Toxoplasmose e Gravidez

TOXOPLASMOSE E GRAVIDEZ

Rodrigo Vianna

Hoje vou falar sobre a Toxoplasmose, uma doença que muita gente já ouviu falar, mas quase ninguém sabe dizer ao certo o que causa ou como se transmite.
Na verdade, a maioria das pessoas no Brasil já entrou em contato com o causador desta doença, um protozoário chamado Toxoplasma Gondii, mas elas não sabem disto.Isso porque no indivíduo sadio, quando o Toxoplasma infecta o organismo da pessoa, pode não haver nenhuma sintomatologia ou apenas sintomas inespecíficos que se assemelham a uma gripe e que logo desaparecem. Realmente não há necessidade de se preocupar com a toxoplasmose, pois nosso sistema imunológico consegue resolver tal infecção de maneira muito eficiente através da produção de anticorpos. O grande problema é quando a Toxoplasmose atinge a mulher grávida que nunca havia entrado em contato com o Toxoplasma G. , ou seja, aquela que ainda não tem anticorpos formados contra ele. Assim, o Toxoplasma G. conseguirá alcançar o feto pela via hematogênica (pelo sangue) e uma vez que haja uma infecção no feto, poderá haver o surgimento de complicações, principalmente malformações.

Portanto é indispensável que a gestante durante o pré-natal realize no exame de sangue a Sorologia para Toxoplasmose ( fração Ig M e Ig G), pela qual o médico poderá definir três situações distintas: é uma gestante que já teve contato com o Toxoplasma antes da gravidez (está naturalmente imunizada) e poderá ficar tranqüila quanto a inexistência de chance de adquirir toxoplasmose nesta gestação; é uma gestante que naquele momento está apresentando uma primeira infecção pelo Toxoplasma G. e irá requerer tratamento (há tratamento para a toxoplasmose, caso seja logo diagnosticada) ; ou é uma gestante que nunca teve contato com o Toxoplasma e está ainda susceptível a infecção. Neste último caso, cabe ao médico orientar a grávida sobre medidas para evitar este contágio até o final da gestação. São medidas simples que não nos esqueceremos se conhecermos o ciclo de vida deste microrganismo. O Toxoplasma G. se reproduz no intestino dos felinos (como o gato, portanto não é doença transmitida por cachorro, pombo ou qualquer outro bicho como muita gente pensa.) As fezes de um gato infectado irão conter microcistos de Toxoplasma e quando eliminadas no meio ambiente, acabarão por secar e virar uma poeira. Os cistos são leves a ponto de serem levados pelo ar, contaminando as pessoas através do aparelho respiratório. Mas esses microcistos também podem se depositar em vegetais que consumimos ou que outros animais, como o boi, consomem. Se ingerimos esses vegetais ou animais contaminados, acabaremos por nos contaminar também. Assim, para evitarmos a toxoplasmose na gestação devemos: evitar freqüentar ambientes com muitos gatos de rua, como alguns parques públicos (Notar que não há porque temer os gatos de estimação, cuidados em casa, visto que estes tem caixa de areia trocada constantemente); evitar a ingestão de vegetais crus ou mal lavados; evitar a ingestão de carnes e ovos crus ou mal-passados; evitar o contato com as mucosas da boca e dos olhos ao manusear carnes cruas; usar luvas ao mexer com terra.

Espero que possa ter esclarecido os principais aspectos da Toxoplasmose, e na existência de alguma dúvida, basta entrar em contato.

Rodrigo Vianna – Ginecologista e obstetra

SEXUALIDADE E GESTAÇÃO

SEXUALIDADE E GESTAÇÃO

Rodrigo Vianna

Quando abordamos temas a respeito da sexualidade humana, percebemos o quanto as pessoas se mostram ávidas sobre o assunto. Querem tirar dúvidas e resolver ansiedades e incertezas em relação, na maioria das vezes, à própria sexualidade. Por questões culturais, a sexualidade humana ainda é muito pouco discutida e comentada, apesar de estarmos vivendo dias mais liberais. Quando este tema se relaciona com a gestação, há ainda mais míngua de informações.

Com uma gravidez, tudo muda. Frase comum, mas de profunda verdade. Aspectos físicos, psicológicos, emocionais, sociais, econômicos, sofrerão transformações única e exclusivamente por conta de um novo ser que está para chegar ao mundo. É natural portanto, que o início da gravidez, fase de adaptação do organismo – corpo e mente – seja propenso a uma baixa da libido (desejo sexual). Já no 2º trimestre da gestação, teríamos a mulher em sua plenitude, já sem o mal-estar dos enjôos e da queda frequente da pressão, percebendo em frente ao espelho um corpo mais viçoso, uma pele mais sedosa, além de um sentimento de segurança que lhe acomete a partir da hora em que a barriga realmente desponta a olhos vistos. Agora ela verdadeiramente se vê – aos olhos dela e de outros – como mãe. Estas modificações também se transmitem para a esfera sexual e seu desejo volta a estar presente. Por ocasião do terceiro trimestre, principalmente nas semanas mais adiantadas da prenhez, a barriga começa a incomodar, pesada. O cansaço aumenta, a azia não a deixa e ela novamente pode experimentar uma baixa da libido, que poderá perdurar até alguns meses após o parto.

Em linhas gerais (muito mais coisas poderiam ser colocadas aqui) esta é uma evolução natural da sexualidade de uma grávida. Mas as “fases” aqui expostas não necessariamente se processam desta maneira, pois é lógico que poderemos ter grávidas que mantém sua sexualidade à tona do início ao fim da gestação, assim como o inverso: ausência total de libido, nojo do próprio corpo e do marido, etc. , durante a gravidez inteira. E apesar dos hormônios se alterarem apenas no organismo da gestante, alguns homens também sofrem modificações comportamentais em sua sexualidade. O homem também pode passar pelo medo ou insegurança de poder estar “machucando o bebê” durante o ato sexual. Ou pode ficar com baixa da libido ao ver que o corpo da mulher está se modificando, imaginando que a sua esposa grávida poderia representar sua própria mãe. Ou pode ficar preocupado com o surgimento de mais despesas, pensando onde ele iria conseguir dinheiro.

Muitas outras situações poderiam também ser colocadas, mas já deu para se ter uma idéia de que a sexualidade individual e do casal pode sofrer profundas mudanças na gestação.

Mas o que é mais importante? O mais importante é o entendimento a dois, de que se mudanças no comportamento sexual surgirem, elas são naturais e igualmente irão desaparecer e se resolver. Mas neste momento não pode deixar de existir o diálogo., a fim de que não hajam mal-entendidos com prejuízo futuro. Conversem entre si, mesmo sendo um assunto às vezes difícil de ser abordado, como o sexo. Exponham seus anseios, medos, dúvidas, perturbações. Compreendam um ao outro, cedam um pouco, que a gravidez acabará sendo prazerosa não só pela felicidade de um filho, mas também por encontrarem nela uma sexualidade latente, pungente, plena, bela, gostosa.
E lembrem-se de que todo médico Pré-Natalista também pode ajudar neste período tirando as dúvidas que ainda persistirem para o casal.

Boa gravidez!

 Rodrigo Vianna – Ginecologista e Obstetra

Como saber o tempo certo da gravidez?

SEMANAS X MESES

Dr. Rodrigo Vianna

Hoje vou esclarecer uma situação bem simples, mas que costumar “dar um nó” na cabeça das gestantes. Como fazer para saber o tempo certo de gravidez. Afinal, os médicos contam em semanas, os leigos contam em meses, e na hora de converter semanas em meses nunca dá certo.

Para complicar, cada USG feita pode revelar uma idade gestacional diferente.

Mas é bem simples, não se preocupem.

Para começar, devemos lembrar que cada animal tem um período de gestação, e o do homem é igual a 9 meses, como todos sabem. Mas na maioria dos casos, não se sabe exatamente quando ocorreu a fecundação (encontro do espermatozóide com o óvulo), já que a mulher não tem apenas um dia fértil por mês, e sim um período fértil de mais ou menos 8 dias. Precisou-se por isso, definir um ponto de partida fixo a partir do qual pudéssemos calcular o tempo de gestação. Este ponto fixo é a última menstruação, mais precisamente o 1º dia da última menstruação. (Mesmo sabendo que a gestação não se iniciou ali, pois não haveria óvulo presente para a fecundação)

Os nove meses são 273 dias aproximadamente (9×30=270, +3 ou 4 dias dos meses que tem 31 dias). Se acrescentarmos 7 dias, correpondentes aos 7 dias que a mulher estaria no período menstrual (mesmo que a regra de algumas mulheres não dure tudo isso, neste período inicial de sete dias não há ovulação e consequentemente não há gravidez), teremos então: 273 + 7 = 280 dias = 40 semanas. Por isso podemos dizer que uma gestação de nove meses completos, é uma gestação de 40 semanas.

A contagem em semanas foi necessária pelo meio médico, para estabelecer o tempo de gestação de uma forma o mais precisa possível, a fim de se evitar complicações por partos antes da hora ou após a hora. Então hoje sabemos que, a contar do primeiro dia da última menstruação, teremos 40 semanas até a data provável do parto, e o que é um cálculo médio, visto que o nascimento pode ocorrer de 38 a 42 semanas, sem maiores preocupações.

Podemos concluir assim, que não dá certo dividir o nº de semanas de uma gravidez por 4, para termos o nº de meses. Pois os meses não tem 28 dias e ainda temos esta semana da menstruação para atrapalhar a conta.

Como fazer então para converter o nº de semanas em meses? É fácil: basta descobrirmos quando é a data provável do parto(DPP), ou seja, 40 semanas a contar do primeiro dia da última menstruação. Ex.: se a DPP for 07/08/2004, todo dia 07 de cada mês completar-se-à mais um mês de gestação. No caso aqui mencionado, essa gestante fará 6 meses dia 07 de maio, 7 meses dia 07 de junho, 8 meses em julho, e irá completar seus 9 meses dia 07 de agosto! Não é fácil?
Para finalizar este assunto, uma curiosidade: é por isso que dizem que o nascimento ocorre após nove ou dez luas de gestação. Matematicamente, se o ciclo lunar é de 28 dias, basta multiplicar por 10 que teremos 280 dias = 40 semanas. Ou seja, contar por lua também não está errado.

Dr. Rodrigo Vianna – ginecologista e obstetra

 

 

CITOMEGALOVIROSE E GRAVIDEZ

CITOMEGALOVIROSE E GRAVIDEZ

Dr. Rodrigo Vianna

Abordo hoje este assunto, como prometido a uma paciente que por um acaso atendi há cerca de duas semanas atrás. Espero poder novamente esclarecer a ela, e a todas as outras mulheres, o que é a Citomegalovirose.
Infecção sem gravidade para o adulto, em pequeno número de casos adquiridos na gestação, pode passar ao feto e acometê-lo.

Por alguns motivos, muitos médicos acham que a pesquisa para CMV não deveria ser rotineira na gestação que não apresenta anormalidades: menos da metade dos casos ocorre dano fetal, inexistência de tratamento, inexistência de prevenção. Desta sorte, só traria apreensão materna, a ponto de que o Ministério da Saúde ainda não recomenda que se faça pesquisa de rotina para citomegalovirose na gestação.

O Citomegalovírus(CMV) é um vírus da família do vírus Herpes, e também possui a propriedade de, uma vez que tenha entrado em contato com um organismo, ficar dentro deste para sempre, no chamado estado de latência. Também como o Herpes, podem ocorrer reativações do CMV, sem que seja possível prever e prevenir isto.

O CMV encontra-se nos fluidos corporais, e desta forma pode ser transmitido. Ou seja: saliva, sangue, urina e sêmen contaminados. Após a primeira infecção, ocorrem sintomas inespecíficos como: mal-estar, estado gripal, ínguas, que desaparecem em alguns dias. Às vezes a infecção é completamente assintomática. Este estado de viremia (vírus no sangue) é a ocasião em que pode haver passagem do CMV para o feto, o que chamamos de transmissão vertical.

O mais importante, buscando tentar tranquilizar as mães com suspeita de infecção aguda pelo CMV, é que na maioria das vezes não ocorre a passagem do vírus para o feto. O percentual de ocorrência desta transmissão vertical é de 30 a 50% nas gestantes que se infectaram pela primeira vez, e de 3 a 5% nas gestantes com infecção recorrente. Nestes casos em que o vírus chega ao feto, o grau de comprometimento fetal pode ir do grave ao nenhum. Os mais sérios, além do óbito, seriam lesões no sistema nervoso, ou seja, lesões cerebrais, oculares e auditivas. Mas também pneumonia, hepatite e anemia podem fazer parte do quadro. Dos fetos onde houve a transmissão vertical, apenas 10 a 15% são sintomáticos ao nascimento, com o restante nascendo sem alterações aparentes. Mas 10 a 20% dos assintomáticos irão desenvolver algum prejuízo futuro: retardo no desenvolvimento neuro-motor ou surdez.
Bem, o que esses percentuais dizem? Se pegarmos 100 gestantes onde houve o contágio pelo CMV durante a gestação, teremos (levarei em conta os extremos dos percentuais aqui apresentados, por ex. – índice de Transm.vertical é de 30 a 50%) 30 a 50 fetos com presença do CMV. Destes, 3 a 7 fetos seriam sintomáticos ao nascimento e 3 a 10 fetos apresentariam algum sintoma mais tardiamente. Isto quer dizer, que de 100 gestantes que foram contaminadas pelo CMV durante a gestação, apenas 6 a 17 fetos teriam algum tipo de comprometimento.

Há então, uma chance muito maior de não haver danos para o concepto do que de haver. Mesmo assim, uma vez que seja feito o diagnóstico de CMV na gestação, o médico deve ficar atento a esse pré-natal e até mesmo propor a gestante o uso de métodos invasivos – amniocentese (punção de líquido amniótico) e cordocentese (punção do cordão umbilical) para tentar diagnosticar se houve também infecção fetal.

Obrigado pela atenção e até o próximo assunto: parto normal x parto cesarea.

Boa gravidez a todas.

Rodrigo Vianna – Ginecologista e Obstetra

PARTO NORMAL (VAGINAL) X PARTO CESAREANA

PARTO NORMAL (VAGINAL) X PARTO CESAREANA

Dr. Rodrigo Vianna

Hoje vou falar de uma das grandes dúvidas que acercam a gravidez: qual o melhor parto, o normal ou o cirúrgico? Farei aqui uma análise simples desta discussão, de modo que essa dúvida desapareça para as futuras mães.

Primeiramente, o que sempre falo para as pacientes que me procuram no consultório (e muitas vezes bem angustiadas quanto a isso) : que temos de deixar claro que o melhor parto é aquele onde mãe e filho se encontram bem ao final. Esta é a grande recompensa materna de carregar uma criança no ventre durante nove meses, e também motivo da grande satisfação e alegria do obstetra, que acompanhou a gestação e o parto.

Para este resultado final, com todos felizes, não há um tipo de parto que seja o melhor para todas as mulheres. Há uma variação enorme, pois existem muitos fatores envolvidos: preparo psicológico e expectativas da mulher, do companheiro, da família; saúde materna e fetal; ambiente social, etc.

O mais importante é: a mulher deve ter uma participação ativa durante toda a gestação e também na hora de optar pela via de parto. O que é participação ativa? Não é fazer o que passa pela cabeça, sempre indo contrária às orientações médicas. Para a que pensa assim é melhor nem fazer o pré-natal. Participação ativa é querer saber o que está acontecendo no seu corpo com essa nova vida que se desenvolve dentro dele; é querer saber porque seu médico está tomando esta ou aquela conduta; é querer dar sua opinião do que está sentindo.

Se as mulheres participativas não estão tendo este retorno no pré-natal, então me desculpem os doutores, mas é melhor que se mude de obstetra. Há necessidade de confiança mútua – obstetra e gestante – durante os nove meses, para que possamos ter uma gestação e um parto tranqüilos. Assim, poderá durante a gestação ou já no trabalho de parto, haver uma troca entre os dois: o obstetra ouvindo a paciente e vice-versa. E a decisão final, mesmo sendo do médico, não trará preocupação à mulher mesmo não sendo da maneira que ela gostaria, pois saberá que aquilo será o melhor para ela e seu bebê.

É sabido que o parto normal tem muitas vantagens em relação a cesariana: é o fisiológico – o corpo da mulher foi preparado para isso; a recuperação é muito mais rápida; há menor chance de hematomas ou infecções; menor risco de complicações para a mãe; menor chance de dor pélvica crônica. Quanto a dor, com as técnicas de analgesia de parto utilizadas hoje em dia, essas podem ser evitadas.

A princípio então, devemos pensar primeiro no parto normal, principalmente em se tratando de mulheres saudáveis e gestações idem.

Mas algumas chegam até o médico, com muito medo do parto normal. Seja por antecedentes próprios ou na família de um trauma qualquer ocorrido por ocasião de algum nascimento, seja por desconhecimento do que é um parto, seja por insegurança que a aparente imprevisibilidade de um parto normal possa causar. E aí, algumas mulheres não conseguem nem aventar a possibilidade de terem um parto assim. Querem o parto marcado, preparado, tranqüilo, “seguro”. E mesmo se explicando sobre um tipo de parto e outro, suas vantagens e desvantagens, por vezes não conseguimos demovê-la desta idéia fixa, e o normal para elas seria a cesariana. Tudo bem também, sem traumas. Não adianta o médico ficar assustando a paciente dizendo até o último instante que tentará o parto normal “para o bem dela”. Ora, que meses difíceis serão para essa mulher, todo dia pensando na angústia do trabalho de parto ao invés de curtir sua barriga. Apesar de ser uma cirurgia, a cesariana é hoje em dia uma operação bem segura, principalmente havendo capacitação dos profissionais envolvidos na cirurgia e maternidade bem equipada para a mesma. Não podemos ficar com discursos demagogos que a mulher ou o neném poderão ter várias complicações se o parto não for natural.

Finalizando, vou relembrar que o mais importante é a participação ativa da mulher durante a gestação, para que lhe possam ser esclarecidos pelo médico, os riscos e benefícios de cada via de parto, a partir da avaliação de cada situação, de cada caso.

Outros apontamentos sobre esta avaliação do tipo de parto poderiam ser mencionados, mas tornariam o tema extenso, quando queremos justamente uma coisa mais simples e objetiva, voltada para as mulheres. Mas como sempre, me coloco a disposição para quaisquer eventuais esclarecimentos.

Boa gravidez!

Dr. Rodrigo Vianna – ginecologista e obstetra