Tem nome que se passa por Sem nome

Farsa de um sorvete que tentou se passar por outro

Por Arnaldo V. Carvalho

Aconteceu em Niterói, RJ. Fui a um supermercado e lá estava o freezer anunciando “Sorvetes Sem Nome” de dois litros n promoção por 9,90. “Sem Nome” foi a marca da sorveteria mais famosa da cidade, no meu tempo de infante e também de adolescente.

Eram duas unidades, uma enorme, que vivia lotada, com seus vários sabores e excelente qualidade. A Sem Nome fechou há anos. Ver aquela chamada do lado de fora do freezer foi como avistar um oásis após tanto tempo no deserto.

As letras eram parecidas com a da antiga sem nome, e o produto anunciava utilizar açúcar orgânico. “Coisa de quem tem qualidade”, pensei. Não titubeei, comprei duas caixas, feliz da vida. Cheguei em casa, abri o sorvete, animado com apresentar a iguaria às minhas filhas. Que decepção! O sorvete não era nada bom. Eu lamentei que a Sem Nome tivesse voltado sem honrar sua qualidade.

“Nem é Sem Nome”, disse uma delas. “É Tem Nome”. Reparando bem, o S na verdade era um T. Eu havia sido enganado, e minhas memórias trataram de ajudar na distorção da letra. Algo estava errado.

Voltei ao mercado na mesma semana. O preço indicava “Sem Nome”. As fotos comprovam que se a marca de sorvete tentou enganar o consumidor e se associar com a antiga,  admirada e falecida “Sem Nome”, conseguiu com a ajuda do próprio supermercado.

Quando a má fé se apropria de uma referência de qualidade, o consumidor é o maior prejudicado

Talvez dê para entender num episódio como esse, o quanto o plágio, a falsificação, a associação indevida entre técnicas, serviços ou produtos diferentes através de um nome em comum ou parecido deve ser combatido.

No final das contas, é o consumidor final o maior prejudicado.

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