentes simplesmente decidem pelas linhas que pessoalmente consideram mais benéficas quando criam seus sistemas específicos para mapearem o fluxo energético.

Isto significa que não existe um jeito certo para explicar e desenhar as linhas e considerar todas as outras erradas, mas que a maioria delas são maneiras absolutamente válidas de explicar a experiência de um indivíduo em particular ou de toda uma tradição. Assim que você se tornar um mestre na tradição que você segue, você terá que usar o conhecimento transmitido de uma forma criativa, respeitando e honrando este conhecimento como um background e ponto de referência para o seu trabalho. Mas se você se agarra a um conhecimento fazendo dele um dogma, você nunca se tornará um grande praticante. Somente um contínuo questionamento da tradição e a comparação com sua experiência prática atual podem manter uma tradição viva. E isso joga toda a responsabilidade de volta para você. Um mestre não pode se esconder atrás de uma transmissão tradicional.

Mas mesmo para um iniciante inexperiente, não existe nada para se preocupar. Os ensinamentos de cada escola em particular tendem a ser consistentes e se você seguir as recomendações dadas, tudo deve dar certo. Misturar dois sistemas é que pode ser mais problemático. Eu recomendo que você use uma linha até ganhar um bom entendimento dela e ter bastante experiência. Bom senso e experiência são os melhores guias quando diferentes sistemas são misturados.

Extraído do livro Thai Traditional Massage for advanced Practitioners. Por Asokananda. Tradução por Gislaine Teixeira (Meera).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s