Foi isso mesmo que eu li, Dr. Varella?

Pelo que vemos no texto abaixo, não é de agora que o Dr. Drauzio faz colocações infelizes e que no mínimo se parecem BEM tendenciosas. É de autoria de Wilson Bueno, publicado no Blog do Wilson em 2008, e republicado aqui sob autorização expressa de seu autor.

Foi isso mesmo que eu li, dr. Drauzio Varella?

Eu sempre li e ouvi o dr. Drauzio Varella com muito interesse e respeito, mas acho que, desta vez, devo estar com os olhos cheios de grãos de poeira ou não estou raciocinando direito.

Vejamos, meu amigo, minha amiga. Confira comigo e depois me diga se estou errado ou vendo fantasmas. Tenho aqui em mãos uma entrevista do nosso doutor midiático na revista Diversa, publicada pela Universidade Federal de Minas Gerais, em novembro de 2008, por ocasião do Congresso Nacional de Saúde. A entrevista vai razoavelmente bem até a pergunta seguinte: Como o senhor vê a agressiva publicidade de medicamentos?
Aí vem a resposta, a meu ver absolutamente esclarecedora e surpreendente, do dr. Drauzio Varella:
“Este é um debate internacional. O mundo inteiro está preocupado com esse assunto, que tem sido tratado por editoriais de revistas médicas. É um questão com dois lados. De um lado, os laboratórios têm colaborado muito para o desenvolvimento da medicina e para o preparo dos médicos. A maioria dos médicos que viajam para o exterior têm suas despesas pagas pelos laboratórios. Hoje, encontro em congressos internacionais médicos recém-formados que não teriam condições de bancar com recursos próprios o custo de uma participação em eventos do gênero. Eu mesmo nunca recebi esse tipo de auxílio e até hoje arco com as despesas.
De qualquer forma, a medicina, em especial a oncologia, avançou muito por causa dessas possibilidades. Mas não existe uma pressão direta dos laboratórios. Algo do tipo: “paguei sua viagem, você tem que aceitar meu remédio”. Isso não existe. O que os laboratórios esperam é que o médico indique uma droga ao perceber que ela age melhor em certa doença. Por outro lado, a pressão da publicidade é algo terrível, principalmente nos Estados Unidos. Ela força os pacientes a pressionarem os médicos a prescreverem determinados medicamentos.”
Calma, meu amigo, minha amiga. Foi isso mesmo que você leu e que ele disse (ou será que a revista interpretou mal?). Vamos resumir com outras palavras: 1) Os laboratórios, segundo o dr. Drauzio Varella, são generosos e pagam, sem desejar nada em troca, viagens para os médicos freqüentarem os congressos internacionais; 2) Os laboratórios, segundo o dr. Drauzio Varella, só assediam os médicos porque querem que eles prescrevam o melhor medicamento para os seus pacientes; 3) O problema maior é a publicidade porque induz os pacientes a pedirem remédios para os médicos.
O dr. Drauzio Varella deve estar vivendo num outro mundo (tem gente que entra pelo tubo da televisão e perde a noção de realidade, vai ver que é isso) e deve conhecer alguns laboratórios diferentes dos que eu conheço, o Cremesp conhece, o Sindicato dos Médicos conhece e as revistas internacionais sérias conhecem e assim por diante. Tudo bem que ele queira fazer média com a Big Pharma, mas não precisava exagerar desse jeito. Vai ver que ele teve uma recaída (todo mundo tem, até doutor tem) ou ele está querendo, como a gente diz no interior, “tirar um sarro” de todos nós. Não é possível mesmo que ele acredite piamente no que disse à revista da UFMG.
Estou, de agora em diante, com um pé atrás com o dr. Drauzio Varella porque esta declaração de confiança irrestrita nos laboratórios me deixou bastante desconfiado. Será que existe alguma coisa que não sabemos respaldando a pesquisa da Unip na Amazônia? Puxa, nunca pensei nisso, mas agora fiquei com a pulga atrás da orelha. Não, não pode ser, devo estar sendo assaltado pela “teoria da conspiração”.
Você pode não se lembrar, mas a Novartis, um dos laboratórios que nada têm de generoso, muito pelo contrário, tentou avançar gananciosamente em cima da nossa biodiversidade (tente checar BioAmazônia como palavra-chave no Google!) há um tempo atrás e, se não tivesse todo mundo de olhos bem abertos, inclusive a comunidade científica, teria conseguido o seu intento. Depois, chegou a patrocinar a revista da FAPESP, com direito a sobrecapa para mailing exclusivo, anúncio na página dedicada aos leitores (uma falta de sensibilidade enorme, mas você já viu a Big Pharma ter alguma sensibilidade que não seja para a grana?) etc. Laboratórios avançam sobre as universidades, sobre sociedades científicas e associações profissionais, avançam sobretudo onde há gente doente. Gostam como loucos de dinheiro. Há exceções, certamente, mas elas confirmam a regra.
Eu quero acreditar que o dr. Drauzio Varella estivesse brincando quando deu essa declaração de amor irrestrito à indústria farmacêutica, mas acho que, se a revista não fez uma besteira enorme, foi isso mesmo que ele quis dizer e que todos nós acabamos de ler (eu agora mais uma vez).
É por essa falta de espírito crítico, de adesão à estratégia predadora da Big Pharma, que estamos neste buraco imenso na área da saúde, com corporações explorando os que já estão fragilizados, máfias de medicamentos pipocando em todo lugar e uma relação promíscua entre laboratórios e parte da comunidade da saúde. Puxa, você não viu matéria do Estadão sobre o controle que os laboratórios exercem inclusive sobre as receitas que permanecem nas farmácias? Puxa, você não anda vendo como se recolhe remédio a torto e a direito, depois de matar e inutilizar tanta gente? Viu falar em Vioxx, Acomplia etc? E da Pfizer com o seu pare de fumar que levou muita gente parar de fazer quase tudo? Um lobby imenso e que certamente não atua em nome da nossa saúde.
Os médicos jovens que se cuidem. Essas viagens vão custar caro um dia, a não ser que já tenham decidido, abrindo mão do juramento tradicional, colocar-se do outro lado.
Mais ainda: pera aí, dr. Drauzio Varella (de novo, se a revista não desvirtuou as declarações dele!) não existe publicidade brotando do nada: são os laboratórios que pagam os anúncios, são eles que induzem os pacientes a se auto-medicarem, a buscarem os medicamentos em qualquer lugar. O senhor não sabia disso? Acha que é a televisão, é o rádio, são os jornais e as revistas que pagam os anúncios de remédios?
São, dr. Drauzio Varella, os mesmos laboratórios que pagam as viagens dos médicos jovens, que escrevem artigos e pagam propina para que pesquisadores os assinem e encaminhem para revistas especializadas, que desrespeitam pra burro a legislação da propaganda (o senhor precisa consultar a ANVISA, que faz o monitoramento da propaganda de remédios para obter alguns dados!).
Se o dr. Drauzio Varella disse isso mesmo, não acreditem nele, não é verdade. Talvez ele seja ingênuo ou gosta de fazer média com a Big Pharma. Ele tem o direito, todo mundo tem o direito de escolher os seus parceiros. Por aqui, preferimos seguir a corrente crítica, descomprometida, que sabe quais são as verdadeiras intenções da indústria farmacêutica, em particular as grandes corporações da saúde (O governo precisa vigiar esta farra da pesquisa clínica que grassa por aqui , com médicos entregando para laboratórios e empresas de pesquisa de mercado o cadastro de seus pacientes!).
Sei lá, vou até torcer para que a revista tenha se equivocado. Se não, não quero mais saber do Drauzio Varella. Vou procurar gente mais ligada no que está acontecendo no mundo. Os laboratórios adoram inocentes úteis. Não nasci com essa vocação.
Vou continuar assim mesmo respeitando o dr. Drauzio Varella. Como médico, certamente já ajudou muita gente e a campanha contra o tabagismo foi excelente (ele deveria ser crítico com a indústria farmacêutica como foi com a indústria tabagista, que produz drogas), mas não é fonte boa, isenta sobre laboratórios, está longe disso. Anda muito desatualizado (a não ser que a revista tenha errado tudo). É vivendo e, às vezes, lendo entrevista de celebridades que a gente aprende.
Tem gente que ainda acredita que existem amostras grátis. Aquelas que muitos médicos distribuem com alguns comprimidos , recomendando aos pacientes que não deixem de comprar os demais. E os laboratórios se fartam com tanta generosidade!
A Big Pharma deve estar rindo pra valer. Aquele riso hipócrita, cínico, safado, aprovado pelo FDA, sem recall.

Drauzio Varella e a Fitoterapia no Brasil – Uma crítica consistente: Para pensar!

Dráuzio Varella e a Fitoterapia no Brasil

Prof. Douglas Carrara

Sou antropólogo e pesquisador de medicina popular e fitoterapia há vários anos no Brasil. Imaginem a surpresa e a indignação ao ler a matéria na revista Época de Agosto/2010 sobre a prática da fitoterapia no serviço público no Brasil. No entanto é necessário agradecer ao Dr. Dráuzio Varella pela iniciativa. Agora temos um representante da indústria farmacêutica com quem dialogar. Sinal dos tempos! A fitoterapia e o projeto Farmácias Vivas já começam a incomodar e a causar prejuízos à indústria farmacêutica …

Analisando os países mais avançados do mundo e que utilizam em grande escala os medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica, verificamos que os resultados obtidos pela medicina considerada científica são pífios. Os Estados Unidos possuem os índices de câncer de mama e de próstata mais elevados do mundo. Em 1993 haviam nos EUA, 8 milhões de diabéticos, uma das mais altas do mundo. Com relação às doenças cardio-vasculares também os americanos são campeões.  Nesse país onde se utiliza a “medicina de rico”, no entender esclarecido do Dr. Dráuzio Varella, os pacientes são tratados com medicamentos de última geração e equipamentos modernos de alto custo. Investe-se muito em medicina e quase nada em saúde da população.

Por outro lado, nos países onde se pratica a “medicina de pobre”, para citar novamente o ilustre médico Dr. Dráuzio Varella, os índices de doenças degenerativas, tais como, cânceres, doenças cardio-vasculares, diabetes, são baixíssimos. Nos EUA, ocorrem 120 casos de câncer de mama por 100.000 habitantes, enquanto na China apenas 20.

Inclusive as imigrantes  chinesas que vivem nos Estados Unidos, acabam atingindo os índices absurdos e epidêmicos da população americana. Em São Francisco, a cada ano surgem 160 casos de câncer de mama por 100.000 habitantes que migraram da cidade de Xangai, na China, enquanto, na mesma faixa etária, as que permaneceram, apenas 40 casos surgiram da mesma doença.

Portanto a medicina avançada dos países do primeiro mundo não colabora em nada para promover a saúde de seus habitantes. Por que então importarmos a mesma medicina que não se preocupa com a promoção da saúde e que parece considerar a doença um negócio melhor do que a saúde?

O que diferencia as populações dos países asiáticos é a prática de terapêuticas de origem milenar: fitoterapia, acupuntura, shiatsu, assim como os medicamentos alopáticos, sempre que necessário.

Portanto, Dr. Dráuzio Varella, que modelo de medicina devemos escolher e utilizar no tratamento das doenças da população brasileira de baixa renda? O modelo americano ou o asiático? Como confiamos na sua boa formação matemática e que as estatísticas epidemiológicas não são mentirosas, o melhor caminho para o Brasil forçosamente terá que ser o modelo asiático.

Mesmo sabendo que todos os profissionais da saúde, pesquisadores, fitoquímicos, fitofarmacologistas, etnobotânicos, farmacêuticos, fitoterapeutas e antropólogos da saúde são ignorantes, segundo a douta opinião do Dr. Dráuzio Varella, acreditamos que um dia vamos conseguir atingir os índices baixos de morbidade obtidos atualmente pelos países asiáticos.

Para melhorar o nível de nossos profissionais, pesquisadores da área de plantas medicinais, basta que o próprio governo aumente as verbas para pesquisa com plantas medicinais, que há séculos vem sendo utilizadas sem nenhum apoio do governo no tratamento de seus problemas de saúde pela população pobre, sem recursos, que conta apenas com a experiência de seus ancestrais para tratar de suas doenças. Esta é a realidade da nossa população humilde de interior, cujos serviços de saúde, todos sabemos, são precários e péssimos.

Imagine o Dr. Dráuzio Varella, se a população simples do interior não possuísse nenhum conhecimento da ação das plantas medicinais. Se toda vez que alguém adoecesse tivesse que procurar o serviço de saúde de seu município. Imagine o caos que seria. Em primeiro lugar, porque a maioria dos médicos está concentrada nas capitais dos estados. Em segundo lugar, porque na medida em que nos afastamos dos grandes centros, os recursos na área da saúde diminuem. E por isso faltam medicamentos, faltam leitos de hospital, faltam médicos e enfermeiros. Ainda assim os poucos profissionais que existem no interior foram mal formados na faculdade. As faculdades atualmente se preocupam em formar médicos especialistas em  monitoramento de UTI’s. Enfim são formados para exercer a “medicina de rico”. São pouquíssimos os médicos clínicos disponíveis capacitados para receitar fitoterápicos, mesmo porque não se estuda fitoterapia nas faculdades de medicina no Brasil! E muito menos dispomos de faculdade de fitoterapia, tais como, as que existem na Inglaterra, na França, na Índia, na China.

Não estranhamos, portanto que o Dr. Dráuzio Varella, tenha encontrado muita ignorância nos projetos de Farmácias Vivas estabelecidos em diversas regiões do país. Há, na verdade, uma carência muito grande pesquisas na área de plantas medicinais no Brasil. Por outro lado, a ignorância encontrada pelo ilustre médico  não é decorrente do descaso ou por falta de amor pelo paciente. Além de não ter recebido nenhuma informação, e, muito menos formação, na faculdade onde estudou, o médico que atua nos atendimentos fitoterápicos não dispõe de nenhum apoio logístico. Para praticar a fitoterapia as informações são escassas e mesmo as pesquisas que a Universidade brasileira promove, que o Dr. Drázio Varella, se referiu com tanto desprezo, dificilmente chegam ao seu conhecimento.

Portanto tudo o que o douto Dráuzio Varella considera idiotices são deficiências que ocorrem em um país que até hoje escolheu o modelo da “medicina rica” que promove a doença e não investe na saúde da população. Ao acusar um médico que receita fitoterápicos de idiota, porque não conhece farmacologia, teria que acusar também os demais médicos brasileiros que também não conhecem, porque todos sabemos que a farmacologia moderna é uma caixa preta, cujo conhecimento é de domínio exclusivo dos grandes laboratórios. Para o médico chega apenas a bula dos medicamentos…

Mas agora sabemos que o único cidadão brasileiro que não é idiota e que sabe farmacologia em profundidade é o Dr. Dráuzio Varella, porque provavelmente recebeu informações confidenciais dos grandes laboratórios e pode falar com conhecimento de causa. Como percebeu a deficiência na formação dos médicos que entrevistou, vai agora colaborar e esclarecer e orientar os idiotas, profissionais de saúde, que atuam nos projetos de Farmácias Vivas, idealizado pelo provavelmente também idiota, Dr. Francisco José de Abreu Matos, farmacêutico químico e professor da Universidade Federal do Ceará, infelizmente falecido em 2008. Se estivesse vivo com certeza explicaria as dificuldades para desenvolver e implantar o projeto de Farmácias Vivas no Ceará, com uma experiência profissional de 50 anos.

Sabemos que, segundo o Aurélio, idiota é um indivíduo pouco inteligente, estúpido, ignorante, imbecil e em alguns casos, até mesmo, uma categoria psiquiátrica, a idiotia. Portanto não consideramos correto e muito menos ético, considerar idiotas inúmeros profissionais da área da saúde,  que atuam nos projetos de Farmácias Vivas no Brasil. As deficiências por ventura encontradas pelo ilustre médico deveriam, com certeza, ser avaliadas, mas evidentemente com o respeito que qualquer indivíduo merece, independente de sua formação intelectual.

Quanto à experimentação dos fitoterápicos, a que o Dr. Drázio Varella se referiu, gostaríamos de questionar porque inúmeros medicamentos alopáticos são proibidos e retirados do mercado, após causar inúmeros danos aos pacientes. Por acaso a talidomida que gerou inúmeras crianças defeituosas no mundo inteiro foi submetida a experimentação científica antes de ser colocada á venda no mercado? Quantos aditivos e demais produtos químicos são colocados no mercado, expondo seres humanos e seres vivos aos seus efeitos cancerígenos que somente são percebidos depois que contaminaram todo o planeta. Basta lembrar dos PCB’s, os bifenilos policlorados, óleo conhecido no Brasil como ascarel, que quando foram produzidos em 1929 não se sabia nada de seus efeitos altamente nocivos para os seres vivos e para o meio ambiente. Sua fabricação foi proibida em 1976, mas os efeitos maléficos cumulativos e persistentes que atingiram toda a cadeia alimentar do planeta, não. A contaminação continua até os dias de hoje e, provavelmente o ilustre médico Dr. Dráuzio Varella também deve estar contaminado com PCB’s, o que explicaria sua atitude pouco ou nada cortês com demais indivíduos de sua espécie. Este é apenas um trágico exemplo, mas existem mais de 800 aditivos químicos ainda não estudados utilizados na fabricação de alimentos. São proibidos apenas quando, após experiências com animais, se descobre que são cancerígenos. Nesse caso, as cobaias não foram os pobres camondongos, foram os seres humanos que, sem  serem consultados, foram submetidos à experimentação.

Também consideramos necessário experimentar previamente as plantas medicinais. Os ensaios toxicológicos são evidentemente necessários, inclusive para estabelecer uma posologia adequada para um possível atendimento fitoterápico. Por outro lado, a etnobotãnica e a antropologia da saúde fornecem uma contribuição muito importante para a ciência ao estudar o conhecimento de raizeiros e pajés indígenas que conhecem os efeitos de cada planta a partir da experiência recebida de seus ancestrais e da utilização da planta por si mesmo. Podemos dispor desse modo de uma informação preciosa a respeito de plantas potencialmente tóxicas e perigosas. Na verdade tudo o que sabemos de cada planta considerada medicinal, tem origem na medicina popular, indígena, ou através dos conhecimentos trazidos pelas etnias africanas introduzidas no Brasil como escravos desde o início do processo de conquista e colonização do Brasil.

Na verdade todas as plantas medicinais estudadas pela Universidade no Brasil são oriundas da medicina popular. Não existe nenhuma planta medicinal cujo conhecimento não seja difundido entre a população.  Portanto quem decide o que estudar em termos de ação medicinal, são os intelectuais existentes nas comunidades simples do interior brasileiro, os raizeiros, os mateiros, as parteiras, os rezadores, os umbandistas, os curadores de cobra, etc.  São eles que informam aos etnobotânicos e antropólogos da saúde o que vale a pena estudar no reino vegetal. Se não fosse assim porque a Universidade iria formar etnobotânicos, etnofarmacologistas, especialistas em estudar o pensamento médico popular, com o objetivo de encontrar plantas, com grande potencial terapêutico. E tal fato vem acontecendo no mundo inteiro. A planta medicinal, Stevia rebaudiana foi descoberta pelos índios guarani do Paraguai e classificada pelo cientista suíço Moisés Bertoni. Pois bem, a estévia é um adoçante 300 vezes mais potente do que o açúcar de cana e não produz diabetes. Não por acaso foi proibido o seu uso nos Estados Unidos!

Assim necessitamos cada vez mais reduzir nossa ignorância aprendendo com quem sabe: os praticantes da medicina popular, porque ninguém é totalmente sábio ou totalmente ignorante. O acesso ao saber é um processo contínuo de busca e por isso para deixar de ser ignorante é necessário trilhar sempre o caminho da pesquisa e humildemente reconhecer que, mesmo quando avançamos, sabemos apenas que sabemos pouco ou quase nada.

Entretanto quando julgamos os que realmente pesquisam e buscam o conhecimento, totalmente ignorantes e idiotas, estamos reconhecendo que nada sabemos do que necessita ser conhecido.

Pelo menos o Dr. Dráuzio Varella reconheceu que o atendimento fitoterápico é profundamente diferente do atendimento alopático. O médico fitoterapeuta escuta durante muito tempo as queixas e o histórico do paciente e faz uma anamnese correta e completa. Nenhuma novidade nisso. Todo médico deve fazer isso. “O doente vai ao médico e ele nem olha na cara”, segundo Dr. Dráuzio Varella. Realmente esta é a realidade da “medicina de rico” aplicada ao pobre.  O médico de formação alopata não olha o paciente, porque não necessita individualizar o paciente, basta receitar um analgésico ou antibiótico qualquer, para despedir seu paciente. Este é o modelo que o Dr. Dráuzio Varella defende em sua entrevista. Parabéns pela inteligência do Dr. Dráuzio Varella!

Enfim, vamos aguardar a reportagem do dia 29/08/2010 na Globo, para avaliar melhor a proposta do Dr. Dráuzio Varella.