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Embrapa esclarece sobre a instituição após lamentáveis afirmações de Drauzio Varella

Esclarecimento (18/08/2010)

Em resposta à entrevista concedida pelo médico Drauzio Varella à Revista Época, a Embrapa vem a público esclarecer que:

A Embrapa Amazônia Oriental, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, vem trabalhando, ao longo dos seus 70 anos de história, na geração, adaptação e validação de conhecimentos e tecnologias, respeitando os saberes e tradições do povo brasileiro.

Como instituição de referência na pesquisa com Plantas Medicinais, a Unidade da Embrapa, sediada em Belém-Pará, possui uma linha de pesquisa que trata de recursos genéticos, com trabalhos científicos nas áreas de etnobotânica e biotecnologia voltados às plantas medicinais. Esses estudos envolvem a coleta de material genético e formação de bancos de germoplasma; caracterização fitoquímica de plantas; conservação in situ e ex situ; identificação botânica; e melhoramento genético.

O Horto de Plantas Medicinais da instituição é uma coleção de plantas (banco de germoplasma) utilizada para o desenvolvimento de pesquisas e transferência de tecnologias para preservar a variabilidade genética das plantas amazônicas; caracterizar as espécies de plantas; garantir a sua identificação correta; e assegurar seu cultivo e manipulação adequados por parte das comunidades amazônicas. Não se trata, portanto, de uma farmácia viva.

O trabalho coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental e apresentado ao médico Drauzio Varella, em Belém-PA, faz parte de projeto que envolve uma equipe multidisciplinar de médicos, engenheiros agrônomos, farmacêuticos, fisioterapeutas, biólogos e bioquímicos da Embrapa, Universidade Federal do Pará, Universidade Federal de Lavras e Centro Universitário do Pará. Não há ideologia, o trabalho é pautado no conhecimento científico aliado ao conhecimento tradicional.

O engenheiro agrônomo citado na entrevista do médico possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural da Amazônia, mestrado em Agronomia (Fitotecnia) pela Universidade Federal de Lavras, Especialização em Biotecnologia de Plantas pela JICA-Japão e doutorado em Agronomia (Fitotecnia-Biotecnologia de Plantas) pela Universidade Federal de Lavras (MG), já tendo recebido três Prêmios Finep de Inovação Tecnológica em diferentes categorias. Tem larga experiência na área de Fitotecnia, Recursos Genéticos e Biotecnologia, com ênfase em Biologia Celular e Propagação de Plantas, atuando principalmente nos seguintes temas: micropropagação, plantas medicinais, cultura de tecidos vegetal e conservação genética. É professor do curso de doutorado em Agroecossistemas da Amazônia, da Universidade Federal Rural da Amazônia, do curso de especialização lato sensu Cultivo, Manejo e Manipulação de Plantas Medicinais da Universidade Federal de Lavras.

O pesquisador trabalha há 18 anos com plantas medicinais e, entre suas diversas publicações, lançou recentemente a obra “Plantas Medicinais: do cultivo, manipulação e uso à recomendação popular”, em parceria com a Universidade Federal de Lavras. A obra é uma reunião de informações científicas atuais, balizadas no conhecimento de várias áreas do conhecimento (medicina, fisioterapia, farmácia e bioquímica, biologia e agronomia), aliadas à sabedoria popular relacionada à tradição de agricultores, caboclos e índios da Amazônia.

As informações apresentadas ao médico Drauzio Varella por ocasião de sua vinda à sede da Embrapa em Belém, não se tratam portanto de informações sem pesquisa, sem conhecimento, sem ciência. Elas são fruto de um trabalho desenvolvido em uma das mais antigas instituições de pesquisa do Brasil, protagonista da produção de Ciência e Tecnologia em prol da sociedade brasileira.

 

Área de Comunicação Empresarial

Embrapa Amazônia Oriental

Contatos: (91) 3204-1152 / 9112-4688

ace@cpatu.embrapa.br

O TEXTO ACIMA É DE USO E RESPONSABILIDADE DA ÁREA DE COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL DA EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL.


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Dráuzio Varella e a Fitoterapia no Brasil II

Dráuzio Varella e a Fitoterapia no Brasil II

“Não há porque envergonhar-se de tomar do povo o que pode ser útil à arte de curar.”

Hipócrates (460-380  a.C.)

Há muito tempo a Antropologia se recusa a utilizar categorias inadequadas para estudar e compreender o pensamento popular à respeito da saúde e da medicina. Os folcloristas no passado se referiam à medicina popular como superstições, crendices, práticas consideradas abomináveis por médicos ou pessoas de formação acadêmica. Esta rejeição pejorativa do pensamento popular ocorre sem nenhuma análise de sua função social, já que as práticas da medicina popular necessitam melhores observações e não podemos destacá-las pura e simplesmente sem estudar o seu contexto cultural, sem participar da vida, da interação com aqueles que nos deram os informes, geralmente extraídos e exibidos em função de sua estranheza ou seu exotismo. (1)

Muitas práticas consideradas crendices no passado, atualmente são plenamente explicáveis cientificamente. O uso da laranja mofada ou do queijo embolorado, por exemplo, para tratar feridas tem sido uma prática muito mais antiga do que a descoberta da penicilina por Alexander Fleming (1881-1955)  em 1932. Atualmente sabemos que a laranja abandonada no fundo do quintal, quando apodrece é atacada por um fungo do mesmo gênero (*) do bolor utilizado por Fleming para produzir o primeiro antibiótico. E o raizeiro raspa a casca da laranja onde estava o bolor e passa externamente nas feridas crônicas. Em pouco tempo a inflamação cede e começa o processo de recuperação do paciente. Da mesma forma, em Cesárea, antiga cidade fundada pelos romanos, os armênios tratavam as feridas atônicas, cobrindo-as com queijo mofado, também produzido por um bolor semelhante ao bolor que deu origem à penicilina. (2)

A vacinação anti-variólica, descoberta por Edward Jenner (1749-1823) em 1798, responsável pela erradicação da varíola em todo o mundo, uma doença extremamente virulenta e mortal, somente foi possível graças aos próprios camponeses na Inglaterra que, pelo menos, a partir de 1675, se vacinavam, inoculando em si mesmos as secreções do gado atingido pela varíola bovina. Isto porque eles sabiam que a cow-pox (varíola bovina) era benigna e não matava como a varíola humana. Inclusive o próprio Jenner, médico que, ao atender uma camponesa, e suspeitar de que estivesse com varíola humana, obteve como resposta, e com extrema segurança, o seguinte: “ Não posso ter varíola, porque já tive cow-pox.” Esta foi a informação que Jenner necessitava para descobrir o princípio da vacina e iniciar o combate a esta terrível doença de maneira rigorosamente científica. Graças à uma crendice de origem popular, Dr. Dráuzio Varella!

Mas não somente os camponeses ingleses conheciam esta técnica. A inoculação da varíola a fim de provocar uma forma atenuada da mesma era conhecida secularmente na China. A crosta de uma  pústula era pulverizada e introduzida no nariz ou insuflada por meio de um tubo de bambu até que se formasse uma erupção local. Os armênios também se vacinavam muitos séculos antes de Jenner. O padre Lucas Indjidjian, em seu livro “Darap atum” (História dos Séculos), publicado em 1827, descreve as minúcias do método nos seguintes termos: “Os armênios praticavam, há muito tempo, a vacinação contra a varíola, de modo empírico. Consistia seu método em recolher as crostas das pústulas de varíola na fase de descamação e conservá-las nos resíduos de passas de uvas. No momento oportuno, administravam-se essas passas às pessoas que se pretendia preservar da varíola. Mais tarde, os armênios puseram em prática o método de inoculação por incisão ou fricção, procurando levar o agente portador da varíola por baixo da pele do indivíduo são. Este método profilático foi introduzido em Constantinopla por emigrantes armênios no ano de 1718. Lady Montague, esposa do embaixador inglês junto ao sultão, experimentou sua utilidade em seu próprio filho”. (2)

Assim os exemplos são inumeráveis de supostas crendices populares que, com o desenvolvimento da ciência, e a superação dos preconceitos por parte dos cientistas, acabam sendo esclarecidas e enaltecendo a grandeza do pensamento médico popular. O próprio Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) afirmava que “sábios tem menos preconceitos do que os ignorantes, porém ficam mais presos aos que possuem.” Por isso é muito difícil convencer um médico preconceituoso e limitado como Dráuzio Varella. O paradigma cartesiano está tão profundamente arraigado e internalizado em seu pensamento que o torna obcecado pelas suas convicções pseudo-científicas.

Sabemos hoje que inúmeras plantas medicinais tiveram suas propriedades medicinais descobertas em ambiente não-científico. A planta chinesa ma huang (**) que contém efedrina (alcalóide utilizado como agente cardiovascular) foi empregada empiricamente pelos médicos nativos, hoje em dia, chamados de médicos de pés-descalços, durante mais de 5.000 anos! O receituário chinês menciona que a planta é útil como antipirética, sudorífica, estimulante circulatório e sedativo da tosse. E eu pergunto, isto também era uma crendice, Dr. Dráuzio Varella?

Na Inglaterra, as folhas da dedaleira (***) era utilizada sob a forma de infusão para o tratamento da hidropisia (ascite) provocada pela insuficiência cardíaca. Esta prática popular foi recolhida pelo médico inglês William Withering (1741-1799) em 1771, que documentou toda esta experiência em livro publicado na época. Entretanto somente em 1910 a ação da digitalina (hoje digoxina), glicóside contido na planta, sobre o músculo cardíaco foi   explicada de forma científica e até hoje vem sendo aplicada com grande aceitação pela medicina científica e até mesmo pelo médico Dráuzio Varella.

O isolamento da vitamina C e a definitiva explicação das causas do escorbuto são atribuídas a Albert Szent-Gyorgi (1893-1986) e Charles King (1896-1988)  em 1932. Entretanto, o tratamento do escorbuto com cítricos era conhecido desde 1498, quando os marinheiros de Colombo foram acometidos de escorbuto, os homens quase moribundos, pediram para serem deixados numa ilha. Quando meses depois, Colombo retornou à ilha, encontrou seus homens vivos e saudáveis. Durante o período tinham se alimentado de frutos tropicais existentes na ilha e por isso a ilha passou a ser chamada de “Curaçao”. Em 1593, Pietro Mathiolus (1501-1577) publicou, na Europa, uma receita em que preconiza o emprego dos frutos da rosa silvestre (****) contra as hemorragias dentárias, assegurando que o pó dentifrício de rosa silvestre fortalece as gengivas. Hoje sabemos que o fruto da rosa silvestre possui altos teores de vitamina C (900 mg). Portanto uma crendice fitoterápica perfeitamente esclarecida.

Um fitoquímico brasileiro, Prof. Walter Mors, inclusive, reconheceu que na verdade só podemos admirar a experiência milenar de povos primitivos que, muito antes do surgimento da ciência moderna, descobriram, por exemplo, todas as plantas portadoras de cafeína: o chá na Ásia, o café e a noz-de-cola na África, o guaraná e o  mate na América. E o efeito estimulante da cafeína nem é tão flagrante que possa ser reconhecido num simples mascar de folhas ou sementes. (3)

Segundo Jan Muszynski, atualmente conhecemos 12.000 espécies de plantas medicinais que são usadas por diferentes povos em todo o mundo. Convém acrescentar que essas espécies são as selecionadas por diversos povos durante milhares de anos. A ciência moderna não descobriu nenhuma planta nova medicinal ou comestível, mas somente estuda e introduz as já conhecidas popularmente. (4)

Apesar de tudo, o menosprezo pelo saber popular permanece. Para a ciência cartesiana, o único saber válido que existe é apenas o pensamento científico e com isso os demais saberes são na verdade não-ciência, e se um raizeiro descobre alguma propriedade medicinal em uma planta com que convive há anos, este conhecimento faz parte da biodiversidade na qual está inserido, portanto passível de expropriação por quem possua direitos sobre a área. Tal como no período dos grandes descobrimentos, os direitos são concedidos muito antes da conquista efetiva através da ocupação do território. (5)

Entretanto a história da ciência tem mostrado que as grandes descobertas científicas ocorrem fora do espaço teórico-científico ou acadêmico. No século XIX, todos os historiadores da química reconheceram o furor experimental dos alquimistas e acabaram rendendo homenagem a alguns descobrimentos positivos, tais como o ácido sulfúrico e o oxigênio, ainda que para eles não fosse uma descoberta. René Dubos, inclusive, talvez o  mais importante biólogo e cientista do século XX, afirma que as principais invenções que deram impulso surpreendente à ciência foi promovida por mecânicos, curiosos, bricoleurs, inventores, etc. (6)

No livro “O Pensamento Selvagem”, Claude Lévi-Strauss reconhece a legitimidade e a grandeza do saber indígena e popular.  Segundo ele, o pensamento selvagem não é uma estréia, um começo, um esboço, parte de um todo não realizado; na verdade forma um sistema bem articulado; independente, neste ponto, desse outro sistema que constituirá a ciência (cartesiana). Cada uma dessas técnicas, muitas delas oriundas do período neolítico, a cerâmica, a tecelagem, agricultura, o tratamento de doenças com plantas  e a domesticação de animais supõe séculos de observação ativa e metódica, hipóteses ousadas e controladas, para serem rejeitadas ou comprovadas por meio de experiências incansavelmente repetidas. Por isso foi preciso, não duvidamos, uma atitude de espírito verdadeiramente científica, uma curiosidade assídua e sempre desperta, uma vontade de conhecer pelo prazer de conhecer, porque uma pequena fração apenas das observações e das experiências poderia dar resultados práticos e imediatamente utilizáveis. As diferenças entre o saber científico e o saber selvagem ou popular se situam não ao nível dos resultados, mas sim quanto à estratégia para chegar ao conhecimento, o saber popular muito perto da intuição sensível e o outro mais afastado. (7)

E com isso toda a criatividade desenvolvida por raizeiros, parteiras, mateiros, pajés, pais-de-santo, rezadores, curadores de cobra, ao longo de uma vivência pessoal acumulada através dos anos, sem nenhum apoio externo institucional, agora está sendo valorizada e expropriada com tenacidade pelos grandes laboratórios. Afinal de contas, uma tradição não expressa senão a longa e penosa experiência de um povo. Nasce da batalha travada para manter a sua integridade ou, para dizê-lo com mais simplicidade, da sua luta para sobreviver, buscando na Natureza remédio para seus males.

Com certeza o aumento da longevidade ocidental e oriental se deve ao avanço da ciência e do conhecimento, mas não apenas dos medicamentos farmacêuticos, pois os recursos terapêuticos da medicina alopática tiveram um papel muito pequeno nos resultados obtidos. O conjunto dos atos médicos modernos é impotente para reduzir a morbidade global. (8)

Na verdade, as moléstias infecciosas, tais como, tuberculose, disenteria, tifo que dominaram o nascimento da era industrial vinham gradativamente reduzindo sua incidência, depois da Segunda Guerra  Mundial, antes do emprego dos antibióticos.  Quando a etiologia dessas moléstias foi compreendida e lhes foi aplicada uma terapêutica específica, elas já tinham perdido muito de sua atualidade. É possível que a explicação se deva em parte à queda natural de virulência dos microrganismos e à melhoria das condições de habitação e da disseminação de redes de esgoto e de água tratada, mas ela reside, sobretudo, e de maneira muito nítida, numa maior resistência individual, devida à melhoria da nutrição e conseqüentemente do fortalecimento do sistema imunológico humano.

Portanto o Dr. Dráuzio Varella se equivoca quando atribui a maior expectativa dos povos orientais aos avanços da medicina e aos antibióticos. As estatísticas mostram que  os índices de morbidade dos povos orientais  são bastante inferiores aos padrões ocidentais. A diferença fundamental reconhecida mundialmente está no regime alimentar e no estilo de vida e principalmente no consumo maior de proteínas de origem vegetal.

Por outro lado, é necessário reconhecer os grandes avanços tecnológicos obtidos pela biomedicina no mundo inteiro. Porém sabemos todos, que as pesquisas e os investimentos são realizados por grandes empresas que monopolizam o mercado mundial e, como tem propósitos lucrativos, somente investem no tratamento de doenças que lhes permitam elevada lucratividade. Por isso as doenças mais comuns dos países do terceiro mundo recebem pouca atenção e pesquisas no sentido de produzir novos medicamentos eficazes para combatê-las. Na verdade os medicamentos utilizados no tratamento de doenças degenerativas, como o câncer, o diabetes, as doenças cardio-vasculares, e os equipamentos eletrônicos de monitoramento de pacientes terminais são o grande foco da indústria farmacêutica e médica.  E o raciocínio de seus dirigentes chega a ser bastante simplório, tal como a declaração de um financista da indústria farmacêutica, numa entrevista ao jornal Herald Tribune (01/03/2003): “O primeiro desastre é se você mata pessoas. O segundo desastre é se as cura. As boas drogas de verdade são aquelas que você pode usar por longo e longo tempo.” Sem comentários. (9)

Com relação à avaliação da eficácia dos medicamentos fitoterápicos promovida pelo quadro “É Bom pra Quê?” do Fantástico, é realmente lamentável que um médico como Dráuzio Varella não saiba que em epidemiologia é necessário analisar uma grande quantidade de resultados para se chegar a uma conclusão. Inclusive, sabemos todos, que uma clínica não pode ser avaliada pelo número absoluto de óbitos.  Deve-se comparar os resultados com o número médio de óbitos mensal para saber se  alguma anormalidade  está ocorrendo. Apenas quando o número de óbitos está muito acima da média, as autoridades médicas acionam o alarme e começam a investigar os motivos que extrapolaram à média esperada.

Trata-se de desonestidade intelectual condenar o uso da babosa (Aloe Vera) no tratamento do câncer utilizando um caso negativo isolado. Medicina não é matemática. Para obter uma avaliação válida do uso da babosa no tratamento de câncer, o médico/repórter Dráuzio Varella deveria buscar os resultados médios obtidos nos diferentes postos de saúde que a utilizam ou até mesmo na extensa bibliografia existente não somente no Brasil, mas no mundo inteiro.

Se fosse necessário avaliar os resultados do tratamento de uma doença por um medicamento sintético teríamos, no campo da ciência, de agir desta maneira. Porque no caso da fitoterapia é diferente? Dois pesos e duas medidas.

Com relação à necessidade de pesquisas com as plantas medicinais a Universidade Brasileira desenvolve, há vários anos, padrões de avaliação científica das plantas medicinais. Desde a realização do 1o Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil em 1967, quando foram apresentados 22 trabalhos científicos até o XVII o Simpósio em Cuiabá em 2002, que recebeu 870 trabalhos científicos, houve um incremento de 3800 % (10). Talvez ainda seja muito pouco, para um país com as dimensões do Brasil. Mas estamos buscando um caminho, com dificuldades, é claro. Portanto são inúmeros os pesquisadores no Brasil habilitados para elaborar projetos e pesquisas sobre plantas medicinais. E nós não necessitamos da ajuda do Dr. Drauzio e muito menos do Fantástico para fazer esse trabalho de avaliação. E, além disso, o Dr. Dráuzio é um simples médico/repórter sem experiência e habilitação para fazer esse tipo de trabalho, inclusive sem título de mestrado. Na verdade sua formação de médico não lhe permite isso. A pesquisa nesta área é fundamentalmente multidisciplinar e o Dr. Dráuzio teria com certeza um espaço para atuar na equipe, se tivesse alguma especialização na área, e se examinarmos seu currículo Lattes, verificamos uma escassa experiência de pesquisas com plantas medicinais. Sua alegação de que pesquisa há 15 anos na Amazônia, não lhe garante direito algum para decidir o que deve ser feito. E porque estas pesquisas não são publicadas? Por isso as posições do Dr. Dráuzio são ridículas.

Qualquer pesquisador da área reconhece a necessidade de várias etapas de pesquisa para validar a ação medicinal de uma planta. Mas quem vai decidir sobre a metodologia adequada para sua validação não pode ser o Dr. Dráuzio. Trata-se de uma inversão de valores e de interesses escusos.

A enorme quantidade de críticas surgidas após a entrevista do Dr. Dráuzio à revista Época de 13/08/2010 explicitam a indignação de pacientes e profissionais da área de pesquisa de plantas medicinais no Brasil.

Como a motivação pela pesquisa de plantas medicinais e sua defesa é muito grande devemos reconhecer que todos objetivam encontrar uma alternativa válida para cuidar de nossa saúde. E diga-se a verdade, não somente com plantas medicinais, mas também buscando técnicas terapêuticas milenares, como a acupuntura, o shiatsu, a medicina tradicional chinesa, a medicina ayurvédica, a auto-hemoterapia, a iridologia, a homeopatia,  a antroposofia, o psicodrama, o naturismo, a aromaterapia, a musicoterapia, a meditação transcendental, a yoga, a biodança e inúmeras outras terapias.  E essa procura não ocorre por acaso, não é mesmo?

Trata-se apenas da busca desesperada de uma nova filosofia médica que compreenda o ser humano de maneira integral.

As pessoas não suportam mais serem fragmentadas e segmentadas tal como  as inúmeras peças de um quebra-cabeça. Segundo a Organização Mundial da Saúde a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças. Eu complementaria acrescentando ao texto o bem estar cultural e espiritual.

E a biomedicina alopática ou convencional ao invés de atender a estas necessidades fundamentais do ser humano fragmenta ainda mais, criando novas especialidades médicas apenas para atender às necessidades do médico e nunca as do paciente e, com isso,  a cada dia existem mais médicos que sabem muito sobre muito poucas coisas e que acabam por perder de vista o todo, o homem enfermo. Poder-se-ia chamar isso de fragmentação da responsabilidade frente ao paciente. (11) Com isso estabelecem um campo cirúrgico no corpo do paciente e esquecem todo o resto. O paciente é apenas um objeto que carrega uma enfermidade.

Quando alguém adoece, seu sistema imunológico está em baixa, com pouca resistência aos micróbios ou germes invasores de seu corpo que se aproveitam da fragilidade para se reproduzir e com isso gerando os sintomas da doença.  Como consequência a doença depende do que Louis Pasteur (1822-1895) definia, pouco antes de falecer, das condições do “terreno”, favorável ou não ao desenvolvimento das colônias microbianas.

A partir desta noção, aceita pelos que defendem as medicinas integrais, o paciente necessita urgentemente nesse momento de buscar a restauração do equilíbrio de todo o organismo e não apenas da supressão de sintomas incômodos, aparentemente o mais afetado pela enfermidade. E é por isso que não basta suprimir sintomas, combater as dores ou a febre com analgésicos, levantar o paciente da cama, ou no jargão economicista, restaurar apenas a força de trabalho, característica fundamental da terapêutica alopática. ´

É necessário buscar terapêuticas que ajudem a recuperar o sistema imunológico. E as medicinas integrais caminham neste sentido e, com certeza, serão a medicina do futuro, que cada vez fica mais próximo. Quem viver, verá.

Prof. Douglas Carrara

Antropólogo, Professor, Pesquisador de medicina popular e fitoterapia no Brasil

www.bchicomendes.com

djcarrara@hotmail.com

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Bibliografia Consultada:

(1) ARAUJO, Alceu Maynard (1913-1974):

1979 – Medicina Rústica – Cia. Ed. Nacional – São Paulo – 301 p.

(2) MISSAKIAN, B.:

1951 – A Medicina Popular Armênia – in Actas Ciba – Ano XVIII – N. 1 – ABR/1951 – pp. 33-38

(3) MORS, Walter (1920-2008):

1982 – Plantas Medicinais – in Ciência Hoje – n. 3 – NOV/DEZ/1982 – Rio – pp. 14-19.

(4) MUSZYNSKI, Jan:

1948 – Volta à Fitoterapia na Terapêutica Moderna – in Revista da Flora Medicinal – Ano XV – n. 9 – SET/1948 – Rio – pp. 363/384.

(5) SHIVA, Vandana:

2001 – Biopirataria – A Pilhagem da Natureza e do Conhecimento – Ed. Vozes – Petrópolis – 152 p.

(6) DUBOS, René (1901-1982):

1972 – O Despertar da Razão – Ed. Melhoramentos/Edusp – São Paulo – 194 p.

(7) LÉVI-STRAUSS, Claude (1908-2009):

1970 – O Pensamento Selvagem – Cia. Ed. Nacional – São Paulo – 331 p.

(8) ILLICH, Ivan (1926-2002):

1975 – A Expropriação da Saúde – Nêmesis da Medicina – Ed. Nova Fronteira – Rio – 196 p.

(9) ALMEIDA, Eduardo & Luís PEAZÊ:

2007 – O Elo Perdido da Medicina – Ed. Imago – Rio – 250 p.

(10) FERNANDES, Tânia Maria:

2004 – Plantas Medicinais – Memória da Ciência no Brasil – Fiocruz – Rio de Janeiro – 260 p.

(11) JORES, Arthur (1901-1982):

1967 – La Medicina em la Crisis de Nuestro Tiempo – XXI Ed. – México – 80 p.

CARRARA, Douglas:

1995 – Possangaba – O Pensamento Médico Popular – Ribro Soft – Maricá – 260 p.

DIEPGEN, Paul:

1932 – Historia de la Medicina – Ed. Labor – Barcelona – 435 p.

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(*) Penicillium digitatum

(**) Ephedra vulgaris

(***) Digitalis purpurea

(****) Rosa canina

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Palestra do Prof. Douglas Carrara no RJ

PALESTRA GRATUITA

Como Melhorar sua Saúde com as Plantas Medicinais

Prof. Douglas Carrara

Atualmente todos nós gostaríamos de evitar o mundo agitado em que vivemos e que produz efeitos danosos a nossa saúde. E por isso temos saudade do tempo de nossos avós que nos tratavam com chás de ervas colhidas no fundo do quintal.  Isso ainda é possível. Basta querer e resgatar o saber de nossos antepassados que sabiam em profundidade o segredo do uso correto das plantas medicinais.
Quem estiver interessado em saber um pouco sobre esses segredos basta comparecer na Estação Paraíso, Centro de Qualidade de Vida, no dia 23 de agosto de 2010, às 19 horas, na Rua Francisco Bernardino, 68 – Riachuelo – Rio de Janeiro, para assistir à palestra do Prof. Douglas Carrara, que há vários anos se dedica a ensinar fitoterapia para profissionais da área da saúde e também para leigos, interessados no assunto. Entretanto é necessário se inscrever para garantir sua vaga, já que o espaço possui apenas 40 cadeiras.
Inscrições: Telefone: (21) 3278-6116
Mais detalhes em http://www.bchicomendes.com/bcm/paraiso.htm

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Drauzio Varella e a Fitoterapia no Brasil – Uma crítica consistente: Para pensar!

Dráuzio Varella e a Fitoterapia no Brasil

Prof. Douglas Carrara

Sou antropólogo e pesquisador de medicina popular e fitoterapia há vários anos no Brasil. Imaginem a surpresa e a indignação ao ler a matéria na revista Época de Agosto/2010 sobre a prática da fitoterapia no serviço público no Brasil. No entanto é necessário agradecer ao Dr. Dráuzio Varella pela iniciativa. Agora temos um representante da indústria farmacêutica com quem dialogar. Sinal dos tempos! A fitoterapia e o projeto Farmácias Vivas já começam a incomodar e a causar prejuízos à indústria farmacêutica …

Analisando os países mais avançados do mundo e que utilizam em grande escala os medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica, verificamos que os resultados obtidos pela medicina considerada científica são pífios. Os Estados Unidos possuem os índices de câncer de mama e de próstata mais elevados do mundo. Em 1993 haviam nos EUA, 8 milhões de diabéticos, uma das mais altas do mundo. Com relação às doenças cardio-vasculares também os americanos são campeões.  Nesse país onde se utiliza a “medicina de rico”, no entender esclarecido do Dr. Dráuzio Varella, os pacientes são tratados com medicamentos de última geração e equipamentos modernos de alto custo. Investe-se muito em medicina e quase nada em saúde da população.

Por outro lado, nos países onde se pratica a “medicina de pobre”, para citar novamente o ilustre médico Dr. Dráuzio Varella, os índices de doenças degenerativas, tais como, cânceres, doenças cardio-vasculares, diabetes, são baixíssimos. Nos EUA, ocorrem 120 casos de câncer de mama por 100.000 habitantes, enquanto na China apenas 20.

Inclusive as imigrantes  chinesas que vivem nos Estados Unidos, acabam atingindo os índices absurdos e epidêmicos da população americana. Em São Francisco, a cada ano surgem 160 casos de câncer de mama por 100.000 habitantes que migraram da cidade de Xangai, na China, enquanto, na mesma faixa etária, as que permaneceram, apenas 40 casos surgiram da mesma doença.

Portanto a medicina avançada dos países do primeiro mundo não colabora em nada para promover a saúde de seus habitantes. Por que então importarmos a mesma medicina que não se preocupa com a promoção da saúde e que parece considerar a doença um negócio melhor do que a saúde?

O que diferencia as populações dos países asiáticos é a prática de terapêuticas de origem milenar: fitoterapia, acupuntura, shiatsu, assim como os medicamentos alopáticos, sempre que necessário.

Portanto, Dr. Dráuzio Varella, que modelo de medicina devemos escolher e utilizar no tratamento das doenças da população brasileira de baixa renda? O modelo americano ou o asiático? Como confiamos na sua boa formação matemática e que as estatísticas epidemiológicas não são mentirosas, o melhor caminho para o Brasil forçosamente terá que ser o modelo asiático.

Mesmo sabendo que todos os profissionais da saúde, pesquisadores, fitoquímicos, fitofarmacologistas, etnobotânicos, farmacêuticos, fitoterapeutas e antropólogos da saúde são ignorantes, segundo a douta opinião do Dr. Dráuzio Varella, acreditamos que um dia vamos conseguir atingir os índices baixos de morbidade obtidos atualmente pelos países asiáticos.

Para melhorar o nível de nossos profissionais, pesquisadores da área de plantas medicinais, basta que o próprio governo aumente as verbas para pesquisa com plantas medicinais, que há séculos vem sendo utilizadas sem nenhum apoio do governo no tratamento de seus problemas de saúde pela população pobre, sem recursos, que conta apenas com a experiência de seus ancestrais para tratar de suas doenças. Esta é a realidade da nossa população humilde de interior, cujos serviços de saúde, todos sabemos, são precários e péssimos.

Imagine o Dr. Dráuzio Varella, se a população simples do interior não possuísse nenhum conhecimento da ação das plantas medicinais. Se toda vez que alguém adoecesse tivesse que procurar o serviço de saúde de seu município. Imagine o caos que seria. Em primeiro lugar, porque a maioria dos médicos está concentrada nas capitais dos estados. Em segundo lugar, porque na medida em que nos afastamos dos grandes centros, os recursos na área da saúde diminuem. E por isso faltam medicamentos, faltam leitos de hospital, faltam médicos e enfermeiros. Ainda assim os poucos profissionais que existem no interior foram mal formados na faculdade. As faculdades atualmente se preocupam em formar médicos especialistas em  monitoramento de UTI’s. Enfim são formados para exercer a “medicina de rico”. São pouquíssimos os médicos clínicos disponíveis capacitados para receitar fitoterápicos, mesmo porque não se estuda fitoterapia nas faculdades de medicina no Brasil! E muito menos dispomos de faculdade de fitoterapia, tais como, as que existem na Inglaterra, na França, na Índia, na China.

Não estranhamos, portanto que o Dr. Dráuzio Varella, tenha encontrado muita ignorância nos projetos de Farmácias Vivas estabelecidos em diversas regiões do país. Há, na verdade, uma carência muito grande pesquisas na área de plantas medicinais no Brasil. Por outro lado, a ignorância encontrada pelo ilustre médico  não é decorrente do descaso ou por falta de amor pelo paciente. Além de não ter recebido nenhuma informação, e, muito menos formação, na faculdade onde estudou, o médico que atua nos atendimentos fitoterápicos não dispõe de nenhum apoio logístico. Para praticar a fitoterapia as informações são escassas e mesmo as pesquisas que a Universidade brasileira promove, que o Dr. Drázio Varella, se referiu com tanto desprezo, dificilmente chegam ao seu conhecimento.

Portanto tudo o que o douto Dráuzio Varella considera idiotices são deficiências que ocorrem em um país que até hoje escolheu o modelo da “medicina rica” que promove a doença e não investe na saúde da população. Ao acusar um médico que receita fitoterápicos de idiota, porque não conhece farmacologia, teria que acusar também os demais médicos brasileiros que também não conhecem, porque todos sabemos que a farmacologia moderna é uma caixa preta, cujo conhecimento é de domínio exclusivo dos grandes laboratórios. Para o médico chega apenas a bula dos medicamentos…

Mas agora sabemos que o único cidadão brasileiro que não é idiota e que sabe farmacologia em profundidade é o Dr. Dráuzio Varella, porque provavelmente recebeu informações confidenciais dos grandes laboratórios e pode falar com conhecimento de causa. Como percebeu a deficiência na formação dos médicos que entrevistou, vai agora colaborar e esclarecer e orientar os idiotas, profissionais de saúde, que atuam nos projetos de Farmácias Vivas, idealizado pelo provavelmente também idiota, Dr. Francisco José de Abreu Matos, farmacêutico químico e professor da Universidade Federal do Ceará, infelizmente falecido em 2008. Se estivesse vivo com certeza explicaria as dificuldades para desenvolver e implantar o projeto de Farmácias Vivas no Ceará, com uma experiência profissional de 50 anos.

Sabemos que, segundo o Aurélio, idiota é um indivíduo pouco inteligente, estúpido, ignorante, imbecil e em alguns casos, até mesmo, uma categoria psiquiátrica, a idiotia. Portanto não consideramos correto e muito menos ético, considerar idiotas inúmeros profissionais da área da saúde,  que atuam nos projetos de Farmácias Vivas no Brasil. As deficiências por ventura encontradas pelo ilustre médico deveriam, com certeza, ser avaliadas, mas evidentemente com o respeito que qualquer indivíduo merece, independente de sua formação intelectual.

Quanto à experimentação dos fitoterápicos, a que o Dr. Drázio Varella se referiu, gostaríamos de questionar porque inúmeros medicamentos alopáticos são proibidos e retirados do mercado, após causar inúmeros danos aos pacientes. Por acaso a talidomida que gerou inúmeras crianças defeituosas no mundo inteiro foi submetida a experimentação científica antes de ser colocada á venda no mercado? Quantos aditivos e demais produtos químicos são colocados no mercado, expondo seres humanos e seres vivos aos seus efeitos cancerígenos que somente são percebidos depois que contaminaram todo o planeta. Basta lembrar dos PCB’s, os bifenilos policlorados, óleo conhecido no Brasil como ascarel, que quando foram produzidos em 1929 não se sabia nada de seus efeitos altamente nocivos para os seres vivos e para o meio ambiente. Sua fabricação foi proibida em 1976, mas os efeitos maléficos cumulativos e persistentes que atingiram toda a cadeia alimentar do planeta, não. A contaminação continua até os dias de hoje e, provavelmente o ilustre médico Dr. Dráuzio Varella também deve estar contaminado com PCB’s, o que explicaria sua atitude pouco ou nada cortês com demais indivíduos de sua espécie. Este é apenas um trágico exemplo, mas existem mais de 800 aditivos químicos ainda não estudados utilizados na fabricação de alimentos. São proibidos apenas quando, após experiências com animais, se descobre que são cancerígenos. Nesse caso, as cobaias não foram os pobres camondongos, foram os seres humanos que, sem  serem consultados, foram submetidos à experimentação.

Também consideramos necessário experimentar previamente as plantas medicinais. Os ensaios toxicológicos são evidentemente necessários, inclusive para estabelecer uma posologia adequada para um possível atendimento fitoterápico. Por outro lado, a etnobotãnica e a antropologia da saúde fornecem uma contribuição muito importante para a ciência ao estudar o conhecimento de raizeiros e pajés indígenas que conhecem os efeitos de cada planta a partir da experiência recebida de seus ancestrais e da utilização da planta por si mesmo. Podemos dispor desse modo de uma informação preciosa a respeito de plantas potencialmente tóxicas e perigosas. Na verdade tudo o que sabemos de cada planta considerada medicinal, tem origem na medicina popular, indígena, ou através dos conhecimentos trazidos pelas etnias africanas introduzidas no Brasil como escravos desde o início do processo de conquista e colonização do Brasil.

Na verdade todas as plantas medicinais estudadas pela Universidade no Brasil são oriundas da medicina popular. Não existe nenhuma planta medicinal cujo conhecimento não seja difundido entre a população.  Portanto quem decide o que estudar em termos de ação medicinal, são os intelectuais existentes nas comunidades simples do interior brasileiro, os raizeiros, os mateiros, as parteiras, os rezadores, os umbandistas, os curadores de cobra, etc.  São eles que informam aos etnobotânicos e antropólogos da saúde o que vale a pena estudar no reino vegetal. Se não fosse assim porque a Universidade iria formar etnobotânicos, etnofarmacologistas, especialistas em estudar o pensamento médico popular, com o objetivo de encontrar plantas, com grande potencial terapêutico. E tal fato vem acontecendo no mundo inteiro. A planta medicinal, Stevia rebaudiana foi descoberta pelos índios guarani do Paraguai e classificada pelo cientista suíço Moisés Bertoni. Pois bem, a estévia é um adoçante 300 vezes mais potente do que o açúcar de cana e não produz diabetes. Não por acaso foi proibido o seu uso nos Estados Unidos!

Assim necessitamos cada vez mais reduzir nossa ignorância aprendendo com quem sabe: os praticantes da medicina popular, porque ninguém é totalmente sábio ou totalmente ignorante. O acesso ao saber é um processo contínuo de busca e por isso para deixar de ser ignorante é necessário trilhar sempre o caminho da pesquisa e humildemente reconhecer que, mesmo quando avançamos, sabemos apenas que sabemos pouco ou quase nada.

Entretanto quando julgamos os que realmente pesquisam e buscam o conhecimento, totalmente ignorantes e idiotas, estamos reconhecendo que nada sabemos do que necessita ser conhecido.

Pelo menos o Dr. Dráuzio Varella reconheceu que o atendimento fitoterápico é profundamente diferente do atendimento alopático. O médico fitoterapeuta escuta durante muito tempo as queixas e o histórico do paciente e faz uma anamnese correta e completa. Nenhuma novidade nisso. Todo médico deve fazer isso. “O doente vai ao médico e ele nem olha na cara”, segundo Dr. Dráuzio Varella. Realmente esta é a realidade da “medicina de rico” aplicada ao pobre.  O médico de formação alopata não olha o paciente, porque não necessita individualizar o paciente, basta receitar um analgésico ou antibiótico qualquer, para despedir seu paciente. Este é o modelo que o Dr. Dráuzio Varella defende em sua entrevista. Parabéns pela inteligência do Dr. Dráuzio Varella!

Enfim, vamos aguardar a reportagem do dia 29/08/2010 na Globo, para avaliar melhor a proposta do Dr. Dráuzio Varella.

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Novos locais e datas do Curso de Fitoterapia com Prof. Douglas Carrara

Curso de Introdução à Fitoterapia Brasileira

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Público alvo: Profissionais e estudantes da área da saúde: médicos, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, biólogos, fisioterapeutas, terapeutas naturais ou estudantes.

Pre-requisitos: ensino médio.

Objetivo: Iniciação ao estudo da fitoterapia brasileira – Noções básicas.

Justificativa: Estimular o conhecimento científico de plantas brasileiras e produzir massa crítica sobre fitoterapia na área da saúde.

Avaliação da aprendizagem: aulas práticas. Excursões ao campo.

PROGRAMA DO CURSO

O Curso abrange noções gerais sobre Botânica Morfológica e Sistemática, Antropologia e Fitoterapia e pretende preparar os alunos para entenderem o universo da Medicina Popular no Brasil assim como promover uma introdução aos estudos de Fitoterapia.

1ª) Introdução. Resumo histórico da experiência médica popular no tratamento das doenças. Indígenas, Negros africanos e Europeus (portugueses, franceses, alemães, italianos, japoneses, espanhóis). A influência jesuíta. Etapas do processo de pesquisa de plantas medicinais. Disciplinas auxiliares. Técnicas de herborização e fitoterápicas. Instrumentos de trabalho. Técnicas de coleta de insumos para a produção de fitoterápicos.

2ª) Noções de antropologia. Reino Vegetal. A teoria evolucionista. Tabela cronológica da idade da terra e da vida. Introdução à Botânica Sistemática – Estudo geral sobre as principais divisões do reino vegetal. As principais famílias que possuem plantas medicinais.

3ª) Morfologia externa de vegetais superiores (angiospermas, monocotiledôneas e dicotiledôneas), com a análise das características de raízes, caule, folhas, flores, frutos e sementes.

4ª) Aula prática: Excursão ao campo.

5ª) Principais plantas medicinais usadas no Brasil. História terapêutica das plantas medicinais mais importantes.

6ª) Principais doenças tratadas pelos praticantes da medicina popular e pela fitoterapia. Bronquite. pneumonia, contusões, cálculo renal, câncer, dermatoses, etc.

7ª) Metodologia de pesquisa. Autores básicos. Processo de expropriação científica. Medicina indígena. História da fitoterapia no Brasil

8ª) Técnicas de cultivo de plantas medicinais. Produção de mudas. Comercialização. Produção de fitoterápicos. Exportação de plantas medicinais.

9ª) Princípios da alimentação natural. Nutrição adequada para prevenção do câncer. Anti-oxidantes vegetais. Radicais livres. Fito-hormônios. Substâncias tóxicas e cancerígenas.

10ª) Princípios da medicina popular. O pensamento mágico. Tradições hipocráticas e galênicas. Alopatia e Homeopatia. A fitoterapia no Brasil.

Ao final do curso, planeja-se uma excursão para a realização de uma aula prática no campo, com identificação de plantas e de praticantes da medicina popular.

O Prof. Douglas Carrara, autor do livro “POSSANGABA – O Pensamento Médico Popular”, é formado em Ciências Sociais, com especialização em Antropologia e estuda há vários anos a medicina popular e a fitoterapia no Brasil.

Duração: 32 horas/aula (aulas teóricas). (fim de semana) duas excursões ao campo (fim de semana)

1) No dia 10 de julho de 2010 (sábado), inicia-se uma nova turma na sede da Casa de Francisco de Assis, situada na Rua Alice, 308 – Laranjeiras – Rio de Janeiro. O curso será ministrado aos sábados, das 9:00 às 18:00 h., (com intervalo de 1 hora para o almoço). Além das aulas teóricas, aos sábados, teremos mais dois dias de aulas externas, práticas, em data a ser combinada com os alunos. As aulas téoricas seguintes estão programadas para os dias 17, 24 e 31 de julho de 2010.

2) Local: Universidade Gama Filho (Unidade Candelária): Praça Pio X (em frente ao Centro Cultural Banco do Brasil) Horário: Sábados – das 9:00 às 18:00 h. (com intervalo de uma hora para o almoço)

3) Local: SEARTE – Rua Barcelar da Silva Bezerra, 82 – Boa Vista – Maricá – RJ

Horário: Domingos – das 8:00 às 17:00 h. (com intervalo de 1 hora para o almoço)

Telefone: (21) 2634-2359 (Inscrições)

4) Local: Biblioteca Chico Mendes – Rua C, Lote 5, Quadra 12-B – Itapeba – Maricá (RJ)

Horário: Sábados/Domingos – das 8:00 às 17:00 h. (com intervalo de 1 hora para o almoço)

Telefone: (21) 2638-5160 (Pré-Inscrições)

Observação: Não esqueça de se inscrever para nos ajudar a planejar o curso, mesmo que o horário oferecido não seja adequado para o aluno.

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Hortas Urbanas

https://i2.wp.com/www.cityfarmer.info/wp-content/uploads/2008/08/romita-urban-garden.jpg

Quarta-feira, Maio 12, 2010
AGRICULTURA URBANA

O sucesso das chamadas «hortas sociais» onde quer que tais experiências tenham sido realizadas, no Porto, em Gaia, na Maia e em outros concelhos, vem confirmar a razoabilidade da agricultura urbana e a sua necessidade. Claro que se trata de iniciativas limitadas e parcelares, que cumprem antes do mais o objectivo de oferecer, a moradores de bairros sociais, uma forma saudável e útil de preenchimento do seu tempo, em ambientes urbanos onde a natureza é uma ausência e os problemas sociais de isolamento se fazem sentir. Já não seria pouco. Mas outros «formatos» de hortas sociais provam, com igual sucesso, que a vontade de cultivar uma pequena parcela, como passatempo mas também como fonte de alimentos frescos, existe e manifesta-se em qualquer meio social. De resto os candidatos a «agricultores citadinos» ultrapassam em muito a disponibilidade de terrenos para o efeito.

A agricultura nunca abandonou totalmente as cidades, e concretamente a área urbana do Grande Porto. Em todo o caso, o que sobrou de uma expulsão metódica e vertiginosa é agora residual. Entendeu-se que campos lavrados, assim como bosques ou até rios correndo nos seus leitos de sempre, representavam como que vestígios da «atraso» e de «arcaísmo» pouco condizentes com as sucessivas ondas de «progresso» medidas em cubicagem de cimento e asfalto.
Ainda não há muitas décadas, o abastecimento de bens alimentares de primeira necessidade das áreas urbanas fazia-se em termos de relativa proximidade. Mesmo na cidade do Porto, boa parte dos legumes e frutas vendidos nos mercados eram colhidos a escassos quilómetros de distância da residência dos seus consumidores.
Tudo mudou, é certo. Hoje, milhares de quilómetros, vencidos a bordo de camiões através da generosa rede de auto-estradas, são atravessados até que cheguem ao seu destino final. Altíssimo consumo de energia, servindo uma rede de grandes superfícies onde o acesso só é possível com recurso ao automóvel, eclipse dos velhos mercados de frescos e do comércio tradicional—acompanhando o despovoamento do casco velho das cidades— eis alguma das consequências deste novo estado de coisas. Insustentável e oneroso, sem dúvida, mas que o será ainda mais caso, como tudo indica, o preço dos combustíveis fósseis venha a aumentar duradouramente.
Precisamos de reabilitar a produção de alimentos numa lógica de proximidade, preservando os terrenos que ainda existam para esse efeito.
Em todo o mundo, a agricultura urbana ganha expressão e é levada a sério pelas autoridades em termos de planeamento territorial, quer no interior das cidades, quer nas suas periferias. Paris, Londres, Berlim, por toda a Europa avança essa ideia que corresponde a uma necessidade. Ou a várias: mais espaços verdes e de recreio, alimentos de qualidade controlável, economia de energia e racionalidade económica, melhoria da saúde das populações. E ainda mais uma que tem sido esquecida: a segurança alimentar, no sentido de que é urgente assegurar, se não auto-suficiência, pelo menos alguma capacidade de responder a uma crise global que pode ser de penúria de alimentos, como ainda bem recentemente se tornou subitamente visível.
Em muitas cidades norte-americanas, São Francisco, Salt Lake City e outras, estuda-se a forma de cultivar hortas e pomares no topo dos prédios, dada a carência de terra arável. Por cá ainda não chegamos a tanto, mas vai sendo tempo de prevenir o futuro, cuidando do essencial que é a sustentabilidade e a qualidade de vida dos habitantes das grandes metrópoles.
Bernardino Guimarães

(Crónica publicada no Jornal de notícias em 11/5/010)

Serviço PORTAL VERDE
Saiba mais sobre Hortas Urbanas em:

http://www.horturbana.com/index.html

http://www.cityfarmer.info/

http://miau-nas-hortas.blogspot.com/

https://i1.wp.com/3.bp.blogspot.com/_46mdn6-E6es/STNApA3RNJI/AAAAAAAAAE4/Yu5KwyXggJY/s400/horta-urbana2.jpg

Colaborou enviando essa matéria: Luis Caminha

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Confirmado: Arnaldo V. Carvalho ministrará curso de Aromaterapia em Niterói, RJ

CURSO DE AROMATERAPIA

DIAS 19 E 26 DE JUNHO

LOCAL: Logos Estudos e Consultoria – Icaraí, Niterói – RJ – Brasil

TEL de CONTATO: 21 2711-6066 (Nelma Guerra)

E-MAILs: nelmaguerra5@uol.com.br

SERÃO 2 SÁBADOS COM OITO HORAS DE DURAÇÃO CADA.

CONTEÚDOS:

Curso Básico de Aromaterapia – 16H

OBJETIVOS: Trazer as bases fundamentais na compreensão e perfeita utilização de óleos essenciais, ácidos graxos e demais matérias-primas e técnicas da aromaterapia; Fornecer ao aluno um panorama detalhado do mercado e das técnicas associadas; Permitir que o aluno possa produzir com qualidade e segurança produtos de aromaterapia para utilização pessoal ou profissional; Conhecer os principais óleos essenciais e óleos gordos utilizados no mercado europeu e mundial para a prática de aromaterapia, inclusive com sua descrição geral e propriedades terapêuticas.

PROGRAMA:

• Bases de Aromaterapia
• Aspectos históricos e panorama mercadológico atual;
• Noções botânicas e farmacológicas;• Generalidades sobre óleos essenciais e óleos carreadores:
– Formas de extração de óleos
– Características fisico-químicas
– Óleo essencial x essência
– Óleo carreador não refinado x refinado
– Propriedades terapêuticas gerais

• Veículos empregados em aromaterapia;o
• Formas de administração terapeutica de óleos;
• Descrição e propriedades específicas de cada um dos óleos estudados no curso (cerca de 50 tipos).
• Lei das sinergias;
• Taxas de Evaporação;
• Limitações e Contra-indicações;
• Formulações básicas;

OBS: Durante o curso são aplicadas dinâmicas e práticas diversas; Todos as preparações ocorridas em aula ficam com os alunos; Rica apostila e certificado inclusos.

Site dos cursos de Aromaterapia do Prof. Arnaldo: Clique aqui

INVESTIMENTO:

R$300,00 que poderão ser divididos em 3 vezes com cheques pré datados.

FACILITADOR:

terapeuta corporal e naturopata

ARNALDO V. CARVALHO

Autor do livro: “Shiatsu Emocional”, fundador e administrador do site e blog Aromatologia e Aromaterapia. Ministra cursos relacionados à saúde natural, inclusive aromaterapia em diversos estados do Brasil e exterior.

Visite:

http://www.portalverde.com.br

https://portalverde.wordpress.com

www.aromatologia.com.br

aromatologia.wordpress.com

www.shiatsuemocional.com.br

www.arnaldovcarvalho.com

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