Archive for Pensamento crítico

Feira Estadual da Reforma Agrária acontece a partir de segunda no Largo da Carioca — Blog do Pedlowski

Entre os dias 05, 06 e 07 de dezembro será realizada a VIII Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes, no Largo da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro. Este é um evento de exposição e comercialização de produtos da Agricultura Familiar Camponesa dos Assentamentos da Reforma Agrária, realizado pelo Movimento Sem Terra – […]

via Feira Estadual da Reforma Agrária acontece a partir de segunda no Largo da Carioca — Blog do Pedlowski

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Certificados de cursos em Terapias Naturais – Perguntas e Respostas

Quais são as diferenças entre os certificados emitidos em cursos sobre terapias naturais?

Por Arnaldo V. Carvalho

A lei brasileira não legisla sobre a formação e atuação dos profissionais que atuam com terapias naturais (ou seja, não são regulamentadas), embora muitas delas sejam reconhecidas pelo Ministério do Trabalho através do CBO (Catálogo Brasileiro de Ocupações). Terapias naturais não são regulamentadas, mas existem reconhecidamente. Terapeutas recolhem impostos, possuem associações de classe e sindicatos formalmente constituídos. Dada a grande variedade de técnicas, e uma diferenciada gama de possibilidades interdisciplinares entre estas, e destas com as ciências da saúde, existem diversos tipos de certificado hoje no mercado, quais sejam:

a) A certificação de curso livre: A maioria dos cursos são de natureza livre, não sendo avalizadas pelo ministério da educação. Sua validade em currículos acadêmicos, a título de horas de estágio ou atividade complementar, por exemplo, varia de acordo com a coordenação do curso de graduação que se está fazendo. Cursos livres podem ser de natureza formativa, possuindo todos os fundamentos necessários para a pessoa atuar profissionalmente, ou de natureza vivencial, que permite a pessoa a fazer uso preventivo, pessoal e familiar de várias terapias. As carga horárias são muito variadas, dependendo da terapia, seus conteúdos, intenção de programa de estágios, etc.

b) A certificação como curso de capacitação profissional: Entidades de ensino superior podem oferecer cursos de capacitação profissional. Em geral, são os mesmos cursos livres, mas com a chancela de uma universitária. Não implica necessariamente em melhor qualidade, nem em maior carga horária, embora costume ser mais aceito no meio acadêmico em função do selo institucional.

c) A certificação como pós-graduação: Tecnicamente, qualquer curso que admita apenas alunos graduados é um curso de graduação. Na escala acadêmica, nós temos os cursos strictu sensu, voltados à academia, com grande validade e exigências acadêmicas, sendo voltados à pesquisa e à continuidade na vida universitária; e o lato-sensu, que é como um curso livre, mas com a exigência da graduação por parte do aluno, ou seja – é um curso de pós-graduação. Muitas instituições renomadas oferecem cursos de formação onde somente graduados universitários podem cursar, como é o caso da Psicanálise – cujo curso é oferecido por instituições como a Sociedade Brasileira de Psicanálise. Pós-graduações em geral possuem no mínimo 600H de carga horária.

d) Cursos Técnicos: Os cursos técnicos são regulamentados por leis estaduais, e assim variam de acordo com a secretaria de educação de cada Estado. São voltadas para a formação principalmente prática, e costumam ter em torno de 1200H de carga horária. Cursos técnicos oficialmente são válidos quando reconhecidos pelo MEC*.

* “Reconhecido pelo MEC”: Tome muito cuidado, nem todo curso reconhecido pelo MEC oferece a qualidade que se espera. Para um curso ser reconhecido, ele precisa obedecer ao que o MEC considera ser conteúdo mínimo para uma formação. Contudo, em geral esses conteúdos estão aquém do que o necessário, quando não estão propostos de forma bastante ineficiente no currículo, muitas vezes apenas para encher uma formação com horas – horas estas que poderiam ser bem melhor aproveitadas. Muitos cursos não reconhecidos pelo MEC o são POR OPÇÃO, pois o reconhecimento do MEC implica na concordância para com seus pareceres, o que muitas vezes não acontece por parte de escolas sérias com base formativa baseada em padrões internacionais, etc. Estas normalmente possuem um curriculo mais completo e condizente com a atualidade.

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Transgênicos eram motivo de medo há poucos anos atrás

Em nossos arquivos encontramos um alerta que denotava a preocupação pelos trangênicos. Imprensa refletia a preocupação governamental, de ambientalistas e do povo. Não demorou muito, com o apoio do governo eles entraram com tudo no mercado, a agricultura industrial coronelada pela Monsanto ganha pedaços de fortuna por vassalagem a essa Rainha de Copas, que corta cabeças artrópodas e ameaça a agricultura orgânica, familiar, e verdadeiramente sustentável, em seus sentidos mais amplos e profundos.

Recordar e entristecer que até aqui, o Brasil só perdeu. (Arnaldo V. Carvalho)

 

CONTRABANDO DE MILHO
 
O ministério da agricultura anunciou em janeiro o resultado de análise de laboratório com 41 amostras de milho no rio grande do sul folhas, espigas e grãos.
 
Uma delas apresentou resultado positivo para transgenia, com índice de 0,43%.
 
A amostra foi coletada numa casa comercial da região de santo Ângelo e destinava-se à alimentação animal.
O ministério determinou a suspensão da venda do produto.
 
 
A Superintendência Federal de Agricultura apurava denúncia de plantio ilegal de milho geneticamente modificado, informa a agência gaúcha Carta maior.
 
Plantio e venda de milho transgênico não são autorizados no país e o infrator está sujeito à prisão de até dois anos, além de multa. Em novembro, análise de Cotegipe indicara o milho RR GA21, da Monsanto, largamente utilizado na Argentina.
 
Repete-se portanto o padrão da introdução ilegal no Brasil de soja transgênica : virou fato consumado.
 
Mas o risco de contaminação é maior agora: o milho, ao contrário da soja, tem polinização aberta e cruzada e pode se propagar por até nove quilômetros com insetos, pássaros ou correntes de vento. Nos países onde o plantio de milho transgênico foi aprovado, há áreas de refúgio como forma de proteção. O plantio anárquico põe em risco avicultura e a suinocultura gaúchas: os países importantes exigem status de produto livre de transgênico. Preocupados, 21 frigoríficos da Associação Gaúcha de Avicultura decidiram bancar testes de transgenia do milho que fornecem aos animais.
 
Mas, como no caso da soja, a questão parece irreversível. A Monsanto desenvolve pesquisas com milho transgênico em Uberlândia (MG) e a CTNbio analisará, a partir deste fevereiro, dois pedidos pela aprovação do milho Guardian e Roundup Ready.

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Marcha Mundial contra a Monsanto também no Rio de Janeiro.

O próximo sábado dia 25 de Maio está sendo organizado mundialmente a Marcha Mundial contra a Monsanto.

Sabemos que a referida empresa é responsável nos últimos 40 anos pela degradação do meio ambiente e comprometimento com a saúde da população mundial.

Aqui no Rio realizaremos um ato na saída do Metrô de Botafogo, esquinas das Ruas São Clemente e Muniz Barreto repudiando as suas ações.

Neste manifesto informaremos aos cidadãos o quanto de seus malefícios contra a população brasileira. 

Contamos com sua presença e apoio na divulgação de uma causa que é de interesse coletivo.

Nos encontramos lá.

Renato Martelleto

 

LOCAL : SAÍDA DO METRÔ DE BOTAFOGO

DATA : 25 DE MAIO DE 2013

HORÁRIO : 9HS

ENDEREÇO : RUA SÃO CLEMENTE ESQUINA COM RUA MUNIZ BARRETO 

 

Fora Monsanto !!!

 Quando o assunto é degradação do meio ambiente e comprometimento com a saúde da população mundial só existe um nome : Monsanto. 

Como podemos conviver e admitir uma relação com quem arruína nossa riqueza natural e deixa uma promessa de doenças para as futuras gerações ?

São 40 anos desta empresa multinacional americana colaborando com a destruição de nossas vidas.

Se diz em prol do desenvolvimento da agricultura, da melhoria da qualidade de vida dos produtores e do bem-estar do povo brasileiro.

Porém, em sua triste e obscura história consta á fabricação de herbicidas utilizados na guerra do Vietnã, o desenvolvimento dos alimentos transgênicos e o monopólio de sementes.

Muitos moradores próximos as suas fábricas e diversos funcionários já foram vitimas de contaminação de seus produtos.

Sua atuação global mostra o quanto de seus malefícios para a Mãe Terra.

Na Índia 95% das sementes de algodão são controladas pela empresa, que possui contratos de licenciamento com 60 empresas.

Na União Européia 36% dos  tomate e 32% dos pimentões são patenteados por ela.

 Nos Estados Unidos, fornece cerca de um terço das sementes de milho e nove de cada dez campos de soja são cultivados com a tecnologia Roundup Ready.

O Brasil é hoje o segundo maior semeador de transgênicos do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, ocupando 70 milhões de hectares  de  produção em nosso país.

Não foi por acaso que no dia 25 de maio está sendo organizado a Marcha Global contra a Monsanto.  Por que contestar uma empresa que alega que os transgênicos são mais produtivos e vão acabar com a fome do mundo?

Simplesmente por ela não ser verdadeira. Em seu currículo de malfeitorias em prol do planeta podemos destacar recente pesquisa que comprova incidência  de câncer e morte em ratos alimentados com transgênicos. Como podemos acreditar em um alimento modificado geneticamente, também conhecido como “Frankstein” ?

A natureza é sabia e nos fornece alimentos de forma natural e sem cobranças.  

As doenças provocadas com seus venenos diabólicos não são instantâneos e sim gradativos, ou seja, os sintomas aparecem ao longo da vida.

Sabemos que esses tipos de empresas estão sempre aliadas a influências governamentais que facilitam sua legalidade em cada país de atuação.

Em nosso país a fiscalização dos alimentos transgênicos é pura fantasia, onde no mínimo, a identificação nos rótulos das embalagens deveriam existir ou pelo menos serem fáceis de identificação com a letra “T”.

    Enquanto não temos uma política séria de saúde pública temos que usar as nossas iniciativas.

Evite consumir alimentos que contenham em sua matéria prima soja, milho e batata.

Esses três são os maiores recordistas em produção transgênica no Brasil.

É importante também sabermos algumas marcas que costumam usar transgênicos em seus produtos:

Cheetos, Dona Benta, Elma Chips, Fandangos, Liza, Maizena,  Quaker, Soya e Yoki.

Pior do que a Monsanto, só mesmo a Monsanto.

Renato Martelleto

“Podem morrer as pessoas, mas nunca suas idéias.” (Ernesto Che Guevara)

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Vegetarianismo ético minimalista

Texto originalmente publicado em http://www.criticanarede.com.

Vegetarianismo ético minimalista

Desidério Murcho

O objectivo deste ensaio é apresentar um argumento a que chamo “minimalista” a favor de uma dieta vegetariana. Procuro mostrar que uma dieta vegetariana é uma opção eticamente mais correcta do que uma dieta não vegetariana mesmo que aceitemos as ideias dos filósofos que se opõem quer aos direitos dos animais, quer à sua importância moral intrínseca. O argumento apresentado é minimalista no sentido em que sustenta que não são necessárias razões muito fortes para que o vegetarianismo seja a dieta eticamente mais correcta. Na verdade — e caricaturalmente — tudo o que precisamos para defender o vegetarianismo é um bom livro de receitas vegetarianas, ou um bom restaurante vegetariano.

Pelo facto de a filosofia analítica ser pouquíssimo estudada em Portugal, poucas pessoas conhecem as disciplinas filosóficas com impacto na vida pública e o caso da ética aplicada é apenas mais um exemplo. Muitas pessoas não sabem por isso que mesmo os filósofos que se opõem à ideia de que os animais têm direitos, ou que sejam de qualquer outro modo objecto de consideração moral, defendem a ideia de que o modo como tratamos os animais é eticamente importante. Não há virtualmente especialistas em ética aplicada que defendam que todas e quaisquer experiências laboratoriais com animais são defensáveis, nem que o modo como são tratados pela indústria alimentar é aceitável. Sublinho este aspecto porque na filosofia — como aliás na ciência — só nos interessam os problemas em aberto e consequentemente o que ainda está em disputa. E o leitor incauto de ética aplicada pode ser levado a pensar que há um grande desacordo entre os filósofos sobre o modo como devemos tratar os animais. Que há desacordo é verdade; mas esse desacordo é muito mais de carácter académico e de pormenor do que prático e geral — na prática, a generalidade dos especialistas em ética aplicada defende que é um mal moral tratar os animais como actualmente são tratados pela indústria alimentar e pelos laboratórios que testam produtos tóxicos em animais. Um dos objectivos do meu argumento minimalista a favor do vegetarianismo é o de ser aceitável mesmo para os filósofos que defendem que os animais não têm direitos ou que defendem que os interesses dos animais não têm peso moral.

Os defensores dos animais dividem-se em dois grupos: os que defendem que os animais têm literalmente direitos, e os que defendem que não têm direitos, mas que é eticamente errado fazer os animais sofrer sem qualquer razão adequada. Os que defendem que os animais não têm direitos defendem-no por pensar que a linguagem dos direitos é enganadora e confusa; defendem que os animais não têm direitos porque, literalmente falando, ninguém tem direitos — nem os seres humanos. O que os seres têm é interesses, a satisfação dos quais deve ser garantida na máxima extensão possível.

Os filósofos que se opõem aos defensores dos animais fazem-no em geral do ponto de vista dos direitos. E o axioma básico dos que se opõem aos direitos dos animais é a ideia de que só quem tem deveres pode ter direitos. É difícil encontrar uma ideia mais lapidar que encerre o que no meu entender é um tão grande erro conceptual, e que nos conduz a labirintos argumentativos para demonstrar que um bebé, um deficiente mental profundo ou um doente terminal em coma têm ainda direitos — apesar de não terem obviamente deveres. Todavia, irei admitir a título de hipótese que estes filósofos têm razão — que os animais não têm direitos, ao passo que todos os membros da nossa espécie têm direitos.

O que temos agora de pensar é se, sob esta hipótese, estamos dispostos a torturar animais, ou a fazê-los sofrer. Filósofos como Michael Allen Fox e David Oderberg consideram que, apesar de os animais não terem direitos, não podemos dispor deles como se fossem meros objectos. A ideia é que apesar de moralmente nada devermos aos animais, não devemos no entanto ser desnecessariamente cruéis e muitas das práticas actuais da indústria alimentar, da investigação científica e do entretenimento são cruéis e como tal de abolir. Do ponto de vista do público, pouca diferença faz que estes filósofos se oponham à ideia de que os animais têm direitos, ou à ideia de que é um mal moral fazê-los sofrer, porque na realidade acabam por defender que não devemos ser cruéis para com os animais.

Ora, o que é interessante é saber se, nestas condições, temos alguma razão ética para ser vegetarianos. E a resposta que quero defender é que temos. Hoje temos acesso a um vasto leque de produtos vegetarianos que nos permitem ter uma dieta pelo menos tão saudável, variada e saborosa como uma dieta que inclua carne e peixe. De modo que o fardo da prova está muito mais do lado de quem quer continuar a comer peixe e carne. Que argumentos podemos apresentar a favor de uma dieta que inclua carne e peixe?

Razões para comer animais

Um primeiro argumento é o de que basta os animais não terem direitos ou os seus interesses não terem peso moral para que estejamos moralmente autorizados a comê-los. Mas este argumento está errado, e mesmo os filósofos que se opõem à ideia de que os animais têm direitos ou interesses com peso moral acham que este argumento está errado. O argumento está errado porque as nossas acções não são apenas moralmente boas ou más pelo mal ou bem que fazemos aos outros, mas também pelo que essas acções nos fazem a nós. Uma pessoa cujo modo de vida inclua torturar animais por prazer tem um perfil moral pior do que uma pessoa que conduza uma vida tanto quanto possível sem crueldade. A crueldade é, em si, eticamente inaceitável, ainda que o objecto da nossa crueldade não tenha direitos nem interesses com peso moral. Para os consequencialistas, a crueldade é um mal moral em virtude das consequências que é legítimo prever; para os não consequencialistas, é um mal porque a intenção de quem tortura por prazer é em si moralmente inaceitável, ainda que as suas consequências morais sejam nulas. Se multiplicarmos a crueldade, tornando-a uma indústria, como é o caso da indústria alimentar, teremos uma situação eticamente indefensável tanto para consequencialistas como para não consequencialistas.

Em resposta a este argumento, o defensor da dieta que inclua carne e peixe pode sublinhar que apesar de o modo como a indústria trata os animais ser inaceitável, em princípio poderíamos ter uma indústria mais humana, que minimizasse o sofrimento provocado aos animais; e, nesse caso, comer carne e peixe seria eticamente aceitável. Este é um dos argumentos mais usados, contra o qual se levanta o argumento minimalista a favor do vegetarianismo. Mesmo alguns defensores do igual peso moral dos interesses dos animais defendem que seria eticamente correcto comer carne e peixe desde que tal prática não provocasse sofrimento nos animais. Para apresentar o que me parece estar errado nesta posição vou recorrer a uma experiência mental.

Imagine-se que todos os meses vou passar um fim-de-semana ao campo e que ao passar por um dado caminho atropelo sempre uma raposa; por um motivo qualquer, há sempre raposas naquele caminho particular e eu conduzo sempre de maneira a não evitar atropelar as raposas. Todavia, bastar-me-ia desviar ligeiramente a trajectória do carro para não matar a raposa. Parece-me que este curso de acção é eticamente inaceitável, ainda que as raposas não tenham quaisquer direitos nem os seus interesses tenham peso moral. Se nada me custava desviar ligeiramente a minha trajectória, a minha insistência em matar todos os meses uma raposa é eticamente inaceitável.

Sustento que esta situação é análoga ao que temos hoje relativamente aos animais. Nada custa alterar muito ligeiramente o nosso estilo de vida, deixando de comer carne, peixe e produtos lácteos. Persistir em fazê-lo, ainda que os animais não tenham direitos nem interesses com peso moral, é moralmente equivalente ao atropelamento das raposas. Ora, argumentar que podemos comer carne e peixe desde que encontremos formas de eliminar o sofrimento dos animais é equivalente a dizer que é moralmente aceitável que eu atropele as raposas, desde que tome medidas para que elas morram sem sofrer. Contudo, é absurdo pensar que alguém se possa dar ao trabalho de tentar garantir que as raposas morram sem sofrimento com o atropelamento, quando é muitíssimo mais simples desviar a trajectória. O ponto importante é precisamente a facilidade com que podemos mudar de dieta, de uma semana para a outra, sem com isso perdermos a variedade, o requinte e o valor alimentar da nossa dieta. Nada custa ter um estilo de vida que exclui a crueldade para com os animais. Na verdade, é um pouco desesperante que seja tão difícil persuadir alguém a tornar-se vegetariano por motivos éticos, ao passo que é muito fácil persuadir as pessoas a tornarem-se vegetarianas por motivos exclusivamente dietéticos.

O ponto importante da minha experiência mental é que não faz sentido, moralmente falando, conceber e pôr em prática formas cada vez mais sofisticadas de criar e matar sem fazer sofrer os animais que queremos comer. Não faz sentido dado que fazer isso é muitíssimo mais trabalhoso do que o abandono puro e simples da alimentação que inclua carne, peixe e lacticínios. O aspecto que quero sublinhar torna-se talvez mais claro se pensarmos em animais com os quais mantemos uma relação especial, como os cães e gatos. Admitindo que os cães e gatos não têm quaisquer direitos nem interesses com peso moral, criar cães e gatos em boas condições para depois os matar sem sofrimento para os comer não é, todavia, eticamente aceitável; é cruel e desumano, mesmo que não façamos tais animais sofrer.

Um contra-argumento a esta ideia é o seguinte: só porque na nossa cultura temos uma relação de grande proximidade com cães e gatos é que poderemos achar eticamente inaceitável matá-los para comer. Noutras culturas é comum criar cães, por exemplo, para comer.

A resposta a este contra-argumento é a seguinte: o facto de estarmos mais próximos de cães e gatos mostra precisamente que se dermos atenção aos animais que nos dispomos a matar para comer, ao invés de pensarmos neles apenas como um produto que se compra no supermercado, as nossas intuições éticas vão no sentido de não matar nem comer esses animais. A cultura é um filtro poderoso, que nos pode cegar para o que é fácil compreender ser inaceitável, se o considerarmos imparcialmente. A escravatura é um caso extremo; o facto de estar culturalmente instituída fez pessoas que de outro modo eram eticamente justas ficar cegas para a injustiça do esclavagismo. O mesmo acontece no caso da desigualdade das mulheres, e dos seus direitos mais básicos, como o direito a votar. Assim, a cultura actual não nos cega em relação a cães e gatos, quando nos faz pensar ser eticamente inaceitável comê-los, ainda que eles não tenham direitos; ao invés, cega-nos, ao fazer-nos pensar que comer outros tipos de animais é eticamente aceitável.

O argumento da lei da selva

Um segundo tipo de argumento a favor de incluir animais na nossa alimentação é o seguinte: se nós não consumirmos os animais que consumimos, como vacas, porcos, peixe, galináceos e outros animais, serão os seus predadores naturais a comê-los. Assim, esses animais serão igualmente mortos, por vezes com bastante sofrimento, com a única diferença de que não serão mortos e criados por nós com vista a alimentar a nossa dieta. Dado que esses animais serão em qualquer caso mortos e comidos, não pode ser eticamente inaceitável que sejamos nós a matá-los e comê-los.

A resposta a este argumento é a seguinte: se deixarmos a natureza correr o seu curso, os seres humanos farão muitas vezes parte da ementa dos seus predadores naturais; mas daí não se segue que seja eticamente aceitável matar e comer seres humanos. Claro que se pode argumentar que isso acontece unicamente porque os seres humanos têm direitos ou interesses com peso moral, ao passo que os animais não os têm (relembre-se que esta é a nossa hipótese de partida). Contudo, apesar de sabermos que os cães e os gatos têm predadores naturais, não estamos por isso dispostos a matá-los para os comer. Não é por isso verdade que basta que os animais não tenham direitos ou interesses com peso moral e que tenham predadores naturais para que seja eticamente aceitável matá-los para os comer. O mundo da natureza é brutal e selvagem; faz parte da civilização e da reflexão ética adoptar práticas diferentes das do mundo da natureza, onde reina a lei do mais forte. Procurar orientação moral no mundo da natureza é algo que tanto os filósofos consequencialistas como os não consequencialistas não fazem. Na natureza, os animais fazem todo o tipo de coisas que não estamos dispostos a imitar, e não há razão para os imitar neste caso em particular só porque queremos comer um bife grelhado, que podemos facilmente substituir por uma boa feijoada vegetariana. Assim, também este argumento é insuficiente para justificar eticamente a nossa dieta baseada em carne e peixe.

O argumento da exequibilidade

Um terceiro tipo de argumento a favor da inclusão de animais na nossa dieta é o seguinte: em muitas culturas, como a esquimó, é pura e simplesmente impossível sobreviver sem comer e matar animais para todo o tipo de fins. Logo, o vegetarianismo falha em obedecer a um axioma fundamental da ética: o impossível não pode ser um dever moral.

A resposta a este argumento é a seguinte: colocados em certas situações, alguns seres humanos já se viram na necessidade de comer os seus mortos, ou de matar os seus companheiros para comer. Daqui não se segue que tais práticas se possam aceitar em geral; são talvez aceitáveis em certas situações, mas precisamente porque são em qualquer caso horríveis, procuramos orientar a nossa vida de modo a que não ocorram. Ora, o mesmo podemos dizer de culturas que dependem fortemente da crueldade. Grande parte da história da humanidade baseou-se na exploração cruel de escravos para conseguir feitos que hoje consideramos admiráveis, como as pirâmides do Egipto. Mas daqui não se segue que devemos preservar este tipo de culturas cruéis; pelo contrário, devemos reformar essas culturas de modo a que as suas práticas cruéis desapareçam, dando lugar a uma cultura mais humanitária. Por outro lado, o vegetarianismo é praticado em muitas culturas humanas. Uma das vantagens do estado de conhecimento geral das culturas humanas a que chegámos é o de podermos escolher as melhores práticas de entre elas. É verdade que em muitas situações um ser humano não pode subsistir sem comer carne ou peixe, por não ter à sua disposição produtos adequados para uma dieta vegetariana equilibrada. Mas numa sociedade da abundância como é o caso da ocidental, que é precisamente onde se come mais carne e peixe, é tão fácil ser vegetariano como não o ser: em ambos os casos, basta ir ao supermercado.

Argumentos remotos

Chamo “remotos” a um quarto tipo de argumentos a favor do consumo de animais; são remotos no sentido em que exploram possibilidades remotas. Eis alguns desses argumentos: ainda que nos abstivéssemos de matar animais para comer, poderíamos criar um sistema que nos permitisse comer os animais mortos pelos seus predadores naturais. Ou poderíamos distinguir entre os animais que provavelmente não têm a possibilidade de sentir dor ou sofrimento, que aceitaríamos matar e comer, e os outros. Assim, não mataríamos vacas, porcos, aves ou peixe, mas mataríamos moluscos para comer, por exemplo.

A resposta a este tipo de argumentos é sublinhar o facto de o consumo de animais ser perfeitamente supérfluo; os seres humanos não precisam de consumir animais para ter uma dieta variada, saudável e rica. Explorar algumas possibilidades remotas é pura e simplesmente inútil. Talvez os caracóis, por exemplo, não tenham um sistema nervoso suficientemente desenvolvido para sentir dor e sofrimento quando são cozidos vivos. Mas não há qualquer razão para os continuarmos a comer quando podemos comer muitos outros petiscos inteiramente vegetarianos. É neste sentido que afirmei que, num certo sentido, o melhor argumento a favor do vegetarianismo é um bom livro de receitas vegetariano, ou um bom restaurante vegetariano. Quando descobrimos a enorme variedade de pratos vegetarianos não sentimos pura e simplesmente qualquer necessidade de complementar a nossa dieta com produtos de origem animal. Só uma cultura excessivamente baseada em produtos de origem animal nos pode fazer pensar o contrário — como talvez nas culturas em que é normal comer cães seja difícil de conceber uma dieta que não os inclua.

Outro tipo de argumento remoto é defender que se não consumíssemos animais, existiriam muitíssimo menos galinhas, porcos e vacas do que existem. Uma vez mais, este argumento é insuficiente contra o vegetarianismo; sem dúvida que existiriam menos animais domésticos, mas existiria mais vida selvagem, cuja observação é cada vez mais uma fonte de grande prazer para grande parte dos seres humanos.

Conclusão

Em conclusão, não me parece que haja quaisquer razões a favor do consumo de animais, mesmo sob a hipótese de os animais não terem quaisquer direitos nem interesses com peso moral. Há dois factores que conduzem a esta conclusão: por um lado, é muito fácil ter uma dieta vegetariana rica, variada e saudável; por outro, matar animais para comer é um acto cruel. A conjunção destes dois factores torna muito difícil defender a ética do consumo de animais. Claro que não será impossível de defender; com um pouco de criatividade podemos encontrar argumentos para tudo, que, ainda que muito maus, podem parecer convincentes — basta pensar nos argumentos nazis a favor do Holocausto. É por isso que concluo com um argumento cautelar: ainda que se levantem alguns argumentos a favor do consumo de animais, o facto de uma dieta vegetariana ser tão fácil, variada, rica e saudável deve levar-nos a recusar o consumo de animais como uma medida de cautela moral. Mais vale errar porque podemos consumir alguns animais de que nos abstemos, do que errar porque consumimos alguns animais de que nos devíamos eticamente abster.

© Desidério Murcho
Comunicação apresentada no colóquio “A Ética e a Defesa dos Animais não Humanos” (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 21 e 22 de Maio de 2002)

Referências
Fox, Michael Allen (2002) “The Moral Community” in Ethics in Practice: An anthology, ed. by Hugh LaFollette, Blackwell, Oxford.
Oderberg, David (2000) “Animals” in his Applied Ethics: A non-consequentialist approach, Blackwell, Oxford.
Todos os direitos reservados. Só é permitido reproduzir este texto caso se cite a sua origem (“Texto originalmente publicado em http://www.criticanarede.com”) e caso seja reproduzido em publicações não-comerciais.

 

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Carne e Produção de Massa



O que o consumo da carne tem a ver com as linhas de montagem de produção em
massa ?

Linhas de montagem é uma idéia que Henry Ford teve. As linhas de montagem
permitiram a produção em massa de automóveis. Essas linhas de montagem logo
foram copiadas para outras indústrias, tanto de bens como de serviços. A
difusão desse conceito, por sua vez, permitiu a existência da sociedade de
consumo em massa como a conhecemos hoje.

O que pouco se comenta é o fato de Henry Ford teve a idéia da linha de
montagem ao visitar uma espécie de linha de "desmontagem". Explicando
melhor:  segundo consta em sua autobiografia "My Life and Work" (1922),
Henry Ford teve essa idéia ao visitar um matadouro em Chicago.

As linhas de desmontagem dos matadouros e frigoríficos foram inventadas por
Gustavus Swift e Philip Armour, de acordo com um livro da Universidade de
Illinois, "Work and Community in the Jungle:  Chicago's Packinghouse Workers
1894-1922". Esses dois sim, foram os verdadeiros pioneiros da produção em
massa.

Nesses frigoríficos, os animais eram suspensos de cabeça para baixo por uma
corrente que corria presa à uma calha, passando de um funcionário para o
outro. Cada um executando uma tarefa específica no desmembramento da carcaça
(atordoamento, corte da cabeça, sangramento, escaldamento, retirada do
couro, corte dos membros, remoção das vísceras, lavagem, serragem, etc).

Aos olhos de Ford, esse procedimento era tão eficiente que ele reverteu o
processo de desmontagem no sentido de que em vez de fragmentar um animal,
ele criaria um produto com a linha de produção:  uma carcaça de automóvel
passaria de funcionário a funcionário, sendo uma ou mais peças integradas em
cada etapa, até atingir o produto final.

O que talvez ele não tivesse idéia ou não deu muita importância, é que, ao
mesmo tempo, nesse processo ele estaria desmontando o ser humano também.

Uma das coisas básicas que deve acontecer em um frigorífico (linha de
desmontagem) é que o animal deve ser tratado como um objeto inerte e
inconsciente, cujo valor ético e cujas necessidades são ignoradas. Da mesma
forma, o empregado da linha de montagem é tratado como um objeto
inconsciente, cujas necessidades emocionais e criativas são ignoradas.

A introdução da linha de montagem teve um efeito rápido e perturbador nas
pessoas. A padronização do trabalho e a separação do produto final se tornou
fundamental na experiência dos empregados. O resultado foi um aumento na
alienação dos trabalhadores em relação ao produto que eles construíam. Essa
espécie de automação isolou as pessoas do senso de realização através da
fragmentação de suas tarefas.

Para as pessoas que trabalham em frigoríficos, essa aniquilação do ser é
dupla:  não apenas elas têm que se conformar em executar a mesma operação
tediosamente horas e horas, como também terão que enxergar o animal como
"carne", coisa que a sociedade já faz, mas com a diferença que esses
funcionários estão lá vendo o animal vivo e por inteiro, pelo menos nos
estágios iniciais do processo.

Esses funcionários têm toda a probabilidade de se alienarem de seus próprios
corpos, à medida que precisam isolar a imagem da carne da imagem do corpo do
animal vivo. Corpo esse que é parecido com o corpo humano em muitos
aspectos. Isso pode ser um dos motivos pelos quais a rotatividade de emprego
é grande entre os trabalhadores de frigoríficos.

Henry Ford desmembrou o significado do trabalho, introduzindo produtividade
mas tirando a sensação dos empregados de estarem sendo produtivos. Esses
empregados, em vez de estarem sendo considerados como seres humanos
integrais, são considerados por tarefa, função e especialidade.

E tudo o que se deseja dos funcionários em uma empresa é o lucro que se
possa obter deles, assim como tudo que se deseja de um animal no matadouro é
o lucro que se possa obter de sua carne. O que os funcionários pensam,
sentem ou sofrem não é levado em conta, da mesma forma que o que os animais
sentem e sofrem também não é considerado.

E a metáfora acaba ficando evidente quando as pessoas usam certas expressões
para comunicar o cotidiano das relações entre empresa e empregados. O "corte
de cabeças" é usado para designar a eliminação de postos de trabalho. A
expressão "tirar o meu couro" é usada para explicar o trabalho desgastante.
Outros preferem dizer "tirar o meu sangue". Muitas pessoas reclamam:  "o
chefe está no meu pescoço". Recrutadores são chamados de "headhunters". As
baias ou cubículos dos escritórios imitam as cocheiras das fazendas-fábricas
de criação intensiva, onde os seres são privados de contato entre si e com o
mundo exterior. Até mesmo um jornal do sindicato dos bancários se chama
"O Massacre".

Upton Sinclair já havia percebido esses paralelos no início do século ao
escrever "The Jungle" (A Selva), usando o matadouro para descrever o destino
dos trabalhadores. Bertold Brecht também empregou a imagem do abate dos
animais para caracterizar a desumanidade nas grandes empresas em sua peça
"Saint Joan of the Stockyards" (Santa Joana dos Currais).

Assim, o ciclo se fecha e o matadouro se torna um símbolo da de-humanização
dos trabalhadores. E essa de-humanização, por sua vez, é consequência de um
sistema derivado de matadouros.

E no fundo disso tudo, está o vício pelo qual um ser humano encara todas as
coisas - natureza, seres sensíveis como os animais e seres criativos e
inteligentes como os humanos - como meros objetos para o seu abuso
egocêntrico.

[Baseado em "The Sexual Politics of Meat" de Carol J. Adams]

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Internacionalização da Amazônia – Parte 1 (artigo de Cristovam Buarque)

O Mundo Para Todos

CRISTOVAM BUARQUE

Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da Internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.

Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.

De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.

Cada museu do mundo é quardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um pais. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.

Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. 
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia.

Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

CRISTOVAM BUARQUE é professor da UNB, 
autor do livro “A cortina de ouro”

ESSA CARTA CHEGOU ENCAMINHADA AO NOSSO E-MAIL. CONSIDERAMOS A MESMA DE EXTREMA RELEVANCIA, E ASSIM RESOLVEMOS PUBLICÁ-LA AQUI, NA ÍNTEGRA.

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